Digital influencer pode afetar a saúde de produtor e usuário

Ariadna Medeiros 

As tecnologias trouxeram uma vida de imediatismos e informações constantes aos nossos olhos, modificando nosso cotidiano e até mesmo o nosso desenvolvimento. Hoje, qualquer um pode ter o mundo na palma da mão, basta ter um smartphone com acesso às redes de internet. Esse mundo de informação veloz trouxe tanto benefícios quanto malefícios. Os influenciadores digitais são pessoas que diariamente postam coisas do seu dia a dia e muitos ganham dinheiro com isso, e possuem grande número de seguidores. 

Elias Candéa, estudande de Psicologia. Foto: Clara de Carvalho

Elias Candéa, 31, estudante do último semestre de Psicologia, explica como as redes sociais e a necessidade de ser aceito pelo outro, ou de pertencer a determinados grupos, têm causado problemas psicológicos nos jovens. “Sempre mostramos aquilo que achamos que será melhor, o que as pessoas gostam de ver de nós, porque nossa representação em relação ao olhar do outro é muito influente”, afirma. 

Todos os dias há milhares de pessoas online com o intuito de fugir da realidade em que vivem e para aliviar alguma dor. O que poucos sabem é que isso pode ser extremamente prejudicial à saúde. “É um vídeo de 30 minutos que faz você esquecer de todos os seus problemas. Você vivencia a felicidade do outro por vídeo, você vivencia até a riqueza daquela pessoa, porque de alguma forma você participa”, explica Candéa. “É como um vício artificial, e aí? Tem como eu não querer isso pra mim?”, reforça. 

De acordo com ele, o fato de gastar tanto tempo nas mídias sociais pode remeter a uma vida em que o indivíduo parou de pensar em si, porque, para pensar em si seria doloroso, então, vendo a vida do outro, ele se sente mais feliz. “As pessoas, hoje, não pensam sobre si, porque isso é um vício, imagina se começa a vir na minha mente ‘a minha vida não tem sentido, meu trabalho não é legal’, o que essas pessoas fazem? Correm pra ver alguma coisa que tire essa ideia”. 

Porém, a exibição excessiva nas redes sociais não impacta apenas os espectadores. Recentemente, um dos maiores Youtubers (geradores de conteúdo em vídeo para o Youtube) do mundo, Whindersson Nunes, virou notícia após divulgar que sofria de depressão e precisava se afastar da internet por um tempo para se cuidar. Elias destaca que o fato dos influencers precisarem manter sempre uma imagem feliz e positiva deixa o trabalho dessas pessoas mais difícil. “Imagina você não ter o direito de ficar triste. Imagina vivenciar isso durante anos. Às vezes, a gente não consegue dar conta de 10 amigos, agora pensa nisso em uma proporção de milhões de pessoas. Os influencers recebem vários de comentários de desespero e maliciosos”, adverte.

De frente para as câmeras

Perfil da Blogueira do Povão. Foto: Reprodução

Mais conhecida como “A Blogueira do Povão”, Vitória Régia, 23, que hoje tem mais de 24 mil seguidores em seu Instagram, também passou por maus bocados devido à sua exibição em redes sociais. Para ela, não foi nada fácil lidar com as críticas constantes e lutar por aprovação. A jovem acredita que, sem o devido cuidado ao acessar as redes sociais, o ambiente pode se tornar tóxico. “Eu mostro que eu ando de ônibus, eu não tenho carro. Eu uso muito meu jeito nordestino e isso ocasiona estranheza do público de ver como pode uma blogueira não ser chique e nem toda posada. Às vezes, eu acabo recebendo críticas de pessoas falando isso”, revela. 

Para tentar se adequar ao que ela pensava ser o que o público queria ver, ela começou a mudar seu posicionamento nas redes e até mesmo a sua essência. Há cerca de dois anos, sentiu a necessidade de se afastar das redes porque já não se sentia bem em tentar se parecer com alguém que ela não era, apenas para conseguir o reconhecimento que ela tanto sonhava. “Eu me encontrei em um momento me sentindo mal, me sentindo outra pessoa, e isso não me fez bem”, recorda. 

Foi assim que, depois de um mês fora do mundo virtual, nasceu a Blogueira do Povão, uma nova Vitória. Sem medo dos regionalismos que fala e mais segura de mostrar seu cotidiano, encontrou uma maneira mais saudável de se mostrar para seu público. 

A dona do Cariri

Perfil de Thayse Teixeira. Foto: Reprodução

Extrovertida e ostentando 1,7 milhões de seguidores, Thayse Teixeira, encontrou uma maneira mais leve de encarar a vida nas redes sociais. “Eu já sofri muitos ataques vindo das redes sociais, mas hoje não deixo isso me afetar tanto, aprendi a lidar”, relata. Agora a influencer não posta mais todos os momentos do seu dia na rede. “Não me sinto mais na obrigação de estar mostrando meu dia a dia. E se eu estiver triste, apenas evito acessar as redes e depois volto sem nenhum problema”, explica. 

Ainda de acordo com o estudante de psicologia Elias Candéa, religião pode ser uma maneira para tratar os malefícios gerados pelo estresse causado pelo uso excessivo das redes sociais. “Um momento de espiritualidade, onde eu possa me encontrar com pessoas e me aproximar com a natureza”. Para Thayse, isso é parte da sua realidade constante. “Todo final de semana, eu vou para a missa. Isso me ajuda a manter os pés no chão e não me deixar abalar com a rotina de produção de conteúdo”.

3 comentários em “Digital influencer pode afetar a saúde de produtor e usuário

  • 16 de setembro de 2019 em 09:30
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    Excelente matéria! Não tem como não se identificar em algum aspecto. Vale a #reflexao

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  • 16 de setembro de 2019 em 12:31
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    Parabéns pela matéria publicada, que serva de reflexão, abrindo os olhos dessa sociedade que impõe valores desvirtuados focado no ter, e não no ser.

    Resposta

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