Mudança alimentar exige orientação profissional

Por Gabriela Barroso

Com o aumento da expectativa de vida, as pessoas vêm buscando adotar uma alimentação mais saudável para dispor de mais energia durante a correria diária. O vegetarianismo é uma das modalidades de alimentação que mais tem crescido entre a população brasileira. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (IBOPE), o número de vegetarianos quase dobrou em 6 anos e chega a 29 milhões de pessoas no Brasil.

Normalmente, quem adota esse estilo de vida é contra os maltratos de animais, é alérgico à proteína da carne, sua religião não permite ou simplesmente procura uma alimentação mais saudável. Os benefícios de uma dieta vegetariana são os baixos níveis de colesterol sanguíneo e maiores níveis de nutrientes antioxidantes e fibras, prevenindo assim muitas doenças, como as cardiovasculares. 

Entretanto, independente do estilo alimentar de cada pessoa, é preciso ter uma orientação especializada. Segundo o nutricionista, Roberto Duarte,25, anos, mestrando em patologia pela Universidade Federal de Fortaleza, a necessidade de ir a um profissional da nutrição é muito importante, pois ele vai esclarecer quais são os tipos de dietas que existem e qual é a recomendável para cada um. Além disso, irá criar receitas próprias para cada paciente, dar dicas como começar a dieta e mostrar os mitos e as verdades sobre tal alimentação. Na dieta vegetariana, por exemplo, o organismo pode ter deficiência de alguns nutrientes, como a vitamina B12 e a vitamina D, suplementos nesse caso serão indicados pelo nutricionista, para o seu paciente. É mito dizer que o nutriente ferro não é encontrado na dieta vegetariana, pois existe o ferro vegetal encontrado em leguminosas, castanhas, frutas secas.

Outro motivo que tem levado algumas pessoas a mudar seu sistema alimentar está relacionado aos agrotóxicos. De acordo com o nutricionista Roberto Duarte, os benefícios que estão nas frutas e nos vegetais superam os malefícios dos agrotóxicos. É importante sempre estimular o consumo de frutas e vegetais, e procurar por uma versão orgânica de algum produtor local, mas na medida do possível e do praticável. Animais também possuem agrotóxicos e pesticidas, pois muitos estão presentes em nas suas rações. 

Infográfico: Rafaela Alves

Depoimentos

Lorena Girão, 20 anos, estudante de Nutrição

Lorena Girão, estudante de Nutrição. Foto: Arquivo Pessoal

Ela começou a mudar a sua alimentação a 10 meses e afirma que foi difícil no começo, principalmente quando se refere na substituição de proteínas. Usou a tática de ir aos poucos, parando de se alimentar de carne e alimentos derivados do leite. Tudo isso levou tempo para o seu corpo se acostumar e se adaptar.

O que a manteve decidida nessa mudança alimentar foram as imagens do sofrimento e abates dos animais. “Lembrei em especial que eles também têm sentimentos. O filme Okja, da Netflix, propõe sobre o apego do animal ao seu dono e isso estava direto na minha mente.”

Uma das dificuldades encontrada pela estudante foi que ainda é limitado as opções de comidas vegetarianas. “Hoje em dia, vejo um grande crescimento desse tipo de culinária, porém não tanto quanto esperado. Observo casos de hambúrgueres vegetarianos, porém dificilmente vejo um milkshake de leite vegetal ou mesmo uma sobremesa sem derivados do leite.” Apesar das dificuldades, Lorena não pensa em ser carnívora de novo, só se for um caso de extrema necessidade.

Bárbara Guerra, 20 anos, estudante de Veterinária

Barbara Guerra, estudante de Veterinária. Foto: Arquivo Pessoal

Tornou-se vegetariana do tipo ovolacto, há nove meses. “O movimento [do vegetarianismo] além de ser muito bonito ele aborda questões fundamentais de preservação ambiental, questões morais e até mesmo espiritual”, explica a estudante .

No início, Bárbara passou por dificuldades, como tirar carne branca de sua alimentação, muitas vezes chegou a cair em tentação e se sentia muito mal com isso, mas com a ajuda da sua mãe, que também tornou-se vegetariana, tudo ficou mais fácil. “Eu foquei em ficar levando alimentação de casa para não cair em tentação”, conta. 

“Atualmente sinto dificuldade para almoçar fora, principalmente, em shopping onde as opções que encontro são sempre em fastfood e eu, particularmente, não gosto de comida vegetariana industrializada. Muita gente não sabe, mas depois de um tempo sem comer nosso corpo meio que rejeita derivados de animais, por mas que eu queira comer uma vez ou outra, eu lembro do quanto passo mal e desisto”, conta a estudante.

Letícia Vale, 18 anos

Letícia Vale. Foto: Arquivo Pessoal

Foi por causa do fim de namoro que surgiu a motivação para se tornar vegetariana. Segundo Letícia, ficou com vontade de fazer coisas que nunca tinha feito antes. 

Ela teve a ajuda de uma amiga vegetariana, que passou umas dicas e conversavam sobre o assunto. O seu único problema era não ter apoio dentro de casa, tornando assim o processo mais difícil. “Eu me sentia muito bem, porque eu gosto dos animais, então ficava feliz por não comer e também pela sensação de fazer algo diferente que contribuísse em uma boa causa”, diz.

Infografia: Júlia Moura

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