Bicicleta se firma como alternativa de transporte em Fortaleza

Por Ariadna Medeiros

Fortaleza tem apostado na mobilidade urbana nos últimos anos e, cada vez mais, a bicicleta tem se tornado um meio de transporte alternativo. No ano de 2012, a cidade tinha apenas 68,2 quilômetros de malha cicloviária. Hoje, já é possível encontrar 257,5 quilômetros destinados para as bicicletas na capital. Com isso, a meta proposta para o ano de 2020 já foi ultrapassada, e agora, a expectativa é de que sejam criadas pelo menos mais 150 km de malha cicloviária para atender aos ciclistas.  

Em 2014, foi implementado o Bicicletar, um programa de compartilhamento de bicicletas que conta com 800 unidades distribuídas em 80 estações pela cidade. Em março deste ano, a Prefeitura lançou uma licitação para a ampliação do programa, que deverá atingir mais bairros e aumentar o alcance populacional da iniciativa.

Experiências

Em algumas das vias mais movimentadas de Fortaleza, transitam uma média de 2600 ciclistas, segundo o engenheiro da Prefeitura Municipal, Gustavo Pinheiro. Segundo ele, isso se dá devido ao rumo que a mobilidade urbana da cidade está tomando.

O zelador Antônio Dias, 42, conta que utiliza a bicicleta como seu meio de transporte há mais de 20 anos e que, agora, ficou bem mais fácil se locomover. “Agora eu consigo ir mais tranquilo para o meu trabalho, todo o trecho tem ciclofaixa”, garante. No entanto, Dias afirma que, mesmo assim, enfrenta dificuldades ao longo do trajeto, pois ele tem “que ter cuidado com os ônibus, senão eles passam quase derrubando, pois andam muito perto dos ciclistas”.

Douglas Ribeiro em um de seus passeios. Foto: Arquivo Pessoal.

Além de meio de locomoção, as bicicletas também podem ser um ótimo instrumento de lazer para quem gosta de se divertir ao ar livre. Unindo o útil ao agradável, o porteiro Douglas Ribeiro, 32, conseguia aproveitar a paixão pelo pedal enquanto se locomovia até seu local de trabalho, mas agora não é mais possível. Ele explica que teve que parar por questões de segurança. “Fizeram uma ciclofaixa que começa na Avenida Osório de Paiva, que vai até o Mondubim. Isso é só 20% do meu trajeto, estava ficando muito perigoso e eu deixei de ir trabalhar de bicicleta”.

Mas, sem as ciclofaixas, as adversidades enfrentadas pelo porteiro ao longo do caminho eram inúmeras. Desde alagamentos a desvios feitos pela calçada, onde os pedestres não se sentiam nem um pouco confortáveis em dividir espaço com a bike. “O pessoal dizia que lugar de bicicleta não é na calçada, é na pista. E outros já dizem que lugar de bicicleta não é na pista, é na ciclofaixa. Mas, se não tem ciclofaixa, fica difícil”, afirma.

Pinheiro afirma que em 5 anos teve um aumento de 280% no número de ciclofaixas pela cidade de Fortaleza, com o intuito de priorizar pedestres, ciclistas e o transporte público.

O uso de bicicletas é uma alternativa para melhorar a mobilidade urbana. Foto: Gabriela Cavalcante.

Além de incentivo à mobilidade urbana, o engenheiro afirma que o objetivo das malhas cicloviárias vão além. “O objetivo delas [ciclofaixas] é de dar segurança para quem anda de bicicleta na cidade e incentivar que outras pessoas a adotem como meio de transporte no dia a dia”, enfatiza.  Além disso, entre outros benefícios citados por Gustavo são a qualidade do ar, o que leva menos pessoas a adquirirem doenças respiratórias, e o sedentarismo. A segurança também é um foco constante, pois quanto mais pessoas utilizam as bikes como meio de transporte, mais pessoas estarão nas ruas ocupando a cidade.

Apoio tecnológico

A empresa Google criou uma maneira de ajudar os ciclistas por meio de um mapa colaborativo que mostra toda a malha cicloviária da cidade. Assim, quem anda de bicicleta, pode planejar trajetos e ver onde existem pontos de bicicletas compartilhadas, confira. O mapa também mostra borracharias e bicicletários na rota, caso o usuário precise ajustar ou  guardar sua bicicleta.

Mapa Colaborativo do Google. Foto: Captura de Tela no Google.

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