Os 130 anos da Proclamação da República

Por Marcos Viana

A Proclamação da República do Brasil ocorrida em 15 de novembro de 1889, completa 130 anos nesta sexta-feira. A mesma foi sucedida através de um golpe de Estado liderado pelo Marechal Manuel Deodoro da Fonseca, na cidade do Rio de Janeiro, na então Praça da Aclamação. Deodoro, juntamente com os militares do exército, destituíram o Imperador D. Pedro II do poder, estabelecendo a Primeira República Presidencialista do Brasil.

Ana Caroline Moreira, historiadora formada pela Uece. Foto: Arquivo Pessoal

A historiadora Ana Caroline Moreira, 24, conta que o acontecimento se deu em um contexto histórico muito delicado da monarquia. “Existiam três pilares muito importantes que sustentavam a monarquia: o exército, a igreja e a elite brasileira, sobretudo a elite agrária, pois na época a economia era pautada pelo café”, diz ela.

Antes mesmo da data de 15 de novembro, ocorreram outros movimentos com a tentativa de instituir uma república, porém não obtiveram sucesso. No ano de 1789, durante a Inconfidência Mineira, houve a tentativa de proclamar uma república em Minas Gerais e, em 1817, na Revolução Pernambucana, conseguiu instituir um governo provisório pelo período de 75 dias.

Em 1824, novamente o estado de Pernambuco, juntamente com outras províncias do Nordeste, criaram a chamada “Confederação do Equador”, movimento separatista e republicano instaurado na época. Por fim,  em 1839, durante a Revolução Farroupilha, fora proclamada a República Rio-Grandense e a República Juliana, atuais estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Antes da República

O Brasil, ainda na monarquia, vivia seu segundo reinado sob ordens do então Imperador D. Pedro II. Na década de 1870, ocorreu uma crise monárquica em que a elite brasileira preocupou-se com a sucessão do trono, já que o Imperador não possuía filhos (homens). Portanto, caso o Imperador viesse a falecer, o país passaria a ser governado pela sua filha mais velha, a Princesa Isabel. A princesa era casada com o francês Gastão de Orléans, o que causava receio na população de que o país fosse governado por um estrangeiro.

Segundo Ana Caroline, os três pilares que sustentavam a monarquia se fragilizaram. “Os militares do exército não receberam o devido reconhecimento após a Guerra do Paraguai, a Igreja estava insatisfeita com o fato do Imperador não se posicionar contra a maçonaria e a elite agrária estava aborrecida com a abolição da escravidão”, explica.

Com isso, a monarquia foi perdendo o prestígio, o que causou o seu declínio. O graduando em História pela PUC-PR, Caio Murilo Pereira, 21, explica os acontecimentos que sucederam após a queda da monarquia. “O Marechal Deodoro da Fonseca, mesmo tendo um alto grau de patente militar, não era totalmente convicto com os ideais do republicanismo. Após a proclamação, para provar que a República vinha para ficar, foram alterados rapidamente nomes e símbolos, como tentativa de dar mais concretude à mudança efetiva de regime político”, explana.

Após a proclamação, foi instaurado um governo republicano provisório, conhecido como “República Velha”. Marechal Deodoro da Fonseca, que era monarquista, tornou-se o primeiro Presidente do Brasil, no período de 1889 a 1891. A Primeira República perdurou até 1930, ano em que ocorreu uma Revolução que depôs o presidente Washington Luís, o último presidente da chamada República Velha.

O feriado de 15 de novembro

Lucas Magalhães, estudante de História da Uece. Foto: Arquivo Pessoal.

 

O feriado é comemorado anualmente desde 1889. O estudante de História da Universidade Estadual do Ceará (Uece), Lucas Magalhães, 22, conta a importância que tem esse dia para a atualidade. “O feriado que comemora a Proclamação da República é mais que uma simples data a ser lembrada. Hoje, acima de tudo, representa uma tentativa de enaltecer aqueles que mudaram os trilhos da história do país, que implementaram a república brasileira e que tinham como intuito perpetuar essa data, bem como relembrar os ditos valores patriotas, o enaltecimento da bandeira brasileira, o amor à nação e o orgulho à pátria amada”, conta.

 

 

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