Voluntariado transforma a maneira de enxergar o mundo

Por Clariana Matias

Há quem se inscreva em trabalhos voluntários por amor e quem pretenda apenas alcançar um currículo perfeito, mas a verdade é que a experiência como voluntário pode agregar muito na vida profissional e pessoal de um indivíduo. O voluntariado é uma iniciativa tomada por pessoas que têm disponibilidade para doar seu tempo, talento ou cuidado em Organizações Não Governamentais (ONGs), escolas ou Instituições diversas. Pelo menos 200 ONGs estão cadastradas na plataforma Fortaleza Solidária, um programa que visa cruzar dados de quem quer ser voluntário com as vagas disponíveis em ONGs de Fortaleza, conforme comunicado de abril de 2019 

Esther Xavier na Associação Voar. Foto: Matheus Fontenele

Com um sorriso no rosto, a estudante Esther Xavier, 18, voluntária há três anos na Associação Voar, relata o amor que tem por crianças e o desejo de contribuir para a sociedade por meio do trabalho voluntário. A Associação, localizada no bairro Luciano Cavalcante, atende crianças e adolescentes entre sete e 17 anos, a maior parte entre as comunidades Galiléia, Pindorama e o bairro Tancredo Neves, oferecendo aulas de violão, balé, hip hop, karatê e reforço escolar.

Na Associação Voar, Esther realizou o sonho de trabalhar com crianças, auxiliando nas atividades escolares de estudantes do 2º e 3º ano do ensino fundamental. Ela vê isso como aprendizado e crescimento, principalmente quando conseguiu ensinar uma criança a ler. “Muitas crianças saem do colégio e não sabem ler, mesmo estando no 3º e 4º ano. Ver uma criança se desenvolvendo e lendo para mim foi uma das maiores experiências que eu tive aqui no projeto”.  Mais do que no currículo, Esther acredita que o voluntariado tem um maior impacto na sua forma de ver o mundo.

Dificuldades

Presidente da Aiesec, Luana Galeno. Foto: Arquivo Pessoal

Mas nem todos pensam da mesma forma. Luana Galeno, presidente da Aiesec em Fortaleza – movimento que estimula a liderança jovem por meio de intercâmbio voluntário afirma que a entidade recebeu, em média, 700 inscritos para o último processo seletivo, realizado no mês de agosto deste ano. Apesar dos números altos, Luana não acredita que o interesse pelo trabalho voluntário tenha aumentado. “Na verdade, a gente tem tido um pouco mais de dificuldade para encontrar voluntários. Acho que as pessoas estão mais interessadas em estagiar, ter emprego, ganhar dinheiro. Ainda tem uma parcela que vem porque quer contribuir para o mundo e fazer a diferença, mas a grande maioria é porque quer um diferencial no currículo.” Esse tipo de procura ocorre porque os recrutadores olham de maneira diferente para aqueles que desenvolvem ou já desenvolveram algum tipo de trabalho voluntário e estão em busca de um estágio ou emprego. Atualmente, para se ter uma ideia, a Aiesec conta apenas com 55 voluntários.

Felipe Rios, 22, monitor do projeto Jovem Voluntário no Núcleo de Atenção Médica Integrado (NAMI), realizado pela Universidade de Fortaleza, também condena o desvio do entendimento sobre o voluntariado. Para ele, o trabalho voluntário realizado apenas pelo interesse de se destacar em uma entrevista de emprego é prejudicial. “A gente está trabalhando com vidas. As crianças com câncer estão esperando o nosso amor e a nossa doação para que a gente possa fazer a diferença na vida delas”, conta o estudante, que acredita que isso não seja possível sem um desejo genuíno de se doar.

Voluntariado Internacional

Adnayara Medeiros na Turquia. Foto: Arquivo Pessoal

Já Adnayara Medeiros, 26, realizou intercâmbio voluntário em 2014 com destino à cidade de Bursa, Turquia. Após surgir uma vaga para ensinar inglês aos vendedores do mercado Grande Bazar, Adnayara não pensou duas vezes e decidiu embarcar para essa nova experiência. Além do trabalho realizado na Turquia, ela também foi voluntária em igrejas de Fortaleza, onde recepcionava os visitantes.

Apesar de algumas pessoas contribuírem solidariamente para um projeto voluntário e de outras visarem o ganho profissional que podem ter com a experiência, Adnayara acredita que é possível igualar os dois pesos acerca do voluntariado. “O trabalho voluntário gera engrandecimento pessoal. Você desenvolve empatia pelo outro, aprende a se adaptar, a pensar fora da caixa. É muito bom saber que, com o seu trabalho, você está fazendo a diferença na vida das pessoas. Acredito que me mudou tanto como ser humano quanto profissional”, afirma.

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