Rendeiras: a força e a persistência do seu artesanato

Por Beatriz Madeiro e Vitória Vasconcelos

O ofício das rendeiras e sua tradição, apesar de ser uma parte significativa da cultura nordestina, especificamente cearense, pode estar ameaçada pela pouca visibilidade em decorrência da perda de interesse da população pela história e exercício do artesanato. “Não é pra deixar morrer”, diz Francisca Lorena da Silva, rendeira desde os 6 anos. “Eu tenho muita pena porque vai acabar. Os adolescentes não querem mais aprender”, declara a rendeira Maria Cleide dos Santos, que aprendeu a tecer os fios com 8 anos.

O tempo de produção da renda pode ser também um dos causadores do possível desaparecimento desse ofício. Essas rendeiras passam dias e noites trançando fios, e por mais que pareçam simples, uma única blusa demora três meses para ser acabada. Dessa forma, essas mulheres passam muito tempo sem ter o que vender, fazendo com que os clientes vão a procura de outros pontos de venda. Além disso, os jovens buscam mais produtividade, sendo um dos motivos para acabarem negando esse trabalho.

A desvalorização é a causa da desmotivação de muitas dessas mulheres que tem a produção da renda como uma garantia de vida. Isso as leva a buscar outros empregos, deixando guardados os segredos por trás do tecido. Na associação das rendeiras, no município de Aquiraz-CE, é possível encontrar mulheres como a Francisca Ferreira Caetano, que trabalha com renda desde os 12 anos e diz não aconselhar suas filhas a trabalharem com isso, “prefiro que sejam salariadas”, acentua. 

 

Importância 

De acordo com Pricila Medeiros, professora de Design de Moda da Universidade de Fortaleza (Unifor) e Universidade Fanor, a moda tem uma grande responsabilidade diante da valorização da renda, deve-se conscientizar em não se apropriar, e sim apoderar o artesanato. “Quando eu falo em respeitar, é em remunerar de forma correta, porque muitas vezes a indústria da moda é um pouco perversa e se apropria sem recompensar e dar créditos”, afirma.

História

Com influência europeia, o artesanato da renda chegou ao litoral cearense com a chegada da família real portuguesa no Brasil, no século XIX. Logo, houve intervenção da cultura indígena e a confecção ganhou uma resinificação tipicamente brasileira. Essa herança portuguesa começou por mulheres nobres europeias, que se dedicavam a entrelaçar fios e que passavam esse conhecimento de mãe para filha, virando uma tradição.

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