“Ghosting”: o fim de relacionamentos na era digital

Por Cadu Vasconcelos

Em uma época em que relacionamentos começam por meio de sites e aplicativos, a prática de Ghosting (palavra derivada de ghost, que significa fantasma, em inglês) se torna muito comum. Esse fenômeno é visto em plataformas de mensagens e nas redes sociais, e consiste em ignorar, bloquear e tratar outras pessoas como se fossem invisíveis. Essa prática segue aumentando entre os millennials – nascidos entre 1979 e 1995, também chamada de geração Y.

De acordo com o artigo publicado pela revista Fortune, em 2014, 78% da geração do milênio já foi vítima de ghosting, pelo menos uma vez. Outro estudo recente, publicado em 2018 pela BankMyCell, distribuidora de telefones celulares nos EUA, mostra que entre os millennials, o principal motivo apontado para as pessoas praticarem ghosting é a facilidade para evitar  conflitos com o parceiro.

A pesquisa também apresentou uma comparação entre homens e mulheres, visto que, 82% do público feminino já se envolveu com ghosting, contra 71% do público masculino. O objetivo do estudo é examinar a popularidade dos fantasmas e os motivos mais comuns pelas quais as pessoas resolvem “fantasiar” alguém.

Causas

Alessandra Oliveira, 35, professora e coordenadora do curso de Publicidade e Propaganda da Universidade de Fortaleza (Unifor), explica os motivos por trás desse comportamento. Ao contrário dos relacionamentos reais, os virtuais são mais fáceis de entrar e sair. “Indivíduos aderem ao processo de um término pelas redes sociais, porque a relação visual é custosa. Se o indivíduo tiver uma reação negativa, ele vai ter que responder na hora. Enquanto nas redes sociais você tem ali uma malha que separa as pessoas e te protege”.

A professora aponta que, nesse caso, muitos cometem essa prática para se distanciar e não gerar a sensação de comprometimento. Como consequência, as relações acabam se tornando mais efêmeras, tanto por relações amorosas, quanto por relações de amizade. “As relações são mais fáceis de serem dissolvidas, o que nos deixa sempre solitários, por mais que temos uma lista enorme de pretendentes ou pessoas que podemos dar um match ou descartar”, observa.

Consequências do dano

Elias Candéa, estagiário do último semestre em psicologia, atende no Programa de Apoio Psicopedagógico (PAP) e esclarece como o comportamento de ser ignorado nas redes sociais afeta a mente, confira:

“Uma forma de se proteger”

Para Thais Rodrigues, 26, estudante, a vontade de stalkear – palavra derivada de stalker (perseguidor) do inglês –  alguma foto ou perceber que a pessoa está ficando com outras pessoas pode ser evitada com o ghosting. “A gente se sente meio triste quando vemos que estamos bloqueados por outra pessoa. Fiquei meio sem entender de início, mas depois compreendi. Foi uma forma da outra pessoa se proteger e não se magoar”, relata.

Ela também diz que a prática de ghosting a ajudou a não ter contato com a realidade da outra pessoa. “Com o tamanho de coisas que as outras pessoas postam na internet, fica difícil não se magoar com algo. As redes sociais facilitam essa prática, você acaba filtrando pessoas da qual você não gosta”, confessa a estudante.

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