VAR: uma nova tecnologia no futebol

Por Matheus Freitas e Gustavo Machado

 

No começo do ano de 2019, um acordo, fechado entre os 20 clubes que disputam o Campeonato Brasileiro Série A e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), definiram que a competição deste ano teria o uso do Video Assistant Referee (ou “árbitro assistente de vídeo” em tradução livre para o português), o VAR. Ele é um profissional de arbitragem que analisa as decisões tomadas pelo árbitro principal por meio da utilização de imagens de vídeo e de auscultadores para comunicação.

Essa tecnologia veio para auxiliar na tomada de decisões em lances da partida. O VAR chega com a proposta de deixar as partidas de futebol mais justas e com menos erros de arbitragem.Em  2019, o futebol cearense conta com os seus dois principais clubes, Ceará e Fortaleza, na primeira divisão do futebol brasileiro. Consequentemente, ambas as equipes serão influenciadas por esta tecnologia em alguma de suas partida no Campeonato Brasileiro Série A.

Segundo André Almeida, jornalista esportivo do Jornal O Povo, o VAR “é um recurso que, como todo mudança, vai exigir um período de adaptação, mas é uma forma de deixar a partida mais justa, ainda há problemas de interpretação, mas a tendência é que seja algo positivo”, relata.

A arbitragem cearense e o VAR

Os árbitros cearenses Adriano Barros e Nailton Oliveira foram convocados pela CBF para participarem do curso de formação e aprimoramento do VAR, realizado na cidade de Águas de Lindóia, em São Paulo. O curso é protocolado pela Federação Internacional de Futebol (Fifa) e os árbitros só podem apitar os jogos da série A se tiverem esse curso.

Almeida Filho, ex-árbitro e ouvidor da arbitragem da Federação Cearense de Futebol (FCF), tem a expectativa de que mais cearenses realizem o aprimoramento em VAR. “A nossa ideia é aumentar a quantidade de árbitros cearenses neste curso, para crescer o número de árbitros capacitados a usar o VAR nas competições da CBF”, comenta otimista. 

Situações que o VAR pode ser utilizado

O Vídeo Assistant Referee pode ser utilizado em quatro situações: em caso de gol, em caso de pênalti, em caso de cartão vermelho e em caso de erro de identificação de jogadores. Abaixo estão os significados de cada uma dessas situações:

    • Em caso de gol: o VAR pode checar se a bola ultrapassou ou não toda a linha de gol, se a esfera saiu de campo no lance, se há impedimento que anule a tentativa e se existe falta do atacante na jogada.
    • Em caso de pênalti: se foi de fato falta e se o lance aconteceu dentro ou fora da área; se a bola saiu de campo na jogada do pênalti, se há impedimento que anule o pênalti ou se o atacante faz falta antes do pênalti.
    • Em caso de cartão vermelho: nos casos de cartão vermelho direto o VAR analisa se houve alguma infração que gerou o lance do cartão vermelho. O VAR também informa quando uma falta foi grave o bastante – e não vista pelo árbitro de campo – para ser punida com o cartão vermelho. Importante destacar que o VAR não pode checar um cartão vermelho oriundo de um segundo cartão amarelo.
    • Em caso de erro de identificação de jogadores: Ajuda o árbitro a corrigir se um cartão foi dado para um jogador errado.

Um pouco de história

A  International Football Association Board (IFAB), instituição que regulamenta as regras do futebol internacional, aprovou a utilização do VAR em julho de 2016. A primeira utilização em competições oficiais da Federação Internacional de Futebol (Fifa) aconteceu no Mundial de Clubes/2016, na partida entre Atlético Nacional (Colômbia) e Kashima Antlers (Japão).

No Brasil, o VAR teve sua primeira utilização nas quartas de final da Copa do Brasil de 2018. Já no Ceará, apesar de não ter sido usado, o Video Assistant Referee esteve presente na segunda partida da final do Campeonato Cearense/2019 entre Ceará e Fortaleza.

Apesar de ser novidade no futebol, o VAR já era utilizado desde a década de 1980 na National Football League (NFL), a liga de futebol americano dos Estados Unidos. Nessa competição, todas as jogadas de pontuação, duvidosas ou não, são revisadas no vídeo. Além disso, os árbitros podem tirar a dúvida em outros lances, como aqueles em que a posse de bola muda de time ou para saberem se a bola tocou ou não o chão antes que um jogador a agarrasse.

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