Mulheres desbravam o mundo da ciência

Por Nataly Rodrigues e Marcelo Teixeira

Quantas cientistas mulheres você conhece? Apesar das notáveis transformações da sociedade rumo à equidade de gênero, a desigualdade entre homens e mulheres ainda é evidente, principalmente no âmbito científico. 

De acordo com a análise feita pelo Instituto de Propriedade Intelectual do Reino Unido (IPO), a maioria das patentes vem de equipes compostas apenas por homens, representando 69% de pesquisadores, sendo 43% pesquisadores individuais e 25% de equipes exclusivamentes masculinas, enquanto apenas 6% de mulheres pesquisadoras individuais e 0,3% de equipes exclusivamente feminina. 

A pesquisa ainda indica que somente 13% das mulheres integram pedidos de patente, isso equivale a uma mulher inventora para cada sete homens. Ao longo das últimas décadas o índice de mulheres inventoras saltou de 6,8%, em 1998, para 12,7%, em 2017. Mesmo com o aumento destas proporções nos últimos anos, segundo o IPO a igualdade de gênero em relação a pedidos de patentes, só será possível em 2070. 

O estudo ‘Decifrar o código: educação de meninas e mulheres em ciências, tecnologia, engenharia e matemática (STEM)’, publicado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), aponta que em todo o mundo, as mulheres representam apenas 35% de todos os estudantes matriculados nos campos de estudo relacionados a STEM no nível superior. 

Emanuele Verçosa, 19, estuda Ciências da Computação, na Universidade de Fortaleza (Unifor) e participou no mês de agosto da prova Certified Tester Foundation Level (CTFL), ou traduzindo, Certificado de Testador do Nível da Fundação – ao passar no exame conquistou uma certificação internacional em teste de software. Emanuele foi a primeira estudante da Unifor a ganhar esta certificação. “Eu estudei durante um mês inteiro para fazer a prova. E a prova foi bem difícil. Eu achei que não iria passar,  mas quando recebi o resultado, eu fiquei impressionada. Eu não estava acreditando que tinha conseguido”, contou sobre a preparação para o exame e a reação que teve após o resultado.  

A estudante acredita que essa conquista irá acrescentar um diferencial, não só na sua vida acadêmica como profissional. “Essa certificação é muito importante dentro da área, porque ela pesa muito na hora de entregar um currículo dentro de uma empresa, certamente isso pesa, tanto que agora eu fui chamada para trabalhar na Febracis Coaching e o que pesou no meu currículo foi essa certificação”. 

Emanuele Verçosa, 19 anos, estudante de Ciências da Computação. Foto: Lia Beatriz

Cientistas como Marie Curie, que aprimorou os estudos sobre radioatividade, além de descobrir dois elementos químicos, Mária Telkes, que inventou o gerador e o refrigerador termoelétricos, e inúmeras mulheres do passado e da atualidade comprovam que a ciência, tecnologia, engenharia e matemática são áreas de atuação e sucesso feminino também. Estereótipos não correspondem à capacidade intelectual das mulheres, o espaço limitado na ciência não está relacionado a competência feminina, mas, sim, a processos desiguais sofrido pelas mulheres que durante séculos foram perpetuados. 

Infográfico: Diuly Moreira

 

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