Ceará é referência na doação e transplante de órgãos

Por Nataly Rodrigues

Cadmo Oliveira e seu filho Cadmo Jr. — Foto: Filipe Dutra

Cadmo Oliveira, de 70 anos, iniciou o tratamento no fígado após ser diagnosticado com cirrose, em 2011. No mês de maio deste ano, ele entrou na lista de espera para transplante hepático e, no último sábado (31) de agosto, fez a cirurgia. “Eu estava esperançoso, mas não sabia que seria tão próximo. Sexta eu me internei, sábado de manhã fiz o transplante e já estou aqui me recuperando. Eu não andava mais e, logo em seguida, estou andando. Agora estou dando os primeiros passos novamente.”

O transplante foi um dos 130 realizados pelo Hospital Geral de Fortaleza (HGF) apenas neste ano, destes, 23 são transplantes de fígado, como no caso de Cadmo, e os demais são de rim e pâncreas. No Ceará, o número de transplantes chega ao dobro em dez anos. No ano de 2009 foram 760 procedimentos efetuados, já no ano passado (2018) dobrou para 1.535.

Apesar do crescimento de transplantes ser notório, a não efetivação de doações ainda é preocupante. Segundo o Registro Brasileiro de Transplantes, de janeiro a março deste ano, o estado do Ceará listou 139 potenciais doadores, mas apenas 69 doadores efetivaram o procedimento. Um dos fatores principais que ocasiona essa redução é o fato da família não autorizar a doação.

Doação

Infográfico com os tipos de doadores. Infográfico: Gustavo Marciel

O processo de doação é feito por meio da Central Nacional do Transplante (CNT), responsável pela logística e distribuição de órgãos. Cada estado possui uma central que gerencia cadastros técnicos dos candidatos a receptores de órgãos e tecidos e as informações referentes aos doadores. É submetido à Central Estadual de Transplante (CET) as notificações de morte encefálicas das comissões intra-hospitalares. Após a autorização da família, a CET recebe toda a documentação e, assim, começam os testes de compatibilidade entre o potencial doador e os potenciais receptores em lista de espera.

Dra. Ivelise Brasil, coordenadora da Unidade de Transplante Hepático no HGF.

A coordenadora da Central de Transplante do Ceará, Dra. Eliana Barbosa explica: “a CET, através de um sistema informatizado, gera uma lista de potenciais receptores para cada órgão e comunica aos hospitais (equipes de transplantes) onde eles são atendidos. As equipes de transplante, junto com a Central de Transplante, adotam as medidas necessárias para viabilizar a retirada dos órgãos”.

A lista de espera é estabelecida com base nos critérios de cada órgão e, a partir de uma avaliação, é definido a posição do paciente de acordo com a gravidade de seu estado de saúde. As situações de mais urgências ocupam as primeiras posições na lista.  “Essa lista é única e o paciente é listado online, existe um sistema do Ministério da Saúde, onde nessa lista vai o CPF e o Cartão Nacional de Saúde, o próprio paciente tem acesso ao seu cadastro na lista, ele mesmo pode auditar. Isso faz com que o sistema seja o mais transparente e seguro possível”, elucida Dra. Ivelise Brasil, coordenadora da Unidade de Transplante Hepático no HGF.

Sistema único de Saúde (SUS)

Segundo o ministério da saúde, o Brasil possui o melhor sistema público de transplante do mundo, cerca de 96% dos procedimentos são financiados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Os pacientes contam com assistência integral e gratuita, incluindo exames preparatórios, cirurgia, acompanhamento e medicamentos pós-transplante. “Esses processos de doação e do transplante são bem organizados pelo SUS, todo procedimento passa obrigatoriamente pelo controle do Ministério da Saúde. Não existe doação sem a intermediação do SUS”, relata a cirurgiã Ivelise Brasil.

Infográfico mostrando o passo a passo da doação. Infográfico: Halleyxon Xavier

Campanhas

Neste mês de setembro é comemorado o dia do doador e em todo país são realizadas campanhas de conscientização sobre a importância da doação de órgãos. Segundo a Dra. Eliana, além das campanhas governamentais e nas mídias, é importante também realizar “palestras em universidades, escolas, fábricas e em outros lugares, cujas mensagens devem focar a natureza altruística da doação e o efeito benéfico do transplante.”

Doe de coração

A Universidade de Fortaleza (Unifor) realiza sua 17ª edição do movimento “Doe de Coração”, que tem como objetivo informar e encorajar a população para ampliar o número de doações. O movimento iniciou este ano sua programação no dia 2 de setembro e se estende até o último dia do mês, tendo como atividades fóruns com especialistas em transplantes de órgãos e tecidos.

 

 

Serviço

Movimento Doe de Coração

De 2 a 30 de setembro de 2019

Realização: Fundação Edson Queiroz

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

css.php