“Falta ao brasileiro conhecer sua própria história”

Por Viviane Ferreira e Nataly Rodrigues

O Mundo Unifor recebeu a filósofa e escritora Djamila Ribeiro para ministrar uma palestra, que teve como tema “Ética & Narrativas em um mundo em Transformação”. De acordo com a organização do evento, mais de duas mil pessoas compareceram ao evento, preenchendo todos os assentos. Muitos optaram ainda por assistirem a palestra em pé e até sentados ao redor do palco para assisti-la.

De acordo com a organização do evento, mais de duas mil pessoas compareceram ao evento. Foto: Ares Soares

Djamila relatou para o público  questões sociais que continuam sendo pautas de debates na contemporaneidade, utilizando como exemplo, suas duas obras publicadas:  “O que é Lugar de Fala” , publicado em 2017, e “Quem tem Medo do Feminismo Negro”, lançado em 2018. Suas obras abordam problemas como o racismo e questionamentos a respeito da forma como a sociedade se posiciona politicamente.

“Lugar de fala não é um espaço de quem pode ou não falar, mas sim,  de que falamos de lugares distintos”, afirmou Djamila em sua palestra. Para ela, é importante que as pessoas se informem e entendam cada vez mais o contexto histórico que reflete os tempos atuais, pois assim,podem começar a repensar e enxergar as desigualdades existentes.

“Quando a gente pensa lugar de fala de uma postura ética, é justamente no sentido de entender de qual lugar a gente parte, quais são as consequências de pertencer a esse determinado lugar e, se ele for um lugar de privilégio, entender como que desse lugar você pode impactar positivamente em outros lugares e não naturalizar esse seu lugar”, explicou a autora. A filósofa ainda reforçou a necessidade de debater sobre temáticas sociais, mas reconhecendo seus diferentes lugares de pertencimento. 

Beatriz Irineu, estudante de Jornalismo. Foto: Arquivo Pessoal

No decorrer da palestra, a filósofa fez referências aos inúmeros autores negros como, Abdias do Nascimento – autor brasileiro, grande nome do movimento negro no Brasil – e também autoras mulheres como, Simone Beauvoir – filósofa francesa, uma das principais precursora do movimento feminista. Djamila indagou a respeito do conhecimento fundamentado no Brasil. “Como num país como o nosso o saber legitimado é somente o saber do norte global, ou do homem branco europeu.”

Para a estudante de jornalismo, Beatriz Irineu, estar  presente escutando a filósofa foi uma experiência enriquecedora e inesquecível. “A palestra da Djamila Ribeiro foi a melhor coisa do Mundo Unifor até agora. Foi uma honra poder entender mais sobre local de fala e sobre feminismo negro. Senti arrepios em diversas falas da autora e pude vivenciar isso com vários amigos. Já li ‘Quem tem medo do feminismo negro’ e não vejo a hora de ler ‘Lugar de fala’, afirma.

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