50 anos do último show não são suficientes para esquecer os Beatles

Por Laís Maia

Há 50 anos, os integrantes da banda Beatles faziam o seu último show no terraço do edifício do escritório da sua gravadora, a Apple, em Londres. O evento surpresa acabou por se tornar a mais conhecida e icônica apresentação de suas carreiras. Depois de quase três anos fora do palco, aquele seria o último show dos garotos de Liverpool, como também eram conhecidos.

Formada na Inglaterra, a banda britânica de rock ficou famosa em todo o mundo e influenciou uma geração inteira. O seu impacto na indústria musical criou o que a imprensa britânica denominou de Beatlemania, termo usado para descrever o delírio causado pelos fãs da banda, principalmente entre garotas adolescentes anos 1960s. Anos depois, a palavra ganhou um significado mais abrangente e passou a se referir ao interesse pelo Fab Four – quarteto fabuloso, em tradução livre do inglês.

Durante os quatros anos de formação, a banda de John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr acumulou 13 discos e continua influenciando o cenário musical mesmo após cinco décadas.  

Inovações

A banda ficou conhecida por trazer inovações para o cenário musical como, por exemplo, a criação dos videoclipes. Eles perceberam a necessidade deste suporte cinematográfico após a forte demanda de shows e entrevistas na época, assim, eles poderiam enviar o material para as emissoras e garantir mais tempo em suas agendas. Confira outras inovações da banda no infográfico abaixo.

Infográfico: Rafaela Alves.

Beatlemania

Este termo expressava a paixão de milhões de jovens pela banda que se tornou febre mundial. Mesmo com o fim do grupo no ano de 1970, os Beatles não caíram no esquecimento. Seus discos ainda registram números históricos de vendas, com mais de 1 bilhão de cópias vendidas em todo o mundo. No Brasil, este número tem o alcance de 500 mil cópias.

Se, na época, os Beatles eram uma afronta aos pais, atualmente o gosto pelas músicas da banda é passada por gerações. Beatriz Irineu e Clara de Carvalho, ambas universitárias do curso de Jornalismo, fizeram tatuagens como forma de expressar o sentimento em relação à banda. “Essa tatuagem significa muito pra mim, porque Blackbird é a minha música preferida. Quando a gente, eu e meu irmão, estávamos crescendo, a minha mãe colocava essa música para tocar”, comenta Beatriz.

A estudante revela que escuta o programa “Frequência Beatles” desde os 10 anos de idade, e foi a partir dele que descobriu o significado da música.

“A minha tatuagem dos Beatles representa tudo o que eu sou desde os meus 10 anos de idade e ela é uma prova de que a Beatlemania é uma coisa atemporal”, revela Clara.

Confira o relato das estudantes abaixo.

Frequência Beatles

Nelson comanda o programa de rádio. Foto: Laís Maia.

“Eu acho que eles estavam no local certo na hora certa”, diz Nelson Augusto, jornalista que comanda o programa de rádio cearense “Frequência Beatles” há 29 anos. O projeto é destinado às músicas da banda. O interesse de Nelson pelos cantores britânicos surgiu logo na infância, a partir de um disco de orquestra dos Beatles comprado pelo pai. “Aos domingos, ele reunia os amigos pra ouvir música e tomar umas cervejas, e eu era criança, ficava lá pelo meio brincando, ouvindo aquelas músicas. Depois que ele comprou essa coleção que veio essa orquestra tocando a música dos Beatles foi um pouco diferente”, relembra.

Ao se mudar para Fortaleza, o beatlemaníaco se interessou por músicos cearenses, mas sempre em paralelo com a música da banda britânica. Nesse contexto, ele conheceu Vera Santiago, atual colaboradora do programa. “A partir daí, foi uma paixão maior porque a gente se reunia para ouvir só música dos Beatles”, comenta.

Após terminar a sua participação no programa “Música de Todo Mundo”, das Casas de Cultura da Universidade Federal do Ceará (UFC), o jornalista teve a ideia de preencher o horário com discos representantes de diversos países. Logo depois, surgiu o ‘embrião’ do que viria a ser o ‘Frequência Beatles’, após sua sugestão de usar apenas música dos Beatles.

O atual nome veio depois do primeiro show de Paul McCartney no Brasil, em 1990. A ideia foi de um amigo, para que o programa tivesse uma conexão com o conteúdo apresentado. “Quando eu ouvi esse nome, eu achei uma coisa mágica”, acrescenta.

O Frequência Beatles existe há 29 anos. Foto: Laís Maia.

Atualmente, o programa também conta com Francisco Parente, responsável pelos quadros “Carreira Solo” e “Beatles Cover”; e, Carlos Roberto que comanda o quadro “Beatles Bootlegs”, constituído de gravações alternativas que não foram lançadas oficialmente. Além disso, há Fábio Parente, responsável pelos textos do quadro “O Foco da Semana” e Charles Lennon, que faz as artes gráficas e captura sons e imagens raras da banda na internet. O programa ainda conta com a colaboração da professora de Inglês da Universidade Estadual do Ceará (UECE) Vera Santiago, que apresenta o quadro “Letras Comentadas”, no qual traduz as canções do grupo.

Um comentário em “50 anos do último show não são suficientes para esquecer os Beatles

  • 1 de maio de 2019 em 08:00
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    Esse programa faz parte das nossas vidas… Parabéns ao Nelson Augusto, a todos que fazem parte do Frequência Beatles e a você pela maravilhosa matéria.

    Resposta

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