Lixo no lixo: uma prática diária

Por Daniel Bezerra, Gustavo Maciel e Beatriz Ferreira

Para muitas pessoas pode parecer clichê, mas jogar o lixo na lixeira, na verdade, é um grande passo para a solução de vários problemas ambientais. O descarte incorreto de resíduos, principalmente no que diz respeito aos ambientes marinhos, além da poluição dos oceanos pode comprometer a sobrevivência de várias espécies.

Um dos exemplos do que esse descarte incorreto pode ocasionar é uma ilha de lixo no oceano Pacífico, um grande lixão que flutua entre as costas da Califórnia e do Havaí, sendo formado principalmente por diversos tipos de plástico. Com extensão que já ultrapassa os 3,5 milhões de km². Este acumulado de lixo já tem sido chamado pelos especialistas de “o sétimo continente” e tem causado diversos danos ambientais.

Estima-se que essa gigantesca ilha de lixo seja responsável pela degradação das condições de vida de diversas espécies, exterminando anualmente mais de um milhão de aves e outros 100 mil mamíferos marinhos.

Além de uma ilha de lixo, os resíduos descartados nos rios causam enchentes e alagamentos nas grandes cidades, disseminam doenças, causam a morte das populações humanas e prejudicam a sobrevivência da fauna e flora de diversas regiões. Vale destacar que esses transtornos não são necessariamente imediatos e passageiros, uma vez que o lixo demora dezenas e até centenas de anos para se degradar na natureza causando muitos problemas durante esse período.

Outro exemplo a ser destacado é o lixo coletado na faixa de praia da avenida Beira Mar de Fortaleza, que chega a cinco toneladas diárias, em um trecho de pouco mais de 3 quilômetros, segundo informações da Ecofor Ambiental, empresa responsável pela coleta de resíduos sólidos na capital cearense.

Projeto Praia linda, praia limpa

Idealizado pelo curso de Engenharia Ambiental e Sanitária da Universidade de Fortaleza (Unifor), em 2008, o “Projeto Praia linda, praia limpa” começou bem pequeno, com o nome inicial de “Praia Limpa”, onde a ação era realizada como integração dos calouros do curso que semestralmente realizavam limpeza nas praias de Fortaleza.

Com o reconhecimento da ação, em 2018, a Fundação Edson Queiroz decidiu dar visibilidade e maiores proporções ao Projeto, abrindo a participação para os alunos de demais cursos, professores e colaboradores da Unifor, além do público em geral interessado em participar.

Inicialmente, quando ainda estava restrito ao cursos de Engenharia Ambiental e Sanitária, a ação contava com a participação de 50 a 100 pessoas, e hoje conta com cerca de 500 pessoas coletando semestralmente o lixo nas praias e conscientizando os banhistas presentes nos locais.

Várias instâncias da universidade se mobilizam para a realização do projeto, como o Marketing, a Vice reitoria de graduação e a Vice reitoria de extensão, além da própria Fundação Edson Queiroz. Boa parte desse lixo coletado é encaminhado e reciclado para a Prefeitura de Fortaleza, a Secretaria Municipal de Urbanismo e Meio Ambiente(Seuma) e para a Sociedade Comunitária de Reciclagem de Lixo do Pirambu (Socrelp).

De acordo com Oyrton Monteiro, coordenador do curso de Engenharia Ambiental e Sanitária da Universidade de Fortaleza, um dos principais benefícios da ação, além de evitar que todo o lixo jogado de forma incorreta na orla das praias chegue até o oceano e mate os animais marinhos, é a conscientização da população de Fortaleza a respeito do descarte correto de resíduos.

Depoimentos

Isadora Linhares, foto: Fotonic

Isadora Linhares, estudante de jornalismo, participar do projeto mudou a maneira como ela enxerga o descarte de embalagens. Ela relata que o que mais coletou de lixo na praia foram canudos e plásticos no geral, e hoje ela sempre que pode evita usar canudos e copos plásticos. “Achei uma experiência diferente, nunca participei de nada parecido”, comenta.

Alice Maria, foto: arquivo pessoal

A experiência do projeto é bastante impactante para quem participa, como é o caso de Alice Maria, estudante de Engenharia Ambiental e Sanitária. Ela conta que só o que encontram de restos de bituca de cigarro numa pequena área, daria para encher uma garrafa de 300ml a 400ml de capacidade. “Pensamos que é pouco, mas quando estamos juntando, tem muito.”

 

 

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