Pesquisas mostram crescimento do trabalho voluntário: saiba onde encontrar em Fortaleza

Por Luana Façanha

Os projetos voluntários podem acarretar várias mudanças, principalmente na vida de quem os pratica. Estudos, relatos e organizações comprovam que doar um pouco de tempo e energia para dedicá-los ao meio ambiente, às pessoas e aos animais podem trazer sensações únicas de felicidade e realização. Comemorado nacionalmente no dia 28 de agosto e 5 de dezembro internacionalmente, o voluntariado apresenta estatísticas crescentes e é praticado por vários grupos em Fortaleza.

O voluntariado no Brasil

De acordo com o portal da Organização das Nações Unidas (ONU), o voluntário é aquela pessoa que “devido ao seu interesse pessoal e seu espírito cívico, dedica parte de seu tempo, sem remuneração, a diversas formas de atividades de bem estar social ou outros campos”. Pesquisa divulgada pela Agência de Notícias do IBGE explica que 6,5 milhões de pessoas no Brasil faziam trabalho voluntário em 2016, sendo em sua maioria mulheres. Também mostra as porcentagens de voluntariado em cada região, sendo as maiores taxas nas regiões Norte e Sul. O Nordeste apresentou a menor taxa.

Pesquisa apresenta taxas do voluntariado por região. Fonte: Agência de Notícias IBGE.

Estudo realizado pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD Contínua) no módulo Outras Formas de Trabalho em 2016, mostra crescimento em 2017, de acordo com o portal Agência Brasil. Alessandra Brito, pesquisadora do IBGE, reforça a tendência de crescimento nas pesquisas. “Agora que a gente começou a divulgar o que é, para PNAD Contínua, trabalho voluntário, as pessoas começaram a se perceber fazendo: que não é só ONG, mas por exemplo, aquele que sempre ajuda o vizinho, seja trocando uma lâmpada, ou com outros serviços”, declara a Agência de Notícias do IBGE. O portal revela que 91,5% dos voluntários atuam em ONGs e empresas, enquanto o restante o faz por meio de ações individuais.

Os benefícios em participar de ações voluntárias

Infográfico por: Rafaela Alves

Experiências

Jovens pela Diferença

Ester Farias, 20, fotógrafa e estudante do curso Publicidade e Propaganda da Universidade de Fortaleza (Unifor), coordena o projeto Jovens pela Diferença. Participa desde a sua criação por convite de uma amiga e conta que a atividade a ajudou a exercer a liderança. “Eu via o voluntariado como algo distante, algo bonito mas distante de minha realidade, pois eu não tinha nenhuma experiência na área, não sabia por onde começar, nem a quem recorrer. Como algo que só os outros pudessem fazer, e eu, no máximo, dar apoio”. Acrescenta Acredita que com  a experiência, a sua visão mudou. “Eu fui percebendo que o pouco que a gente faz, faz muita diferença, e pode partir de qualquer um. Aquele pouco, significa muito. E entrar no Jovens pela Diferença me fez perceber isso de forma literal”. Para a estudante, saber da possibilidade de fazer diferença tanto para os beneficiados, como para os próprios voluntários, a fez entender o quanto esse pouco pode significar.

Ester reforça que outro motivo que a levou para o voluntariado foi para desenvolver algo que ela chama de “consciência empática”, uma consciência que se desenvolve a partir de algumas vivências, permitindo mudar a visão de mundo, prioridades e o faz pensar mais nas necessidades coletivas ao invés das individuais.

Jovem Voluntário

Marianna Veras, 21, estudante de Psicologia, entrou no primeiro semestre de 2019 no Jovem Voluntário, projeto organizado pela Universidade de Fortaleza. Ela visita o lar Torres de Melo, instituição voltada para o cuidado das pessoas idosas, e conta sobre a sua experiência. “Uma coisa que me falaram uma vez, é que quando você entra no voluntariado você não sai mais, e é verdade. É lindo, incrível. Você chega no local com o coração transbordando de alegria, e sai com ele, também, transbordando de alegria, porque você doa o mínimo: como tempo, atenção, e recebe muito em troca. Estou amando, não poderia estar mais feliz participando do projeto.” Ela diz que entrou no projeto de “coração aberto”, sabendo que seria gratificante.

Projeto Clean

Levir Colares, 20, estudante e estagiário de Arquitetura e Urbanismo da Unifor, é coordenador do Projeto Clean, e conta que o grupo surgiu a partir de uma discussão sobre meio ambiente, e o que os jovens poderiam fazer no combate aos problemas ambientais atuais e futuros. A partir de uma primeira ação de coleta de lixos nas praias, o projeto se consolidou.

“A partir do momento em que você se torna voluntário, você dá parte do seu tempo e boa vontade em prol de algo. Você não irá receber uma quantia em troca, e esse trabalho vale a pena, porque estamos cuidando de um futuro bem próximo, e tendo empatia com a próxima geração, querer que o planeta também pertença a elas”. Ele explica que acha o voluntariado uma forma de mostrar o que há de “humano” nas pessoas. “Quando uma pessoa vai de coração, o trabalho voluntário pode ser uma forma de conhecimento, e autoconhecimento, independente da área em que o projeto trabalhe”.

Uma das organizadoras do Clean, Bruna Sales, 19 anos, também estudante de Arquitetura e Urbanismo da Unifor, conta que participar do projeto a ajudou a se tornar uma pessoa mais consciente e a estimulou a buscar mais informações. Acredita que participar de um projeto voluntário ajuda a se conectar com pessoas e temas importantes.

“Acho que há uma sensação de dever cumprido, que fizemos nossa parte, que fizemos o que podíamos para que as coisas dessem certo”, diz Larissa Cajado, de 19 anos, também estudante de Arquitetura e outra das organizadoras do Projeto Clean. A estudante diz que o projeto pretende fazer com que as pessoas enxerguem com outra perspectiva o mundo em que vivemos e promover a conscientização.

Infográfico por: Rafaela Alves

Alguns Grupos de Fortaleza para Participar

Grupo Jovem Voluntário

Contato: @jovemvoluntario

Projeto Clean

Contato: @projeto_clean

Jovens pela Diferença:

Contato: @jovenspeladiferença

Instituto Meraki:

Contato: @institutomeraki

Risonhos:

Contato: @ongrisonhos

 

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