Maio Amarelo chama atenção para a mortalidade no trânsito

Por Lara Montezuma

No mês de maio acontece o Maio Amarelo, movimento nacional criado pelo Observatório Nacional de Segurança Viária, que tem como proposta chamar a atenção da sociedade para o alto índice de mortes e feridos no trânsito. A ação é necessária visto que, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que 1,9 milhão de pessoas devem morrer no trânsito até 2020, tornando os acidentes viários a quinta maior causa de mortalidade no mundo.

A estimativa foi feita de acordo com uma resolução chamada de “Década de Ações para a Segurança no Trânsito”, que acontece entre 2011 e 2020. O documento foi elaborado com base em um estudo da OMS que contabilizou, em 2009, cerca de 1,3 milhão de mortes por acidente de trânsito em 178 países. Aproximadamente 50 milhões de pessoas sobreviveram com sequelas.

Desde então, órgãos públicos comprometeram-se em apoiar a causa da segurança viária, termo que referente a métodos e ações capazes de reduzir o risco de acidentes na rede viária de determinada região. No Brasil, o Maio Amarelo tem como intenção colocar o tema em pauta e mobilizar toda a sociedade ao envolver diversas áreas por meio de ações e debates.

 

Índices de risco

Segundo levantamento feito pela empresa Ipsos a partir de dados fornecidos pelo Denatran (Departamento Nacional de Trânsito), 2,1 milhões de Carteira Nacional de Habilitação (CNH) foram emitidas em todo o Brasil em 2018. Para conseguir adquirir a primeira habilitação, os condutores passam por um processo que envolve aulas de legislação e direção, exame médico e psicológico, além da prova teórica e prática.

A estudante de enfermagem Ana Karollyne, 19, está habilitada há pouco menos de um ano e afirma que o processo para tirar a sua carteira de motorista foi longo. “Dei entrada em janeiro e só fui conseguir tirar [a carteira] em junho do ano passado”, relembra. Apesar de nunca ter levado uma infração na sua CNH, o seu maior desafio ao dirigir é estacionar.

Ana Karollyne está na faixa etária de preocupante de motoristas no trânsito. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os acidentes de trânsito são a principal causa de morte entre crianças e jovens adultos entre 5 e 29 anos de idade. Ademais, de acordo com o Relatório de Vítimas Fatais de Fortaleza, feito em 2018 pelo Observatório de Segurança Viária de Fortaleza, 226 pessoas foram vítimas de acidentes de trânsito no último ano na capital.

Epidemia de saúde pública

“Uma pessoa que tem 18 anos, que está tirando a carteira agora, se ela entender que o principal risco para ela é morrer, talvez isso ajude ela a despertar”, explica o coordenador de dados do Observatório de Segurança Viária, Ezequiel Dantas. Segundo o profissional, há uma relação direta entre a idade de condutor e os principais fatores de risco que causam acidentes no trânsito. “Quanto mais jovem, mais tolerante ao risco você é”, destaca.

 

“Quanto mais jovem, mais tolerante ao risco você é” (Ezequiel Dantas, coordenador de dados)

 

Ezequiel afirma que existem quatro tipos de fatores de risco que atuam diretamente nas estatísticas de trânsito. São eles o excesso de velocidade, o consumo de bebidas alcoólicas ao dirigir, a falta do uso do cinto de segurança para motoristas de veículos automotivos e a falta do uso de capacete para motociclistas.

Para mudar essa relação, é necessário tratar a segurança viária como uma epidemia de saúde pública tal qual doenças virais, como a dengue. Para o coordenador, a solução mais eficaz é a união da ação do Poder Público com a mudança de comportamento dos cidadãos. O profissional também evidencia a necessidade de uma fiscalização presente, aliada com uma comunicação clara entre agentes públicos e a sociedade, assim como o tratamento de desenhos urbanos. “Respeitando esses fatores, já diminui muito o risco de morte ou ferimento no trânsito”, comenta.

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