Surto de sarampo no Brasil: o que fazer para prevenir e a situação da doença no Ceará

Por Marcos Viana

O sarampo voltou a aparecer no Ceará, depois de ser considerado erradicado em setembro de 2015. O estado recebeu em 2016 o certificado internacional de erradicação da doença, depois que a cobertura vacinal atingiu a marca de 100%. Após quatro anos, a ameaça de um surto da doença no país deixa os agentes de saúde locais em alerta. Somente este mês, foram registrados três casos suspeitos. Os pacientes foram isolados em unidades de saúde em Fortaleza para evitar possíveis contágios.

A médica Fernanda Colares, 39, professora do curso de Medicina da Universidade de Fortaleza (Unifor), afirma que o cenário no Ceará é de prevenção. “A nossa situação aqui no estado é estável. Até a última nota técnica divulgada pela Secretaria de Saúde do Estado do Ceará (Sesa), não tínhamos nenhum caso comprovado. Os principais casos confirmados são em São Paulo”, conta. A última estatística foi divulgada no dia 13 de setembro.

Infográfico com os casos confirmados de sarampo no Brasil. Infográfico: Halleyxon Augusto

A enfermeira e assessora técnica da Secretaria de Saúde (Sesa), Pamella Vasconcelos, 30, conta que estamos com um quadro bastante preocupante no Brasil atualmente. “Existem 16 estados que encontram-se com surto ativo de sarampo. Por ser uma doença altamente contagiosa e somado ao grande fluxo de pessoas entre os estados, o sarampo pode facilmente se espalhar, inclusive por locais onde a doença já havia sido eliminada”, diz ela.

Enfermeira e assessora técnica da Secretaria de Saúde (Sesa), Pamella Vasconcelos. Foto: Marcos Viana

Com essa alta mobilidade interurbana, a necessidade da prevenção precoce de possíveis casos é indispensável, pois a transmissão ocorre a partir de secreções nasofaríngeas (gotículas que são lançadas no ar). “O ato de tossir, espirrar, falar ou mesmo respirar próximo de alguém, pode transmitir a doença. Pessoas com histórico de viagens a locais onde está havendo a circulação do vírus, podem ter tido contato e qualquer sintoma grave deve ser comunicado à rede de saúde em até 24 horas, para passar por uma avaliação médica”, alerta Pamella.

O que é sarampo?

É uma doença infecciosa causada por um vírus e que pode ser fatal. Esta patologia grave pode acometer crianças e adultos e os principais sintomas são o surgimento de exantemas (manchas vermelhas), conjuntivite, febre, tosse persistente e coriza. Nas crianças, a suspeita de sarampo se dá principalmente pelo diagnóstico da conjuntivite.

Maria Liberato Silva, 64, conta que teve sarampo na infância. “Lembro que tive muita febre, dores de cabeça, fiquei com o corpo cheio de manchas vermelhas e sentia muita coceira. Fiquei com a garganta inflamada por vários dias e sem apetite para comer. Na época, em 1968, ainda não existia a vacina para sarampo, então, todos lá em casa pegaram a doença”, relembra.

Prevenção

Médica Fernanda Colares, professora do curso de Medicina da Universidade de Fortaleza. Foto: Isadora Linhares

O sarampo é uma doença prevenível pela vacinação. “Os indivíduos suscetíveis a pegar a doença são aqueles que não foram vacinados. Isso é muito importante dizer, pois muitas pessoas são contra as vacinas e o não seguimento das campanhas é o que faz com que esse tipo de doença possa voltar a aparecer. A vacina é muito importante e é a medida mais eficaz”, adverte a médica Fernanda Colares. Uma outra forma de prevenção é manter as mãos limpas, lavando-as sempre que possível.

A vacinação consiste em duas doses, que se inicia a partir dos 12 meses de idade com a tríplice viral (que protege do sarampo, caxumba e rubéola), com 1 ano e 3 meses é feita a segunda dose com a vacina tetra viral (que imuniza também contra a catapora). Pessoas entre 15 a 29 anos devem comprovar duas doses da vacina e entre 30 a 49 anos, comprovar uma dose. Profissionais de saúde devem obrigatoriamente comprovar duas doses independente da idade.

 

Serviço

Vacinação nos postos de saúde de Fortaleza, confira no link o posto mais próximo. Horário: segunda a sexta, de 7h às 19h.

Vacinação no NAMI – Núcleo de Atenção Médica Integrada

Rua Desembargador Floriano Benevides, 221, Edson Queiroz

Ao lado do Fórum Clóvis Beviláqua

Horários: segunda a sexta, de 8h às 11h e de 13h às 16h30

Telefone: (85) 3477-3611

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