Raios em Fortaleza deixam população em alerta

Por Thomás Regueira

Nos últimos meses de 2019, o Ceará tem passado por um período intenso de chuvas. De acordo com a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), em Fortaleza, as chuvas foram acima do esperado para aquele período, principalmente no mês de março, em que o maior grau de precipitação registrado foi de 679,3 milímetros, mais do que o dobro do esperado.

Por causa do clima chuvoso, houve um aumento na quantidade de raios no Estado. De acordo com dados do Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), foram registrados cerca de 15 mil ocorrências de raios apenas este ano.

Mapa de chuvas no Ceará de março de 2019. Fonte: Funceme

Após a morte da surfista cearense Luzimara Souza, 23, no dia 27 de março, por um raio na praia da Leste-Oeste, em Fortaleza, a preocupação da população com as descargas vindas do céu cresceu consideravelmente. Apesar da pouca preocupação com o tema manifestada pelos cearenses anteriormente, o Brasil é o país com maior incidência de raios do mundo. Onde o estado do Ceará ocupa a 19ª posição no ranking nacional de incidência de raios em relação aos demais estados brasileiros, conforme dados do Elat.

Como se forma um raio

O raio é uma descarga elétrica que ocorre na atmosfera e é acompanhada pelo relâmpago (a “luz”) e pelo trovão (barulho estrondoso). Começa desde a formação das nuvens de tempestade, onde íons com carga positiva se acumulam e atraem carga negativa transportada nas correntes de ar. Essa movimentação constante de cargas gera energia e, consequentemente, um campo elétrico na nuvem.

As descargas elétricas entre as nuvens e o solo ocorrem de maneira similar à descarga entre nuvens. Quando há uma diferença de polaridade (positivo e negativo) entre a nuvem e o solo, raios podem ser direcionados rumo ao solo. A incidência dos raios vai depender da presença de objetos condutores de eletricidade, como aparelhos eletrônicos. Entre os principais instrumentos de proteção de raios, está o para-raio, utilizado, principalmente, em construções.

Como se formam os raios. Fonte: Portal do Estadão

Para quem vai trabalhar ou estudar todo dia e tem que enfrentar a chuva protegido somente por uma sombrinha, surge a curiosidade se está bem seguro dessa ameaça.  Com a comunidade da Universidade de Fortaleza (Unifor), não é diferente.

Desde a morte da sufista, os raios e trovões voltam sempre às conversas. Luiza Borges, 18, estudante de Arquitetura da Unifor, conta que não cresceu com medo de raios mas que, mesmo assim, tem um certo receio. “Quando eu tô na rua e começa a trovejar fico apreensiva de sair do meu carro. Geralmente, vou de casa pro shopping ou para casa de alguém, lugares que eu sei que têm para-raio. Aí, eu fico tranquila”, relata. Já Ana Célia, 19, aluna de Odontologia, conta que tem medo, mas, mesmo assim, não toma medidas de proteção. “Saio de casa só com guarda-chuva mesmo. Em relação a raio, não faço nada”, comenta.

De acordo com o Departamento de Manutenção e Obras (DMO), todas as construções da Unifor, incluindo blocos de salas de aulas e prédios administrativos, como a biblioteca e o centro de convivência, possuem para-raios instalados. Os últimos prédios reformados, como o Bloco H por exemplo, tem uma melhor estrutura de para-raios. No entanto, melhorias são feitas constantemente e não representam riscos de incidência de raios dentro das instalações e do campus.

Infográfico: Thomás Regueira

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