5+ Lendas do Folclore Brasileiro

Por Yasmim Rodrigues

O folclore brasileiro é comemorado no dia 22 de Agosto, desde 1965, quando o Congresso Nacional escolheu a data como meio de celebrar a cultura nacional. No Brasil, o folclore é uma mistura de aspectos das culturas africana, indígena e portuguesa, fato que demonstra a riqueza contida dentro das manifestações folclóricas do país. 

O termo “folclore” tem origem na palavra inglesa “Folklore”, sendo “Folk” povo e “Lore” sabedoria. Em uma tradução literal, “Folclore” significa sabedoria do povo. Desse modo, o folclore acaba por se tornar símbolo da cultura de um país, englobando provérbios populares, mitos, danças, costumes e lendas. Para preservação da identidade cultural de um povo, é importante que as manifestações culturais do folclore sejam passadas de geração em geração. Pensando nisso, o Jornalismo NIC escolheu 5 lendas do folclore brasileiro para ilustrar.

Iara

Iara, também conhecida como “Senhora das Águas” Foto: Reprodução

A história da bela sereia é oriunda da região amazônica e é uma das mais conhecidas do folclore brasileiro. A lenda conta que “Iara”, nome que vem de Iuara, “Senhora das águas”, na língua indígena. É uma criatura meio mulher e meio peixe que canta para atrair os homens, os quais hipnotizados morrem afogados no fundo dos rios amazônicos. Porém, nem sempre essa teria sido a realidade da sereia. 

Iara fora outrora uma índia guerreira, a melhor de sua tribo. Elogiada por muitos, inclusive pelo seu pai, o Pajé. Por conta de suas habilidades, os irmãos da jovem a invejavam e, certo dia, cegos por essa inveja, resolveram matá-la enquanto dormia. Iara, que possuía um ouvido muito aguçado, acordou e batalhou com seus irmãos a fim de se defender. Em meio à luta, a guerreira acabou por matá-los. 

Com medo da ira de seu pai, ela fugiu da tribo, mas foi encontrada. Como castigo, o pai mandou que a jogassem no encontro entre os rios Negro e Solimões. Os peixes, com pena da jovem, a levaram para a superfície e a transformaram em uma linda sereia. Desde então, Iara vive nos rios se vingando de todos os homens por conta do sofrimento que eles lhe causaram. Acredita-se que, se um homem conseguir escapar dos encantos da sereia, ele enlouquecerá e somente um pajé poderá curá-lo.

Boitatá

A lenda do Boitatá, a grande serpente de fogo que protege as florestas. Foto: Reprodução

A lenda do Boitatá é utilizada para explicar o fenômeno do “fogo-fátuo”, uma explosão espontânea que ocorre quando há liberação de gás metano em condições favoráveis, muitas vezes em pântanos e brejos, gerando uma chama azulada de até 3 metros. É justamente essa luz que seria o Boitatá, uma gigantesca cobra em chamas. O nome advém do Tupi, onde “boi” significa cobra e “tata”, fogo.

A lenda conta que há muito tempo, houve uma noite que parecia não ter fim. Durante esse período começou a chover e a enchente provocada matou vários animais. Nesse momento, uma cobra que vivia na região resolveu devorar os olhos dos animais mortos porque eles brilhavam, devido aos últimos raios de luz vistos antes da escuridão. Cada vez que ela comia, ficava mais iluminada. 

Foi assim, que a cobra ficou em chamas e assusta as pessoas que ousam entrar na mata à noite, além de ter se tornado uma protetora da mata. A lenda diz que, quem se depara com o Boitatá fica cego, louco ou morre. Portanto, quem o avistar deve ficar parado, de olhos fechados e sem respirar.

Mula sem Cabeça

A lenda da Mula sem cabeça Foto: Reprodução

A Mula sem cabeça é uma criatura com corpo de equino, geralmente marrom ou preta, que no lugar da cabeça possui uma grande labareda. Segundo a lenda, se torna uma mula sem cabeça toda mulher que namora um padre. A história tem origem na sociedade católica, com o objetivo de enxergar o padre como um santo e não como um homem comum.

A lenda afirma que o encantamento ocorreria nas noites de quinta-feira, quando as mulheres castigadas seriam transformadas em mulas e sairiam correndo pela mata, destruindo tudo que encontrassem pela frente e assustando todos que a vissem ou ouvissem o seu alto relincho. Para acabar com o castigo, o método mais conhecido é conseguir tirar o freio de ferro que a mula carrega.

 

Negrinho do Pastoreio

Negrinho do Pastoreio. Foto: Reprodução

A lenda do Negrinho do Pastoreio tem origem cristã e africana, mais conhecida no sul do Brasil. Ela conta a história de um pequeno escravo, um menino de 14 anos, que vivia com um senhor cruel. Certo dia, o senhor manda o jovem pastorear seus novos cavalos em uma noite de extremo frio. Porém, ao fim da tarde, um dos cavalos havia fugido e, como castigo, o senhor chicoteia o pequeno até que ele sangre. Com medo das ameaças, o menino vai à procura do cavalo e o encontra. Porém, ao tentar capturá-lo, a corda se rompe e o cavalo foge novamente.

Dessa vez, o senhor castiga o garoto com mais surras e o amarra nu sob um formigueiro, com a certeza de que morreria. No dia seguinte, para a surpresa do homem malvado, o menino está vivo, montado no cavalo perdido, sem nenhum ferimento e ao seu lado está a Virgem Maria. 

O fazendeiro pede perdão, mas o pequeno escravo sai galopando feliz e livre. Desde então, a lenda diz que, qualquer cristão que perder algo no campo, deve pedir ao negrinho, pois, durante a noite, ele encontrará. Mas só entregará para quem acender uma vela perto de um formigueiro, cuja luz ele levará para o altar de sua salvadora, a Virgem Maria.

Vitória Régia

A lenda da jovem índia Naiá, que se apaixonou pela lua. Foto: Reprodução

A lenda conta a história da jovem índia Naiá, que se apaixonou pela deusa Jaci, também conhecida como a Lua. Na aldeia de Naiá, dizia-se que Jaci namorava as jovens mais bonitas da região e as transformava em estrelas. Mesmo sendo alertada que deixaria de ser índia, a jovem continuava esperando sua vez, a ponto de não querer mais comer e beber, apenas ficava a observar a lua. 

Todas as noites, Naiá aguardava o momento que a lua descia no horizonte e tentava correr para alcançá-la, até um dia que ela viu o reflexo da lua nas águas do igarapé e, acreditando que a deusa havia descido para banhar-se ali, Naiá se inclina e tenta beijá-la, porém cai no rio e morre afogada.

Ao saber do que ocorrera, Jaci, comovida com a história, decide homenagear Naiá, transformando-a em uma estrela. Porém, a estrela Naiá não seria como as outras, ela a transformou em uma planta aquática chamada Vitória-Régia, conhecida como “a estrela das águas”. É por isso que suas flores brancas e perfumadas abrem apenas durante a noite.

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