Por trás dos flashes: As consequências do culto à beleza no mundo dos modelos

Por Artur Cunha,  Lowhanny Valentim e Maria Isabel

A indústria da moda nunca cresceu tanto, transformando o Brasil. Estando entre o top 10 dos consumidores de roupas no ranking mundial, essa indústria tem uma enorme influência na vida dos indivíduos, que são estimulados a seguirem um padrão, geralmente instigado pela mídia.

No entanto, seguir um padrão significa, geralmente, além de abrir mão da individualidade, ter que ir além dos limites físicos e mentais que um ser humano pode aguentar. As consequências dos rígidos padrões de moda são visíveis.

As mulheres, em geral, são instigadas a seguirem dietas mirabolantes e se submeterem a cirurgias invasivas, em prol do emagrecimento. Isso ocorre principalmente com as que são vistas como espelho à sociedade, as modelos.

Impactos psicológicos

Para a psicóloga Camila Medeiros, os padrões de beleza estabelecidos atualmente não são o comum na sociedade. Geralmente esses padrões exigem um estilo de vida que não se encaixa com a realidade da maioria da população, então coloca a pessoa em uma situação onde ela tem que trabalhar, estudar, ter uma vida social e ainda manter o padrão de beleza. Manter-se  assim sem uma boa condição financeira , é praticamente impossível.

Conceitos sociais são enraizados na sociedade e funcionam como uma “instituição” que se consolida nas passarelas, nas telas das TVs, nos filmes, nas revistas.

Então surge a obsessão em se enquadrar, em ser parte do social – Quem não quer ser considerado “bonito?” – Camila Medeiros

Os problemas da obsessão com a beleza começam no primeiro vínculo social, a família. Assim serão inseridos os primeiros conceitos de beleza, através das pessoas mais próximas. Conceitos como menina veste rosa e menino veste azul serão passados e tratados como naturais e desejáveis. Você se encaixar no padrão pode significar que você agrada a sua mãe ou pai de alguma maneira, correspondendo às expectativas criadas sobre a pessoa.

Para Camila, essa questão da  beleza da modelo, não se enquadra no dia a dia. As dificuldades para alcançar aquele corpo cria uma situação onde a pessoa vê a necessidade de buscar meios que facilitem alcançar os resultados. Isso move a indústria farmacêutica, pois muitos  pensam que tomar remédios que ajudam a emagrecer são uma forma saudável de potencializar os resultados e de diminuir o tempo que leva para alcançar aquilo,muitas vezes tendo como consequência situações de anorexia e bulimia, Transtorno de Ansiedade Generalizado, Distúrbio de Depressão Maior, baixa auto estima e outras doenças.

A ditadura da beleza no mundo das plus size

 

Ao contrário do que muitas pessoas acreditam, a moda “Plus Size” não surgiu recentemente. O termo, utilizado pela primeira vez em 1920, pela marca norte-americana Lane Bryant, se refere ao estilo e biotipo de pessoas consideradas acima do peso. Apesar de ser associada a uma moda inclusiva e voltada para pessoas gordas, as modelos desse segmento comprovam que, na prática, não funciona bem assim. 

Modelo desde 2016, a estudante de direito, Hyandra Calixto, sempre fez fotos de rosto e outros trabalhos, mas em 2018 passou a investir na carreira de modelo, e foi quando descobriu que esse novo estilo não era tão inclusivo quanto ela imaginava. “Apesar de ser plus size, ainda há muita cobrança. Algumas marcas pedem pra eu engordar e outras outras já recomendam o uso de cintas para disfarçar a barriga. Por incrível que pareça, há um padrão no plus size: barriga reta, quadril largo, etc”, comenta a estudante. 

A busca constante pelos padrões impostos pelo mundo da moda, independentemente de serem plus, faz várias modelos sofrerem pressões que as levam a cometer uma série de atitudes negativas para com a saúde física e a mental. “Quando entrei no meio plus, eu fui cobrada a engordar. Chegaram a me pedir para ir a rodízios. Parece absurdo, mas ouvi várias vezes que eu deveria comer mais. Isso me afetou, pois quando achei que seria aceita do jeito que sou, vem alguém e impõe padrões. Para mim, esses pedidos para engordar soam como quando se pede para que a modelo magra pare de comer. Não acho saudável”, comenta a modelo. 

“Quando entrei para o plus, eu fui cobrada a engordar. Chegaram a me pedir para ir a rodízios” – Hyandra Calixto 

Essa cobrança pelo corpo ideal para as marcas plus fizeram a jovem passar por uma série de transtornos. “A cada trabalho eu ficava tensa, não queria lidar com a rejeição, foi quando minha compulsão alimentar voltou a me tirar do eixo”. Além dos constrangimentos para atender as expectativas da marca e do mercado, a estudante compartilha a competitividade e a diferença de tratamento entre as modelos. “Quase sempre sinto que sou tratada diferente das modelos magras. Eu sou sempre a que sai sem o brinde. Era bizarro eu ali vendo todo mundo ganhar um mimo por ter feito o mesmo trabalho que eu.” 

Após sofrer para conseguir fazer parte da indústria, a estudante de direito passou a selecionar melhor os trabalhos que deseja participar. “Isso está mudando, pois não me submeto mais a isso. Prefiro não fazer o trabalho do que me sentir mal com isso.”

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