Os diversos fatores por trás da compulsão alimentar

Por Ariadna Medeiros

Segundo a Associação Americana de Psiquiatria, 2 a 4% da população mundial sofre com compulsão alimentar. A compulsão alimentar é um distúrbio mental causado pela ingestão exagerada de alimentos, não necessariamente em momentos de fome e pode ser impulsionada por diversos fatores, como predisposição genética e traumas de infância.

Ao contrário do que muitos pensam, seguir dietas talvez não seja a melhor solução para esse problema. A nutricionista Ana Paula Queiroz, 31, atua como coordenadora do programa ProNutra, que atende em média 30 pessoas, onde o tratamento desse e outros transtornos alimentares é feito de maneira interdisciplinar. “Dieta é contra indicado para transtorno alimentar, é um dos fatores mantenedores do problema. Não é dieta que os pacientes precisam, eles precisam melhorar o relacionamento com a comida”, defende.

A abordagem utilizada no ProNutra  é originada da nutrição comportamental, na qual são utilizadas técnicas de mindful eating (ver box) e aconselhamento nutricional. “O intuito é que o paciente se perceba e perceba sua alimentação, perceba porque ele está comendo dessa forma. A gente traça estratégias para que ele reflita o porquê disso”. Algumas estratégias usadas são a realização de diário alimentar, comer com atenção e  metas frequentes.

Infográfico: Ariadna Medeiros.

Outro destaque no programa é o acompanhamento dos familiares dos pacientes que sofrem com esse tipo de transtorno. A coordenadora explica que a assistência familiar é importante no tratamento da compulsão alimentar. “Para [os familiares] perceberem o que reforça o transtorno alimentar e o que ajuda a combatê-lo”, reforça Ana Paula.

A decisão

O estudante de Jornalismo, Igor Thawen, 23, sofreu durante muito tempo com este transtorno alimentar. Ele via a comida como refúgio ou recompensa. “Se estava triste, comia para me animar. Se estava feliz com algo, celebrava comendo”, confessa. Thawen chegou a pesar 155 quilos e tinha dificuldades em lidar com situações rotineiras.

Após conversar com um amigo, ele percebeu que precisava de ajuda profissional e decidiu realizar o procedimento bariátrico, indicado para pessoas que estão em progressão para a obesidade. Hoje, pesando 88 quilos, o futuro jornalista conta quais preocupações não enfrenta mais. “Não tenho mais a preocupação se caberei ou não numa cadeira, se ela irá me aguentar. São várias coisas simples, mas que somadas, vira algo bem significativo”, relata alegre.

“São várias coisas simples, mas que somadas, vira algo bem significativo” (Igor Thawen, 23, estudante de jornalismo)

Estar acima do peso quer dizer não ser saudável?

Segundo dados do Ministério da Saúde, a obesidade no Brasil cresceu cerca de  60% ao longo dos últimos dez anos e o excesso de peso subiu para 56,3% no mesmo período. A má alimentação não é o único motivo para desencadear a obesidade, já que ela é uma doença multifatorial e pode ser causada por diversos fatores, entre eles alterações endócrinas ou algum trauma sofrido na infância, por exemplo.

Muitas pessoas julgam aqueles que estão acima do peso como não saudáveis e desleixados,  mas a professora Ana Paula explica que não é bem assim. “É preciso analisar a história clínica, exames, pra saber como aquela pessoa está. Ela pode estar acima do peso e não necessariamente doente”, explica. Segundo a profissional, a pessoa pode estar acima do peso e ter uma alimentação saudável, unindo práticas saudáveis, como exercício físico.

A mudança nos padrões de saúde do brasileiro já estão acontecendo. De acordo com pesquisa realizada com 2.406 brasileiros pela Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste), 80% das pessoas têm a consciência de que precisam mudar os seus hábitos alimentares. Esse tipo de transição no cotidiano pode estar relacionado ao aumento da expectativa de vida do brasileiro, que chegou a 72 anos e 5 meses para os homens e 79 anos e 4 meses para as mulheres.

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