Um em cada dez brasileiros acredita que o professor não é respeitado na sala de aula

Por Clariana Matias

 

O dia 15 de outubro é celebrado anualmente, no Brasil, como o Dia do Professor. Essa data foi oficializada como feriado escolar pelo Decreto Federal nº 52.682, de 14 de outubro de 1963. Porém, o dia 15 de outubro passou a ser importante muito antes disso. Em 1827, o imperador do Brasil, Dom Pedro I decretou uma lei que seria responsável pela criação do Ensino Elementar no Brasil – a Escola de Primeiras Letras – e que todas as cidades deveriam ter suas escolas de primeiro grau.

Apesar da importância desse dia, nem todos os professores têm o reconhecimento que esperam. A Varkey Foundation, entidade dedicada à melhoria da educação mundial, divulgou, em 2018, o resultado do ranking de prestígio dos docentes. A pesquisa, realizada em 35 países, mostrou como os cidadãos de cada país veem seus professores. O Brasil ficou em último lugar, onde apenas um em cada dez brasileiros acha que o professor é respeitado em sala de aula. 

Outros países

Sendo a número um do ranking, a China é o país onde os professores mais tem status, que pode ser comparado até mesmo com o status de um médico. De acordo com o levantamento, fenômeno semelhante também acontece na Rússia e na Malásia. A diretora da escola de ensino fundamental localizada em Caucaia, EEIEF 7 de Setembro, e ex professora, Aurisélia Pereira, 42, acredita que os baixos salários destinados a profissionais da educação contribuem para que os brasileiros não valorizem os professores. 

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) pesquisou os salários iniciais e os salários recebidos por professores no topo da carreira em 48 países. Em dólar, um professor de educação infantil, fundamental e médio recebe, por ano, no Brasil, cerca de US$ 13.971. O salário de um professor que está no auge de sua carreira não foi informado. A relação dos quatro países onde os professores de ensino médio mais bem pagos ficou assim:

Infográfico: Rafaela Alves

Desabafos

Professora de Direito Nathalie Cândido. Créditos: Fotonic

A professora do curso de Direito da Universidade de Fortaleza, Nathalie Cândido, lamenta a falta de valorização do professor. Ela conta que vem de uma família de professores e se orgulha de estar contribuindo para a formação do país. “Nenhum profissional, seja qual for a sua área, consegue se formar sem passar por professores, desde a educação básica até se formar na universidade. É decepcionante quando nós percebemos que não temos essa valorização”, explica. 

Apesar de se sentir privilegiada por lecionar em uma universidade particular, Nathalie Cândido conta a experiência pela qual passou, diante do seu sobrinho de nove anos. “Ele me disse que a sua mãe é advogada e defende as pessoas que vão para a cadeia, que a outra tia dele é dentista e cuida dos dentes das pessoas. E, então, ele me perguntou o que eu faço e eu respondi que sou professora. Ele disse ‘ah, então você não faz nada, você só dá aula?’ Então, se a gente não começar a ensinar as nossas crianças a valorizarem os professores, nós teremos uma história de descaso”, desabafa. 

Professora de Moda Giovana Cadilhac. Créditos: Fotonic

A professora do curso de Design de Moda, Giovana Cadilhac, 39, também se sente privilegiada, mas enfatiza que algumas categorias, como os professores de escolas públicas, são os que mais sofrem com a falta de valorização. “A gente tem uma divisão grande. Por estar em uma universidade particular e lidar com pessoas adultas, acaba sendo um público mais fácil de lidar. Mas a situação toda é triste, alguns professores enfrentam distâncias imensas para chegar ao trabalho, lidam com situações sociais muito tensas e situações financeiras também”, diz.

Luiza Madeira, 53, é professora de educação infantil na rede pública de ensino e acredita que a educação sempre é deixada em segundo plano. A professora, que leciona há quinze anos, lembra um acontecimento quando fazia compras e uma atendente lhe perguntou a profissão. “Eu respondi que era professora e a atendente me olhou de uma forma que eu não gostei.  Disse que eu, realmente, tinha cara de professora. Eu reafirmei a minha profissão e disse que eu sou professora por opção e amo o que faço”. 

A diretora Aurisélia Pereira revela que se sente triste em relação a esse atual cenário da educação.  “Como educadora, é lamentável ver como o seu país enxerga a imagem do professor como se fosse uma profissão pequena e sem valor”, desabafa. Apesar de tudo, Aurisélia diz que não se sente desacreditada. “Tudo o que acreditamos que possa ser o mais transformador para o nosso país só virá por meio de uma educação eficaz”, sentencia. 

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