O futebol entra na luta contra a homofobia

 Por Roger Holanda 

                                                                                             

 

Ao ir a uma partida de futebol, você pode se deparar com os cantos das torcidas que fazem apologia à homofobia como, por exemplo, “a tuf é gay”. No entanto, agora a lei aprovada pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva ( STJD), aprovada em 13 de junho deste ano, enquadrada no artigo 243-G do código disciplinar esportivo, determina que as torcidas dos clubes que insultarem seus adversários com gritos homofóbicos serão punidos com pagamento de multa e a perda de três pontos no campeonato brasileiro. 

A decisão foi tomada pelo STJD ainda na Copa América – que aconteceu entre  14 de junho e 7 de julho – pois, durante a partida entre Brasil e Bolívia, quando o goleiro boliviano Carlos Lampe ia cobrar o tiro de meta, a torcida gritava “bicha”, apontando-o como homossexual. Essas atitudes já vêm de uma cultura que não só se instaurou nos estádios pelo Brasil como na sociedade em geral, pois é muito comum casos de homofobia no nosso dia a dia. 

A partida entre os clubes Vasco e São Paulo foi a primeira no País a ser paralizada por conta de gritos homofóbicos. A decisão foi tomada pelo árbitro Anderson Daronco, que relatou em sua súmula. Segundo informações do site Globoesporte.com “a partida foi paralisada para informar ao delegado do jogo e aos capitães de ambas as equipes a necessidade de não acontecer novamente e para informar no sistema de som do estádio o pedido para que os torcedores não gritassem mais palavras homofóbicas” .

Campanha do Ceará Sporting Clube contra a homofobia nos estádios. Foto: Reprodução

Logo após essa decisão, os clubes cearenses – Fortaleza Esporte Clube e Ceará Sporting Club – se pronunciaram a respeito e lançaram uma campanha de conscientização, em conjunto com todos os clubes brasileiros, para seus torcedores com o seguinte slogan: “pior que prejudicar o seu time é cometer um crime, grito homofóbico não é piada muito menos cântico de torcida”. 

Entramos em contato com as assessorias dos clubes cearenses e com o árbitro responsável pela primeira paralisação de um jogo por conta dos gritos homofóbicos, Anderson Daronco, mas a resposta que obtivemos é que eles não poderiam  mais se pronunciar sobre o assunto. O Fortaleza Esporte Clube foi o primeiro do Estado a se posicionar, lançando um vídeo para conscientizar sua torcida.

Em uma enquete realizada em uma rede social, obteve-se um resultado em que 86% das pessoas que responderam à pesquisa concordam com a lei. Porém, numa análise rápida dos comentários em uma publicação em redes sociais dos times, é perceptível que muitos torcedores ainda não aceitaram muito bem a lei pois ainda é possível encontrar facilmente comentários como “é muita frescura” e “ tão querendo estragar o futebol”. 

Veja o vídeo de conscientização publicado pelo Fortaleza abaixo:

 

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