+5 livros-reportagens brasileiros

Por Fayher Lima

Acontecimentos de grande repercussão na mídia viram temas de diversos  livros-reportagens. Com o passar da cobertura imediata, jornalistas e autores têm mais tempo para aprofundarem o assunto, transformando os livros-reportagens em obras ricas em detalhes e informações. O jornalismo diversional, como é classificado, é uma opção de lazer e aprendizagem para os leitores. A linguagem literária deixa os acontecimentos reais parecendo histórias de ficção, proporcionando entretenimento e conhecimento aos leitores.

Confira cinco livros-reportagens brasileiros escritos por jornalistas mulheres.

Holocausto Brasileiro

Capa do livro “Holocausto Brasileiro” de Daniela Arbex

O livro “Holocausto Brasileiro” discorre sobre o Hospital Colônia, de Barbacena, em Minas Gerais, manicômio que foi cenário do maior genocídio do Brasil, onde 60 mil internos morreram vítimas do descaso do hospício. Daniela Arbex, inspirada pelas fotos de Luiz Alfredo, reúne documentos, fotografias e relatos de autoridades, sobreviventes e ex-funcionários do Hospital Psiquiátrico. Cerca de 70% dos internos não possuíam diagnóstico psicológico, eram indivíduos marginalizados pela sociedade. Ao ingressar no manicômio, os pacientes perdiam a identidade, ganhando novo nome escolhido pelos funcionários, viviam em situação de abandono, tortura e escravidão. Daniela Arbex foi a primeira jornalista a contar a história do Hospital Colônia a partir de relatos dos sobreviventes. A primeira edição de “Holocausto Brasileiro” vendeu mais de 300 mil exemplares. Em 2019, o livro foi relançado com um posfácio inédito.

 

A praga

Capa do livro “A Praga” de Manuela Castro

A obra “A Praga” relata sobre a hanseníase no Brasil, doença mais antiga da humanidade. A autora, Manuela Castro, reúne relatos sobre o diagnóstico e tratamento dos enfermos, que ficaram isolados em leprosários, mesmo após a descoberta da cura da enfermidade. O livro ainda mostra os desafios dos sobreviventes para reconstruírem suas vidas e a luta que enfrentam pelo fim do preconceito acerca da doença. A obra dá visibilidade a uma doença muito temida. Atualmente, o Brasil é segundo país do mundo com maior número de novos casos de hanseníase, de acordo com os dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2018.

 

 

 

 

Presos que menstruam

Capa do livro “Presos que menstruam” da escritora Nana Queiroz

Escrito por Nana Queiroz, “Presos que Menstruam” aborda o funcionamento do sistema carcerário brasileiro para mulheres. O livro reúne depoimentos de detentas que revelam casos de abusos físicos e mentais dos quais foram vítimas em prisões do Brasil. Mulheres grávidas e mães que vivem com seus filhos em presídios falam sobre suas experiências e como as penitenciárias agem nesses casos. Entre as presidiárias entrevistadas por Nana Queiroz estão mulheres que foram presas por roubar comida, mães abandonadas que acharam na criminalidade uma saída para sustentarem seus filhos e esposas que foram coagidas pelos maridos a entrarem no mundo do crime.  Apesar do perfil dessas mulheres, o livro não as desculpabiliza, ele mostra que os crimes cometidos não justificam os abusos pelos quais as presas são submetidas.

 

 

Todo dia a mesma noite

Capa do livro “Todo dia a mesma noite”, de Daniela Arbex

Em “Todo dia a mesma noite” a jornalista Daniela Arbex reconta o incêndio que vitimou 242 jovens na Boate Kiss, em Santa Maria, Rio Grande do Sul. A partir de relatos de sobreviventes, familiares e amigos das vítimas , a autora recria o incêndio e o dia que antecedeu a tragédia em janeiro de 2013.  O livro revela que, em meio à comoção nacional, algumas famílias enfrentaram o julgamento de religiosos da cidade ao velarem e enterrarem seus entes. Rica em detalhes, a obra descreve a participação da equipe multidisciplinar que atuou no dia do incêndio e nos anos que o sucederam. Lançado 5 anos após o incidente, o livro mostra como vivem  os afetados pelo fogo da Kiss e que o crime ainda está marcado pela impunidade.

 

 

 

 

O olho da rua

Capa do livro “O olho da rua” da escritora Eliane Brum

A jornalista Eliane Brum reúne 10 reportagens emocionantes sobre várias vertentes do Brasil: doença, desigualdade social, abandono familiar e outras problemáticas do país. Entre as reportagens que compõem a obra está a história de Ailce de Oliveira, uma senhora  diagnosticada com câncer que teve seus últimos 115 dias de vida contados pela jornalista. O livro ainda retrata a realidade de idosos que vivem em asilos, a angústia de uma mãe que perdeu dois filhos para o tráfico e já pagava o caixão do terceiro, e outras narrações. A obra de Eliane Brum contém um relato pessoal sobre o processo de elaboração de cada reportagem.

 

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