Pressão na vida acadêmica pode afetar saúde de universitários

 

Por Marcelo Teixeira 

As exigências e demandas da vida universitária exigem do estudante, desde o seu ingresso na instituição, habilidades cognitivas e controle emocional elevados para dar conta de todas as demandas. Em função disso, alguns alunos acabam adquirindo problemas psicológicos. De acordo com informações divulgadas pelo site G1, uma pesquisa realizada pela psicóloga Karen Graner, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), o sofrimento psíquico aflige 30% dos estudantes brasileiros. Já em escala global, esse número sobe para 49,1%, ou seja, a cada dois universitários, um não está com uma boa saúde mental. 

Mayara Almeida, graduando do curso de Redes de Computadores

A universitária Mayara Almeida, 18, egressa do curso de Redes de Computadores, conta que sente a pressão do ambiente universitário, mas nunca procurou por apoio. “A época que eu me sinto mais sob pressão são nos períodos de provas e final do semestre, porque o ritmo de trabalhos se intensifica e, com isso, vem toda a preocupação por alcançar bons resultados”.

Psicólogos especializados no tema afirmam que, em grande parte, jovens que buscam atendimento psicológico, atualmente, o fazem durante o seu período em universidades e pós-graduação. São apontadas como causas determinantes para este cenário, comportamentos abusivos que são prejudiciais para a saúde mental, a excessiva cobrança por resultados, mercado de trabalho competitivo e a pressão para produzir conteúdo e carreira de sucesso.

A psicóloga Letícia Bessa, 40, mestre em Psicologia pela Universidade Federal do Ceará, cita outros fatores que podem desencadear o sofrimento mental no universitário. “Desde a chegada, nós percebemos que existe uma série de aspectos que atravessam a vida do estudante, que, dependendo de como ele vive e de como ele encontra isso em cada instituição, pode ser mobilizador de sofrimentos psíquicos. Um estudante muito provavelmente chega num espaço de educação superior sem conhecer as pessoas, ele chega com seus vínculos geralmente rompidos, às vezes com a escola e até mesmo com a família. Vínculos de afeto, de apoio. O fato de ele chegar sem conhecer ninguém já é causador de sofrimento, mas isso não é uma verdade absoluta para todas as pessoas. As pessoas são singulares, elas têm suas experiências individuais”. 

Ela salienta a importância de haver uma reciprocidade de relações entre o aluno e a universidade, que ele saiba que um irá complementar o outro. “Outro aspecto que eu considero importante, é se esse aluno se sente podendo habitar aquele lugar, se ele percebe que pertence aquele lugar e que aquele lugar pertence a ele. Se ele sente que ele constrói aquele lugar e aquele lugar o constrói”, explica. Veja no infográfico abaixo, algumas perguntas que os estudantes universitários podem se fazer para perceber se sua saúde mental está abalada, segundo a psicóloga.  

Uma solução para esta problemática é uma conciliação entre algo mais amenizador e até um encaminhamento especializado. “Nós temos que pensar de uma forma remediativa, porque quando o sofrimento já está presente, a gente precisa criar ações que deem conta, que escutem esse sofrimento, que deem um encaminhamento a esse sofrimento”, explica a psicóloga. 

Programa de Apoio 

A Universidade de Fortaleza (Unifor) dispõe do Programa de Apoio Psicopedagógico (PAP) para auxiliar estudantes que enfrentam problemas relacionados a essa dificuldade de adaptação com os afazeres universitários. Ele presta serviços tanto de Psicologia quanto Psicopedagógico aos alunos de todos os centros da universidade.

Viviane Parente, psicóloga do Programa de Apoio Psicopedagógico

Segundo Viviane Parente, 35, psicóloga do PAP,  são realizados alguns encontros para auxiliar os universitários. “Nós fazemos uma triagem, normalmente entre três e cinco encontros para acolher essa demanda de sofrimento. Caso o problema persista, nós orientamos e encaminhamos essa pessoa para um serviço mais adequado, seja de psicoterapia ou psiquiatria”, explica. 

A psicóloga cita que os casos de atendimentos com maior frequência são em questão de dúvidas quanto ao curso, medo de avaliações, estresse, ansiedade e questões familiares. Também há um período específico que ocorre um aumento da procura por esse serviço e acaba tendo uma relação com o Setembro Amarelo. “Essa semana e a próxima são de provas, surgem mais urgências, questões que envolvem tanto as disciplinas do curso como a questão da vida pessoal. O mês de setembro evoca muito o sentimento nas pessoas”.  

O programa também oferece projetos como o Florescer e o (Pré)tensão, para a comunidade acadêmica. “A vida não é só estudar, tem que ter um momento de atividade física, descanso, vivenciar o campus de outras maneiras. [O campus] não está apenas vinculado ao estudo”, são as dicas da psicóloga para manter tanto o emocional quanto o psicológico saudáveis.  

 

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