Perspectivas e vivências de um surdo na sociedade

Por Viviane Ferreira

Você já imaginou viver num mundo em total silêncio? Sem escutar o som do mar, dos pássaros, dos carros, e até mesmo, da própria voz? Talvez essa não seja a realidade de muitos, mas, ela existe. Conhecer de perto a vida das pessoas que vivem essa situação pode despertar um novo olhar sobre a vida, e até mesmo, curiosidades.  Para saber mais a respeito da comunidade surda, o Jornalismo NIC entrevistou o professor de libras da Universidade de Fortaleza (Unifor), Márcio Machado para conhecer suas vivências como surdo, e quais são as suas opiniões a respeito da inclusão do surdo na sociedade atualmente. 

Confira a entrevista abaixo:                

JN: Professor, você considera que atualmente há um maior interesse dos estudantes por Libras? A que se deveria isso? 

MM: Eu concordo que há um aumento do interesse dos alunos, tanto na disciplina presencial, como na disciplina NEAD (Núcleo de educação à distância). As salas estão bastante cheias, sempre chega ao limite de vagas. O maior foco deles é poder se comunicar com o surdo numa comunicação básica, independente da área de cada um, ser cliente ou paciente. Eles não querem prejudicar o surdo só pela falta de comunicação, por isso eu acho que teve uma melhoria. Eu fiquei muito feliz que está tendo um aumento de interesses dos alunos da Unifor.

JN: Qual a sua opinião a respeito da lei que torna o ensino da libras obrigatório nas escolas?

MM:  Todos falam que no Brasil inteiro há uma preocupação, que já vem há muito tempo, de iniciar esse ensino bilíngue nas escolas, mas a maior preocupação seria nos distritos. Aqui no Ceará mesmo, ou em todo Brasil, esses municípios que são longe das cidades, é difícil de encontrar uma escola, inclusive para que o surdo possa ter acesso. Mas eu realmente torço para que a lei seja aprovada. Nas capitais dos estados é bastante consolidada a comunidade surda, mas a gente sabe que nos interiores, é bem mais escassos, a comunidade surda não é consolidada e essa luta tem que prevalecer. 

JN: Atualmente a comunidade surda está tendo mais visibilidade e espaço social?

MM: A comunidade surda tem algumas associações que ajudam nessa divulgação do curso de libras, as pessoas recebem essas informações e se tem interesse, acabam buscando por isso. Aqui na disciplina de libras, os alunos acabam entrando sem ter o conhecimento desse espaço lá fora, mas eles aproveitam esse momento para buscar outras informações lá  fora e acabam complementando o interesse das pessoas que querem se aprofundar e conhecer mais sobre a cultura surda.

JN: Em relação ao mercado de trabalho,as empresas estão se adequando melhor para contratar pessoas surdas?

MM: Acredito que sim. Já percebi muitas pessoas olhando, tendo essa visibilidade para pessoas com deficiência no geral, até por conta da cota de 5%, que é obrigatória nas empresas que  5% dos funcionários sejam deficientes, e o surdo está incluso.

JN: Qual a maior dificuldade que você ainda encontra no seu cotidiano ?MM: Pra mim, a dificuldade que eu encontro é no meu prédio, ainda na questão da comunicação. É limitada a comunicação com o porteiro, não temos ainda estratégias ou tecnologias desenvolvidas para que possa ter essa comunicação. Restaurantes ou em filas de banco que tem acessibilidade, a gente ainda consegue se comunicar, mas um prédio como é distante do meu andar para a portaria, fica muito diferente, poderia colocar alguma câmera que pudessem me avisar se chegou alguma pessoa ou correspondência. No banco não consigo fazer uma solicitação sozinho, sem um intérprete, e ainda assim, eles não conseguem fazer uma solicitação minha porque eles informam que precisam ser o titular da linha falando ao telefone.

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