Coletor menstrual possibilita autocuidado e sustentabilidade

  Por Viviane Ferreira

Mesmo estando no século XXI, tempos em que muitos tabus estão sendo quebrados, menstruação é um assunto que  ainda causa constrangimento e intimidação. Por esse motivo, ainda existem mulheres que sofrem com a pouca informação e conhecimento do próprio corpo. Porém, apesar dessa realidade, algumas já se sentem à vontade para falar sobre o tema. 

É o caso de Mariana Barroso e Thaís Bezerra, ambas estudantes da Universidade de Fortaleza (Unifor). Para elas, falar sobre menstruação é muito importante, pois sustentabilidade também é um tema que está ligado a essa pauta, já que atualmente as pessoas estão se preocupando cada vez mais com o meio-ambiente e criando novos estilos de vida com o objetivo de reduzir os impactos ambientais.

Para evitar danos ao meio ambiente, Mariana e Thaís são adeptas ao coletor menstrual, um copinho fabricado em silicone medicinal hipoalergênico, ou seja, não causa alergias. O coletor pode durar de 5 há 10 anos e só precisa ser trocado a cada 12h. Para saber mais a respeito do uso do coletor, o Jornalismo NIC entrevistou as estudantes para que pudessem compartilhar suas experiências e falar quais as vantagens de utilizar esse método.

Confira a entrevista abaixo:

JN: O que levou vocês a utilizarem o coletor menstrual foi apenas a questão da sustentabilidade? 

MB: No começo foi só a questão sustentável. Quando eu decidi que ia mudar, fui pesquisando e vi que tinha também a questão da saúde da mulher, por exemplo, o absorvente interno, ele suga muito mais do que  deveria, isso não acontece com o coletor. [Depois] fui percebendo as outras vantagens.

TB: Eu tinha colocado o DIU e fiquei com ele mais ou menos um ano. Com isso parei de menstruar, e eu já tinha lido bastante que a menstruação é o que nos une com o sagrado feminino e nunca tinha levado isso a sério. Eu realmente me senti desconectada de mim, antes mesmo de tirar o DIU eu comprei um absorvente de pano e o coletor menstrual. Como eu já era ativista da causa ambiental há muito tempo, isso era uma das poucas coisas que faltavam de hábitos meus para mudar em relação a ser sustentável.

JN: Como o uso do coletor pode ajudar na preservação do meio ambiente?

TB: Sempre que a gente for fazer alguma coisa, qualquer ação, você multiplica por 7 milhões, porque assim vamos ter um pouco de noção dos impactos ambientais que essas ações geram no planeta. Nós somos cíclicas, todo mês a gente tá menstruando, então usamos vários absorventes em cada ciclo. Quando você faz as contas ao longo da vida de uma mulher e multiplica pela quantidade de mulheres no mundo, da pra ter uma noção de quanto lixo a gente produz.

MB: O número de mulheres que tem no mundo, em comparação a um coletor que você vai usar de 5 há 10 anos, é um impacto ambiental muito grande, acho que esse é um dos pontos principais.

JN: Como foi a adaptação de vocês? Tiveram algum problema no ínicio?

MB: Tive muitos problemas no início, porque eu tinha a unha muito grande, então eu tinha muito medo de me machucar. Colocar era tranquilo, mas para tirar, na primeira vez foi ruim, eu não conseguia colocar a mão pra tirar, mas foi só nervosismo, é questão de prática.

TB: No início sim, mas têm várias formas de se utilizar o coletor. Quando você compra vem um livrinho  mostrando os métodos, os tipos de dobras que você pode fazer. Eu [até] comecei a usar óleo de coco para tentar ajudar a colocar.

JN: O que leva as garotas a não utilizarem o coletor?  Tabu ou apenas falta de informação?

MB: Acho que é metade e metade. Grande parte da população, principalmente as gerações mais antigas, elas não veem como opção porque acham nojento, não enxergam que isso é um benefício tanto pra mulher [quanto] pro meio- ambiente. A parte mais nova, elas não usam porque não conhecem. Quando comprei meu coletor, eu postei no instagram uma caixa de perguntas e tiveram várias meninas da minha idade perguntando, sem nem saber o que era. Então uma parte não usa por tabu e outra por falta de informação.

TB: Com certeza é o tabu, que na maioria das vezes é consequência da falta de informação. Percebo que muitas têm medo de colocá-lo ou que vaze, mas tudo é questão de prática.

JN: Vocês sentiram alguma diferença no corpo ao utilizarem o coletor?

MB: Eu nunca tive cólica, mas quando eu coloquei, por ser um objeto que nunca tinha ali, senti uma pressãozinha mas era muito leve, isso foi só nos primeiros dias. A sensação de liberdade é absurda. Eu tinha uma preocupação muito grande de dormir e conferir se o absorvente estava certo, porque tinha muito medo de vazar, lembro na primeira semana que usei o coletor eu me senti muito bem. 

TB: A única mudança que eu senti foi uma conexão maior comigo mesma. O coletor é tão bom que eu simplesmente esqueço quando estou menstruada.

JN: O que vocês diriam para as garotas que ainda não são adeptas ao uso do coletor?

MB: Eu acho que não só a questão do coletor,  qualquer coisa que você vá fazer em prol do meio-ambiente é questão de informação. Se você for atrás do coletor, ou de qualquer coisa que vá nessa vertente, você vai ver benefícios tanto na questão financeira, saúde e bem-estar da mulher. É importante elas se informarem.

TB: Muitas vezes são utilizados componentes químicos que não são apropriados para o nosso consumo. Acho que o absorvente entra muito nisso, não sabemos qual a procedência do algodão, ele pode conter toxinas. Se a gente for pensar a curto prazo, o  pacote de absorvente é mais barato do que um coletor, mas ao longo prazo, as mulheres gastam de 6.000 a 10.000 reais ao longo da vida com eles, enquanto um coletor custa em média 80 reais e dura até 10 anos. Coletor é autocuidado, é se conectar consigo mesma e com a natureza.

Infográfico: Halleyxon Augusto

Enquete

O Jornalismo NIC saiu pelo campus da Universidade de Fortaleza (Unifor), falando com  algumas garotas sobre o uso do coletor menstrual. Todas que responderam a nossa enquete disseram  não ser adeptas, porém, a maioria relatou que seria uma opção utilizá-lo e que sentiam falta de mais informação a respeito do tema.

Confira: 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

css.php