Passar no Enem é tudo?

Por Nataly Rodrigues

O que você quer ser quando crescer? Provavelmente, você já deve ter ouvido essa pergunta quando era criança. Para muitos, o Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) tem o significado de decisão do futuro, pois é a porta de entrada para universidades em todo o Brasil. Neste ano, o Enem acontece nos dias 3 e 10 de novembro e com isso o ânimo de muita gente está alterado. Loyola Costa, 23, sempre acreditou ser necessário cursar uma faculdade para se sentir realizado, sendo assim, já está inscrito no exame deste ano. Desde criança ouvia que, para ser alguém na vida, teria que fazer um curso superior.

Loyola Costa, 23 anos. Foto: Arquivo Pessoal.

Não é a primeira vez que ele faz a prova. Em 2014, Loyola ingressou no ensino superior e escolheu cursar Engenharia Civil. “Escolhi por impulso. [Com] a ideia de fazer um curso que eu pudesse ter um bom retorno monetário ao me formar. Além de ter o status de estudar Engenharia Civil, que é um curso valorizado”. Com a insatisfação pelo curso,  resolveu mudar após quatro anos. “Não é uma certeza, mas é uma escolha mais pensada”, afirma o estudante. 

Enem

O Enem foi criado em 1998 e é utilizada para avaliar a qualidade da educação do ensino médio no País. O resultado da prova serve para o acesso ao ensino superior nas universidades públicas, por meio do Sisu, e nas universidade privadas a partir das bolsas do Prouni e Fies.  Inicialmente a prova foi usada apenas para avaliar a qualidade da educação no Brasil, após a reestruturação, a partir de 2009, o exame foi utilizado como modalidade de acesso ao ensino superior. 

Neste ano, o Enem registrou mais de cinco milhões de inscrições, porém é o menor número de participantes dos últimos nove anos. Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), a quantidade de inscrições está diminuindo ao longo dos anos. Por exemplo, de 2016 para 2017, o total de registro despencou em 22%; em 2018, caiu 17,9%. Já do 2018 para 2019, a redução foi de 7%. De acordo com o órgão público, a justificativa para este declínio é o fato de haver menor número de matrículas no ensino médio. 

Evelyn Rute, 18 anos. Foto: Arquivo Pessoal

Evelyn Rute irá fazer o Enem pela primeira vez, como 47% dos participantes deste ano. “Não estou criando muitas expectativas, mas, no geral, são boas. Não será fácil, mas irei tentar superar todas as dificuldades”, conta a estudante, que deseja cursar Filosofia ou Psicologia.

Lygia Stefani, 23 anos. Foto: Arquivo Pessoal

Para Lygia Stefani, este Enem representa uma mudança de vida. A estudante, que realizou o exame em 2013 e se graduou no curso de Biotecnologia, este ano  pretende fazer novamente a prova para obter uma boa pontuação e conseguir ingressar no curso de Jornalismo. “Eu mudei meus gostos, conheci assuntos que são mais interessantes para mim. E as experiências que eu tive na faculdade de biotecnologia me deixaram mais madura para eu fazer essa escolha agora, por mais que sejam áreas completamente diferentes. Eu aprendi muito nesse quatro anos e meio de faculdade, convivi com muita gente diferente, obtive muito conhecimento e isso me fez amadurecer”.

A pressão social é constante. Estudar para se tornar alguém com valor, alguém reconhecido profissionalmente, por vezes, torna-se o objetivo principal do estudantes ao realizarem o Enem. Pela sua experiência de vida, Loyola acredita que este não seja de fato o objetivo para cursar o ensino superior. “Hoje eu diria que é preciso estudar, mas não para ser alguém na vida e, sim, para fazer a diferença no mundo. Buscar conhecimento para tentar fazer do mundo um lugar melhor”. 

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