Abuso sexual de crianças é tema de debate

Por Alan Melo

 

A pedofilia é considerada uma doença, segundo a Organização Mundial da Saúde, e está presente em todas as sociedades. No Ceará, os números são assustadores. Em 2018, registros da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) apontaram  três casos de violência sexual contra crianças e adolescentes por dia no estado, totalizando mais de 1400 casos no ano, onde a maioria acontecem em Fortaleza. 

Tendo como base essa realidade, o Mundo Unifor promoveu, através do III Colóquio Justiça em Quadrinhos e Filosofia do Direito, a palestra “Pedofilia: abuso sexual de crianças e adolescentes na cidade de Fortaleza”, na manhã desta quinta-feira (16).

A palestra, ministrada pela professora e delegada Yasmin Ximenes, baseou-se no procedimento de identificação se a criança sofreu alguma violência sexual e como proceder corretamente se houver comprovação da agressão, de acordo com as orientações da Polícia Civil. 

Processo de identificação (sinais)

  • Manifestações físicas incompatíveis com a idade da vítima (exemplo: lesões ou sangramentos na área vaginal/anal);
  • Contaminação por doença sexualmente transmissível;
  • Gravidez precoce ou aborto;
  • Curiosidade sexual excessiva;
  • Medo ou pânico com relação a uma determinada pessoa;
  • Aversão ao contato físico;
  • Relutância em voltar para casa ;
  • Problemas escolares;
  • Marcas de hematomas no corpo;
  • Comportamentos autodestrutivos;
  • Conhecimento sexual inapropriado para a idade.

O que fazer após comprovação de violência sexual

  • Manter a calma e acolher a vítima para protegê-la;
  • Buscar ajuda de um profissional antes de agir;
  • Evitar questionar com a criança sobre os fatos. Ela deve ser ouvida por um profissional capacitado;
  • Evitar contato entre a vítima e o agressor;
  • Dirigir-se até uma unidade de saúde;
  • Buscar a Delegacia de polícia mais próxima e registrar o depoimento.

Outros dois pontos enfatizados por Yasmin foram a questão do gênero e o padrão dos que cometem violência sexual. Segundo a palestrante, o gênero feminino sofre mais em relação aos assédios. “Os números provam que a maioria absoluta dos casos de pedofilia são contra as meninas, mais de 75%, apesar de achar que muitos dos casos contra os meninos são abafados por questões sociais”, explicou.  

Para a palestrante, o padrão dos pedófilos é bem diferente do que a sociedade pensa. “A maior parte dos violadores são homens heterossexuais casados, com um passado impecável. Não são o estereótipo que a sociedade pensa. São verdadeiros lobos com pele de cordeiro”, afirmou. 

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