Leitores de livros físicos resistem aos digitais

Por Clariana Matias

 

Segundo a 4ª edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, desenvolvida pelo Instituto Pró-Livro, considera-se “leitor” aquele que leu pelo menos um livro nos últimos três meses. Apesar do baixo número de leitores no Brasil, ainda existem pessoas que apreciam a companhia de um livro. Entre elas, estão as que escolhem os livros físicos e as que preferem os eBooks. Ebook é o termo utilizado para qualquer conteúdo de informação semelhante a um livro que possa ser lido eletronicamente, como em computadores, leitores de livros digitais ou no celular, se este suportar o formato. 

Embora pareça novidade, o livro digital está há décadas na história. Existem várias especulações de quando o eBook surgiu, a mais citada é a versão de que ele foi criado em 1971, quando o americano Michael Hart montou o Projeto Gutenberg, a primeira biblioteca digital do mundo. Prometendo um tipo de leitura mais prática, os eBooks parecem ser a alternativa perfeita para o leitor que tem uma vida agitada. Mas, segundo os dados de uma pesquisa realizada pelo Jornalismo NIC, a maioria das pessoas ainda prefere os livros físicos. 

Infografia: Rafaela Alves

De acordo com uma pesquisa feita por uma professora americana, Naomi S. Baron, da American University, 92% dos estudantes universitários preferem o livro físico ao eBook. A pesquisa foi realizada em 2016, com alunos de Universidades dos Estados Unidos, Japão, Alemanha e Eslováquia. 

Preferências 

Jordana Carneiro. Foto: Arquivo Pessoal
Renata Farias. Foto: Arquivo Pessoal

A assistente editorial, Jordana Carneiro, 33, aderiu aos eBooks em 2014, quando comprou o Kobo, um dispositivo de leitura digital. Apesar de no início ter tido dificuldade de adaptação, Jordana não troca o livro digital por outra coisa. “Eu consigo ler bem mais rápido com o eBook, ele é melhor de ser transportado. Atualmente, eu leio no Kindle. Mas, mesmo quando ele descarrega e eu leio no celular, eu sinto facilidade. Eu já li livros inteiros pelo celular e os eBooks ganharam o meu coração”, conta. Jordana ainda mantém uma coleção de livros dos seus autores favoritos, mas acredita que a sua vontade de comprar os exemplares físicos diminuiu.

Já para a professora Renata Farias, 23, o prazer da leitura vem através dos livros físicos. Segundo ela, que lê em média 40 livros por ano, a experiência de sentir as páginas dos livros e a sua textura ajudam a entrar na história. “Ao ler eBooks, costumo perder o foco na leitura com facilidade. No físico é mais fácil de sentir as emoções, que vão desde tristeza ao contentamento”. A professora também prefere o livro físico por motivos de segurança. “Eu consigo levá-lo a qualquer lugar em Fortaleza sem me preocupar com assalto”, relata. 

O futuro dos livros físicos

Batista de Lima. Foto: Ares Soares

De acordo com o professor universitário Batista de Lima, que também é escritor e colunista do jornal Diário do Nordeste, os livros físicos e os digitais andarão juntos, no futuro. “Quando surgiu o cinema, disseram que ele acabaria com o rádio, e hoje o cinema e o rádio funcionam ao mesmo tempo. Da mesma forma, disseram que a fotografia iria acabar com as artes plásticas, não acabou”, explica o escritor. 

Assim como a maioria dos brasileiros, o professor Batista também prefere os livros físicos. Ele acredita que a máquina não tem a mesma durabilidade de um livro. “Você pode cheirar o livro, ele possui um encantamento natural que o livro digital não tem. Todo livro que você coloca no computador fica igual, mas se você pegar dois livros físicos, você vê que eles são diferentes”, explica. Ele ainda defende que, no futuro, outras formas de ler um livro ainda surgirão,  como a leitura através de um chip. 

Batista define a destruição da Biblioteca de Alexandria (cidade no Egito) como um dos maiores desastres que já aconteceu na história que envolve livros. “Muitas coisas boas foram queimadas. É importante que nós possamos guardar os livros e os preservar”, aconselha. Há várias versões sobre a destruição da Biblioteca de Alexandria, a mais popular é a de que a biblioteca foi destruída por ordens de Amir ibne Alas, em 642, logo após a sua conquista sobre o Egito. 

 

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