Relacionamento Abusivo: um assunto que você precisa entender

Por Marcelo Teixeira

O relacionamento abusivo muitas vezes começa de forma sutil e afeta a capacidade da vítima de reconhecer a situação violenta. É a relação que machuca, que fere, emocional ou fisicamente e nela  predomina o excesso do poder sobre o outro, o desejo de controlar o parceiro, “tê-lo para si”. A pessoa fica presa em um vínculo danoso e destrutivo. 

Renata Rocha, 40, é  doutora em Psicologia pela Universidade Autónoma de Lisboa, Portugal.  Ela explica algumas características importantes para se identificar esse tipo de relação. “Uma pessoa está em um relacionamento abusivo quando sente, com frequência, medo, constrangimento ou insegurança, diante de outra pessoa com quem vive uma relação afetiva importante e íntima. Comumente, o medo de contrariar o outro é tão grande que a pessoa se distancia de ‘si mesmo’, a grosso modo, deixa de ser ‘quem é’, para garantir a manutenção do relacionamento”.

A psicóloga cita alguns casos e soluções para que haja um aprimoramento da relação quando esta se torna abusiva. “Alguns relacionamentos deste tipo envolvem relações que dificilmente podem ser terminadas. É o caso da alienação parental, onde [por exemplo] uma criança é pressionada pela mãe para não amar ou odiar o pai que deixou a família. Outro caso complexo, seria de uma amizade longa e afetiva entre pessoas que trabalham juntas, sendo que uma delas ‘não permite’ outros vínculos afetivos da outra no ambiente de trabalho e para evitar isso, fragiliza a autoestima ou manipula suas emoções”. Nesses casos, como também no caso das relações de casais, o diálogo é um recurso fundamental para evitar conflitos destrutivos, mas ela ressalta que “é importante dizer que nem todo conflito é negativo. Ele pode ser construtivo e trazer grande crescimento para o relacionamento”. 

Este tipo de relação pode  acontecer em qualquer relacionamento, seja amizade, família, trabalho. No infográfico a seguir o Jornalismo NIC trouxe alguns sinais que correspondem a uma relação abusiva, aprenda a reconhecê-los.

Infográfico: Halleyxon Augusto

Um caminho para buscar o diálogo é, inicialmente, entrar em contato com a sua dor para, em seguida, exercitar a escuta da dor do outro. “Criar situações que favoreçam uma escuta autêntica, sem pressa ou interrupção é fundamental. Se a outra pessoa não costuma fazê-lo, é possível tentar ensiná-la, oferecendo o seu ato de escuta como exemplo”. Visto que as relações afetivas e sociais são essenciais para o ser humano. Anomalias podem desencadear problemas, disfuncionalidades nos relacionamentos podem provocar sofrimento intenso e provocar psicopatologias como depressão, ansiedade, transtornos do comportamento alimentar, dismorfia corporal, dentre outros quadros que podem evoluir para doenças crônicas ou agudas, de difícil manejo. 

Alguém que sai de um relacionamento abusivo deixa para trás o impedimento da livre experiência dos afetos, inclusive do amor próprio. A Psicóloga orienta uma série de ações para que uma pessoa possa se reconstruir emocionalmente ou psicologicamente após sofrer esse tipo de relação. “Resgatar tudo o que foi perdido na relação, como os hobbies que teve que abandonar, os grupos sociais dos quais se distanciou, as amizades calorosas que esfriaram e rever aquela pessoa ou aquele lugar que foi impedida de visitar por insegurança ou medo, pode ser um bom começo para a reconstrução de si”. 

Infográfico: Halleyxon Augusto

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