Lauro Chaves: “Na economia, nós precisamos ter uma estabilidade”

Por Sarah Viana

Nesta quinta-feira, 16, aconteceu o “Papo Debate” sobre Reforma da Previdência e Tributária, ministrado pelo professor Ricardo Eleutério; o economista e professor da Universidade Estadual do Ceará (UECE),  Lauro Chaves; e o professor de Direito Tributário, Elisberg Bessa. O evento, organizado pelo curso de Jornalismo da Universidade de Fortaleza (Unifor), trouxe aos alunos do curso uma explicação sobre o contexto das duas reformas que estão sendo debatidas no governo atual.

A palestra iniciou com a explicação do professor Elisberg Bessa sobre a Reforma Tributária, colocando em evidência o desafio da certeza sobre mudanças no sistema tributário. O professor acredita que o atual sistema é ineficiente e afirmou que há necessidade urgente de uma Reforma Tributária que seja justa e possibilite crescimento nos investimentos e na economia.

O economista Lauro Chaves refletiu sobre a injustiça existente na arrecadação tributária, onde a distribuição de renda desigual é um dos principais fatores que tornam ela deficitária. O economista comentou também sobre a transição da sociedade brasileira, que tem passado de uma nação jovem para uma nação “madura”.

Os palestrantes terminaram o debate respondendo às perguntas dos alunos que participaram do evento e concluíram que a reforma no sistema tributário e na previdência precisam ser feitas para que elas se tornem socialmente justas e economicamente sustentáveis.

O Jornalismo NIC conversou com o economista, professor e que também é membro efetivo do Conselho Federal de Economia, Lauro Chaves. Confira abaixo.

Jornalismo NIC: Como está o cenário econômico atual brasileiro?

Lauro Chaves: O cenário econômico brasileiro, neste momento,  está permeado de incertezas do campo político. Nós temos um governo novo, que foi eleito em uma mudança ideológica, e isso deveria trazer um sentimento de mudança na população brasileira. Nós vemos na composição do governo medidas que vão em direções muito diferentes, conflitos internos do governo. Na economia, independente da matriz ideológica do governo, nós precisamos ter uma estabilidade, porque a economia depende muito da expectativa em relação ao futuro. Toda vida que você tem um aumento da incerteza, isso prejudica a expectativa em relação ao futuro. Toda a economia passa a andar em um ritmo mais lento quando você tem um perfil de incerteza nela, como o que nós temos hoje.

“Toda vida que você tem um aumento da incerteza, isso prejudica a expectativa em relação ao futuro” (Lauro Chaves, economista)

JN: Em relação aos cortes na educação, quais benefícios e prejuízos essa medida tem na economia?

LC: Nós temos que analisar muito bem o tipo de corte. A princípio, todo corte na educação, saúde, infraestrutura e seguranças são as atividades básicas do Estado. Esses setores deveriam ser sempre privilegiados, tanto em verbas, como em ações, como em controles. (…) Nós precisamos ter um equilíbrio fiscal para que a economia volte a crescer. Esse equilíbrio fiscal tem que ser buscado de várias maneiras, por isso que se fala tanto hoje em Reforma da Previdência, na questão da dívida interna, na questão da Reforma Tributária, porque as contas públicas brasileiras não estão equilibradas e elas precisam ainda ter um longo caminho para conseguir voltar ao equilíbrio que elas tiveram, por exemplo, nos 8 anos de FHC e 8 anos de Lula. Nesses 16 anos, nós tivemos a economia, as finanças públicas equilibradas. E os oito anos de Dilma e Temer corroeram esse equilíbrio e isso tem que ser buscado. Então, cortes orçamentários precisam ser feitos. Agora, se vão ser feitos nas Forças Armadas, na educação, na comunicação, na saúde, isso é uma questão que só o Congresso pode decidir.

JN: Quais os prós e os contras da Reforma da Previdência no cenário econômico em que estamos atualmente?

LC: Primeiro, há praticamente uma unanimidade que nós precisamos ter uma Reforma da Previdência, porque o perfil demográfico do Brasil mudou muito. Nós temos um país que 20, 30, 40 anos atrás era bastante jovem, ou seja, tinha muita mais gente na faixa etária de 15 a 60 anos, ativas no mercado de trabalho e nós tínhamos uma pequena parcela da população acima de 60, 75 anos inativos. Hoje, o perfil já mudou e a tendência para os próximos 20, 30 anos é que mude ainda mais. Nós vamos ter um país cada vez mais velho. Temos que encontrar uma equação que seja socialmente justa, mas que seja economicamente viável para adotarmos como modelo de previdência. E é esse debate que está no Congresso Nacional, que nós temos que distinguir duas coisas: precisamos reformar a previdência, agora, que tipo de previdência? O tipo de previdência que a sociedade brasileira quer para o futuro é o debate mais importante nesse momento. Nós não podemos ir para lugar nenhum como nação enquanto nós tivermos treze milhões de desempregados, mais quinze milhões de subempregados e isso é uma situação caótica, que nós precisamos retomar o crescimento da economia o quanto antes.

“Nós vamos ter um país cada vez mais velho. Temos que encontrar uma equação que seja socialmente justa” (Lauro Chaves, economista)

Confira mais sobre o evento com o vídeo produzido pelo Foto NIC.

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