Jovens mudam para a capital em busca de oportunidades acadêmicas

Por Fayher Lima

Ingressar no ensino superior é o desejo de muitos brasileiros, mas morar longe de casa ou no interior pode ser um obstáculo para  cursar uma graduação. Alguns cursos são ofertados apenas em universidades sediadas em capitais dos estados, por isso pré-universitários migram de seus municípios para a cidade grande. É o caso de Fortaleza, no Ceará, cuja região metropolitana possui mais de 40 Instituições de Ensino Superior (IES), de acordo com o  Anuário do Ceará de 2018-2019, realizado pelo jornal O Povo e pela Fundação Demócrito Rocha.

A universitária Gisleyne Pinheiro. Foto: Letícia Galvão

Para estudar Ciências Biológicas na Universidade Federal do Ceará (UFC), a aluna Gisleyne Pinheiro mudou de Maracanaú para Fortaleza em 2014, devido à falta de faculdades em sua cidade natal. Além da barreira geográfica, ela teve que enfrentar os desafios financeiros de se manter em outro município. “Eu vim cursar em Fortaleza por não ter opção na minha cidade. A minha família teve que ficar lá, porque ninguém tinha condições [financeiras] de vir para cá. Nem eu tinha condições de vir, quem dirá minha família toda”, conta Gisleyne.  

Benefício essencial

A condição socioeconômica dela é a mesma da maioria dos universitários da rede pública do Ceará. Segundo dados da UFC, 80,7% dos estudantes de universidades federais do estado têm renda familiar per capita inferior a 1,5 salário mínimo e estão em  situação de vulnerabilidade social. Para que questões econômicas não sejam um empecilho para os alunos, a Universidade Federal do Ceará concede os mais diversos tipos de programa de auxílios financeiros.

O programa Residência Universitária, da UFC, garante moradia gratuita e arca com todas as despesas da casa para os alunos que são aprovados no projeto. Atualmente, Fortaleza possui onze residências universitárias que assistem 412 alunos. “Quem pode concorrer à seleção são os estudantes da universidade que não têm núcleo familiar [pai ou mãe] em Fortaleza, vindos do interior do Ceará ou de outros estados, e que comprovem renda per capita inferior a 1,5 salário mínimo”, explica a assistente social da UFC, Georgia dos Santos, sobre o processo seletivo e requisitos para participar do programa.

O projeto funciona com lista de espera e, apesar de todo semestre surgir vaga nas residências, a universidade não consegue acolher todos os inscritos. “Os alunos que aguardam convocação recebem um auxílio moradia temporário no valor de 400 reais e ficam isentos de pagamento em refeitórios do Restaurante Universitário (R.U) da UFC”, conta Georgia dos Santos. No estado, 1.174 universitários da instituição recebem ajuda de custo para pagar aluguel e 3.722 estudantes comem gratuitamente no R.U da universidade.  

Os alunos  assistidos pelo projeto Residência Universitária recebem um auxílio alimentação no valor de 360 reais para pagar as refeições dos finais de semana e feriados em que o Restaurante Universitário não funcione. Os benefícios ofertados pela UFC ajudam Gisleyne a estudar mais tranquila. “Sem a residência universitária eu não sei se teria conseguido cursar uma universidade. O auxílio que a universidade dá para quem é residente universitário é essencial”, conta a jovem que mudou de curso e agora está na graduação de Educação Física.

Aprendizados para a vida

Apesar de no início ter sido complicado viver na mesma casa com pessoas de realidades distintas, Gisleyne considera positiva a experiência de morar na residência estudantil. “É uma vivência enriquecedora. Lá, eu aprendi a lidar com o próximo, a ser mais paciente e entender mais as escolha do outro. No café da manhã todo mundo está junto, você conversa com pessoas de outros cursos e entende melhor seus problemas”.

Em relação à convivência com seus familiares e amigos de Maracanaú, a correria da vida acadêmica obriga ela a passar semanas sem ver os parentes e colegas da antiga cidade. “Quando chega do meio para o final do semestre fica mais difícil ir pra lá. Demanda muito tempo, dinheiro e desgastes, fica mais difícil de estudar assim. Se já é difícil manter um contato contínuo com a família, quem dirá com amigos”, diz Gisleyne.

A estudante, hoje, se considera mais responsável e revela que a distância a fez valorizar seus familiares. “A maior dificuldade de estudar em uma cidade longe da família é a estrutura psicológica. É muito difícil você ter um dia cansativo e chegar em casa e não ter a sua família te esperando. O que me dá forças para continuar são eles. Uma das coisas que mais me mantém é lembrar que minha família tá lá e que eu preciso valorizar quando estou longe deles”, comenta a universitária.    

Saudade de casa

Os primos Marta Negreiros e Vinícius Negreiros saíram de Jaguaribara, cidade no interior do Ceará que foi inundada pela criação de uma barragem, para estudar na capital do estado. Cursando Jornalismo e Publicidade e Propaganda na Universidade de Fortaleza, os universitários conversaram com o  Jornalismo NIC sobre o processo de mudança e a saudade dos amigos e familiares.

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