“A importância do grafite para a cidade, como uma forma de expressão das pessoas, que muitas vezes não são ouvidas”

Por Isabella Campos

Fernanda de Façanha no lançamento do seu livro, na XIII Bienal Internacional do Livro do Ceará. Foto: Eduardo Freire

O livro- reportagem  “Ruas e Cores: o grafite como arte viva da cidade” da jornalista, escritora e pesquisadora cearense Fernanda de Façanha, traz a discussão de como a  arte urbana pode transformar a relação de vida na cidade. Com a idéia de conhecer mais Fortaleza, a jornalista fez sua trajetória pela arte orgânica, pelas cores nos muros, pelos artistas que as produzem e o olhar que esses formatos e pinturas atraem. Com esta obra, que foi apresentada como Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), no curso de Jornalismo da Unifor, foi premiada na XXV Exposição de Pesquisa Experimental em Comunicação (Expocom) 2018, na modalidade Livro-reportagem (avulso) com o livro “Ruas e Cores”.

Fernanda de Façanha lançou recentemente o livro na XIII Bienal Internacional do Livro do Ceará, na última quarta – feira (21 de agosto) e falou ao Jornalismo NIC sobre os desafios durantes a criação, suas inspirações e expectativas para o futuro.    

Jornalismo NIC : Como surgiu a ideia do livro “Ruas e Cores”? Quais foram as suas inspirações?

Fernanda de Façanha: O livro surgiu a partir da minha vontade de conhecer mais sobre a cidade. De buscar realmente essa história, do grafite em Fortaleza, a partir de três olhares : olhares dos grafiteiros, a partir dos eventos e festivais que aconteceram na cidade e a relação com o patrimônio histórico. Tudo isso surgiu quando eu comecei a fotografar o grafite de outras cidades do mundo. Eu viajei pela Europa quando fiz meu intercâmbio acadêmico pela Unifor, em 2015, lá eu acabei me apaixonando muito pelo grafite e pela fotografia, mais ainda. Eu sempre gostei de fotografar, então eu fotografei muito esses espaços, e aí isso foi muito bom, porque quando eu cheguei em Fortaleza, eu estava com outro olhar sobre a cidade. Então, quando eu tive que escolher realmente o que fazer no meu TCC, eu optei por fazer um livro, por ser algo que eu sabia. Porque tem muito relação com a minha vida. Meu pai é escritor e eu já estava lançando meu primeiro livro na época, então esse é meu segundo livro lançado de fato. 

JN : No processo de criação, quais foram os maiores desafios? 

FF: Foi principalmente conseguir deixar tudo harmônico, porque eram muitas informações, eram informações novas, que eu não conhecia. Eram muitas fotos, de todo tipo assim, [com] cores diversas, ângulos diversos. Eu acho que o mais difícil pra mim, foi conseguir entender e unir o texto com a imagem, já que eu estava produzindo os dois. E o maior desafio foi fazer esse livro em três meses. A maior parte dele foi escrita em três meses. Que foram os meses do TCC, né? Fevereiro, março e abril. Cada capítulo eu fiz em um mês, acho que esse também foi um dos maiores desafios. 

JN: Qual a importância do “Ruas e Cores” para a sua vida acadêmica, como jornalista e pesquisadora? 

FF: Ele foi o responsável por muita coisa. Foi a partir dele que fiz o meu TCC, [na verdade] ele é o meu TCC. E, por conta dele, acabei fazendo meu projeto de mestrado. Então, todo o meu projeto de mestrado foi pensado em cima do “Ruas e Cores” e do que aconteceu com o “Ruas e Cores”. Das correções, da banca, de tudo isso. Foi muito importante, ele foi essencial para a minha vida acadêmica.  

JN – Você ganhou o XXV Expocom 2018 e agora este trabalho chega à Bienal. O que essas conquistas representam para você, tanto no âmbito profissional quanto pessoal?

FF: Essas conquistas representam algo muito positivo em relação ao meu caminho na graduação e na pós-graduação, porque agora eu faço mestrado na UFC (Universidade Federal do Ceará). Então, pra mim, isso é muito importante, sabe? E também por entender o quão é importante o meu trabalho. Porque atualmente isso acaba sendo o meu próprio trabalho, a minha pesquisa. Essas premiações que eu ganho, esse reconhecimento, são importantes quando eu percebo uma valorização social em relação ao meu trabalho, que é socialmente reconhecido como importante. Se ele ganhou um título nacional, então não é porque ele é um trabalho qualquer, ou porque ele não tem alguma relevância, entende? Isso me traz uma alegria, uma felicidade muito grande, de verdade. 

JN – O design do livro foi feito pela Ravelle Gadelha, poderia falar um pouco sobre essa parceria?

FF: O processo do design foi um processo maravilhoso. A Ravelle foi muito compreensiva no que eu queria para a ideia do livro. [Queria] que fosse um livro fácil de ser tocado, que não fosse um livro tão grosso e não fosse um livro com muita palavra, [ou seja] muita letra junta. Então ela colocou muita foto, muita ilustração, muita arte viva por dentro do livro também. Eu acho que a Ravelle conseguiu mostrar, a partir das fotos que eu fiz pelos muros, uma pequena cidade dentro do próprio livro. A Ravelle foi maravilhosa. Muitas coisas tiveram o dedo dela.  [A exemplo de] algumas fotos com um tamanho muito grande. Isso veio da ideia da própria Ravelle. E eu só tenho a agradecer a atenção, o amor e o carinho dela por esse trabalho. Porque ela passou a entender melhor o grafite depois desse trabalho, que a gente fez juntas. Enfim é isso, eu sou muito feliz com esse trabalho que a Ravelle fez. 

JN – Como foi esse processo de criação juntas?

FF: Eu fiz o livro em três meses, fevereiro, março e abril. Eu fazia o texto e na última semana do mês o entregava para Ravelle. Eu  passava o texto, ela fazia a diagramação e, na semana seguinte, a gente já conversava sobre a diagramação feita. Que, na maioria das vezes, eu só falava “tá perfeita, tá linda”, porque sempre estava muito bonito, ela sempre fazia muito bem. Ela recebia orientação do professor Eduardo Freire, que fazia toda a orientação em relação ao que deveria melhorar. Mas, na maioria das vezes, ela arrasava.

JN – Quais os próximos caminhos deste livro e da Fernanda como escritora?

FF: Agora eu vou continuar o trabalho, que continuo fazendo com o meu outro livro também, que é o “Revirando o meu guarda-roupa”. Quero apresentar esse livro [Ruas e Cores] em escolas, divulgar o livro por inteiro. Viajar, ir para feiras de livros fora daqui [Fortaleza], lançar o livro em outros lugares além de Fortaleza. 

Mostrar esse livro, sabe? De verdade. Mostrar para que ele veio, que ele é um livro muito bom. Essa é minha opinião, mas quero que todo mundo ache também. [Quero] divulgar o grafite para os jovens, divulgar a importância do grafite para a cidade, como uma forma de expressão das pessoas que, muitas vezes, não são ouvidas. O grafite é uma arte, que se expressa muito facilmente. O visual acaba sendo muito atrativo, então, por essa atração visual, acaba sendo algo muito sedutor para quem está passando na rua. Para quem está olhando achar bonito, já é algo muito positivo. Agora, achar bonito e entender, compreender tudo que está por trás, é ainda mais incrível.      

 

        

 

 

  

 

  

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