“Ter essa relação prazerosa com o trabalho pra mim é vital”

Por Thomás Regueira

Há mais ou menos seis meses, a TV Unifor tem passado por diversas mudanças internas quanto à programação e ao modo de trabalho para que os estagiários estejam mais preparados e acostumados com o atual mercado. O principal responsável por essas mudanças foi Max Eluard Fernandes, 46, que veio de São Paulo para assumir a direção da TV trazendo toda a sua bagagem de trabalho. 

Formação e experiências profissionais

Max nasceu em São Paulo, capital, porém se mudou algumas vezes de cidade dentro do estado durante sua infância e adolescência. Fez faculdade de Comunicação com habilitação em Rádio e TV na Unesp (Universidade Estadual de São Paulo), em Bauru . 

Logo depois de formado, em 1998, foi para a capital tentar a sorte e começou trabalhando em uma produção audiovisual independente, numa época em que este tipo de  produção para a televisão ainda estava se iniciando no Brasil. Ficou por lá quatro meses e de lá partiu para novos desafios. 

Seu primeiro emprego de carteira assinada foi na TV Cultura onde trabalhava como produtor executivo de documentários. “Tentei arrumar outra coisa para fazer em São Paulo para pagar minhas contas, e foi quando a Neide (uma das diretoras da produtora independente) foi convidada para a TV Cultura de São Paulo para dirigir uma série de documentários chamada “Caminhos e Parcerias” e ela me convidou para ir com ela, fiquei durante 7 anos quase 8, e além dessa série produzi outros documentários e trabalhei como vídeo repórter. Tive uma longa experiência na TV Cultura”, relata.

Em 2004, em busca de novas perspectivas profissionais, decidiu focar seu trabalho em produções cinematográficas independentes. “Fiz Rádio TV mas sempre quis fazer cinema desde moleque, fazia meus filmes com 15 anos, mas nos anos 90 não tinha muita perspectiva de se trabalhar com isso no Brasil, e aí tinha que fazer televisão”, comenta. De 2010 até 2014, Max produziu sete longas metragem e mais de 20 curtas que estrearam em festivais de cinema no mundo inteiro. Depois desse período, trabalhou com gestão pública coordenando uma linha de financiamento do fundo setorial audiovisual, operado pela Ancine (Agência Nacional de Cinema).

A vinda para o Nordeste

Quando já era casado e pai de dois filhos, Max e sua esposa decidiram que queriam se mudar para o Nordeste. “Eu acho que quisemos vir pro Nordeste porque ele se oferece como a última fronteira civilizatória desse país, num momento de acirramento de visões de mundo, a gente notadamente se identificava com os ideias do Nordeste”, revela.

Max e sua família no avião na mudança para Fortaleza. Foto: Arquivo Pessoal

Em Setembro de 2018, veio o convite da Unifor para ministrar uma oficina durante um final de semana, para os alunos do Curso de Cinema e Audiovisual. “Eu adorei a Unifor e a relação dos professores e alunos daqui e me ofereci para a Beth Jaguaribe, coordenadora do curso de Cinema, e para a Ana Quezado, diretora de marketing, para ver a possibilidade de trabalhar na Unifor”. Em Dezembro do mesmo ano, recebeu o convite para, a princípio, dirigir a TV Unifor e implementar mudanças na TV. “Juntou a fome com a vontade de comer”, comenta.

Sobre os desafios de dirigir a TV Unifor, Max diz que o maior é sistematizar a produção de forma que se produza conteúdo de qualidade e ao mesmo tempo ser um espaço de formação e experimentação para os alunos. Max relata que tanto os alunos quanto os professores foram receptivos à reestruturação da TV, pois todos queriam ajudar nessa construção.

Entre suas principais qualidades profissionais, ele destaca o bom senso. “Os profissionais precisam ter bom senso para sair do livro, achar soluções alternativas. Eu me considero uma pessoa de bom senso bem aguçado para lidar com situações que a gestão exige. Eu gosto muito de ouvir as pessoas, compartilhar as informações que eu tenho, não acho que o meu lugar de chefia ela se dá por conta de informações que retenho”, explica.

Família

Max é casado com Manoela, que é sua sócia numa produtora e também é diretora e montadora de cinema e televisão. Eles são os pais do Victor, de oito anos, e Beatriz, de quatro. Eluard e Manoela tiveram filhos em uma idade mais tardia do que é convencional, porém Max ressalta que foi um momento de maturidade para os dois. “Desde que o Victor chegou, a dedicação a eles é uma prioridade nas nossas vidas. Mudar para o Ceará também foi pensando neles, para terem mais qualidade de vida, terem uma praia, contato com a natureza, menos poluição”. 

As coisas mais importantes na sua vida são a esposa, seus filhos, e também trabalhar sempre com o que lhe dá prazer. “Acho que eu nunca tive um trabalho em que eu me aborreci e fui de saco cheio, e quando chegou perto disso, eu saí e fui fazer outra coisa […] ter essa relação prazerosa com o trabalho pra mim é vital, porque se não a gente vai morrendo aos poucos”, ensina.

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