Cresce o número de orgânicos no Ceará

por Sarah Viana

 

Com a causa ambiental sendo debatida pelo mundo inteiro através de protestos e aumento da conscientização da população, o Estado do Ceará tem se destacado na produção de alimentos orgânicos, produtos agrícolas que são produzidos naturalmente e não possuem agrotóxicos. Em um estudo feito até Setembro de 2019 pelo Governo Estadual, o número de registros de produtores orgânicos foi três vezes maior em relação ao ano de 2013, com 200 produtores cadastrados. 

De acordo com Secretário-Executivo da Comissão da Produção Orgânica no Estado do Ceará (CPOrg-CE), Adriano Custódio, existem cerca de de 1.100 agricultores orgânicos oficialmente registrados no estado – aproximadamente 5% do número de produtores no Brasil -, concentrados em alguns polos. “No principal local de produção de orgânicos no estado, a Região da Ibiapaba, há o predomínio de frutas e hortaliças;  no Sertão Central e no Cariri, há muitos produtores de mel, de hortaliças e frutas; na Região Metropolitana de Fortaleza, há cultivos de frutas e hortaliças, devendo-se destacar, ainda, a produção de castanha de caju em alguns projetos com integração de produtores”, comenta. 

Avião pulverizando agrotóxicos em plantação. Foto: Reprodução

Buscando fomentar essa causa ambiental, alguns projetos foram implementados durante os últimos anos, como a Lei Estadual Nº. 15.910/15, política pública que garante a obtenção de pelo menos 30% de alimentos oriundos da agricultura familiar pelo Governo do Ceará. Outra forma de garantir a sustentabilidade na produção agrícola cearense é a Lei “Zé Maria do Tomé” (Lei Nº 16.820/19), que proíbe a pulverização de agrotóxicos por meio de aeronaves. 

A produção orgânica beneficia não só a preservação do meio ambiente, também protege a saúde dos consumidores e agricultores, que não correm risco de intoxicação ou mesmo a morte. Os agricultores que cultivam orgânicos não utilizam agrotóxicos, apenas defensivos naturais, que não agridem o solo ou os rios próximos às áreas de produção.

Uma questão socioambiental

A defensora pública Gina Pontes, 43, começou a consumir produtos orgânicos faz um ano, e desde então, tem adquirido cestas de verduras produzidas por empresas locais. “Eu fiz a escolha por uma saúde própria e por uma saúde coletiva, que tem toda essa implicação com outras pessoas e com todo o meio ambiente”, comenta.  A conscientização ambiental sobre essa produção trouxe para dentro da sua casa a abertura para uma nova alimentação. 

Porém, o consumo de orgânicos no Ceará ainda possui alguns obstáculos, como a disponibilidade de produtos e variedades dentro dos supermercados. Gina argumenta que existe a incerteza de consumir produtos desses estabelecimentos, por ainda não conseguir confiar na certificação. “Hoje os supermercados oferecem alguns produtos específicos orgânicos, mas nem sempre eu tenho folhas de boa qualidade”, argumenta.

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