Mulheres lutam por mais espaço no mercado cinematográfico

Por Gabriel Lopes

Nos últimos anos, as mulheres vêm ganhando protagonismo em grandes produções cinematográficas de Hollywood, como em Mulher Maravilha, Capitã Marvel e A Favorita. Porém, segundo o levantamento da New York Film Academy (NYFA), esses filmes ainda são exceções nesta indústria. A pesquisa analisou 500 obras cinematográficas, exibidas entre 2007 e 2012, e mostrou que apenas 30,8% das personagens com falas eram mulheres. Além disso, somente 10,7% dos filmes tinham, no mínimo, metade das personagens femininas.

O levantamento da NYFA também expôs que 26,2% dos filmes mostravam mulheres parcialmente nuas, enquanto apenas 9,4% faziam o mesmo com homens. Essa estatística indica a sexualização existente em muitos papéis femininos nas produções visuais.

Infográfico: Halleyxon Augusto.

Uma maneira de medir a representatividade feminina nos filmes é por meio Teste de Bechdel, criado pela cartunista norte-americana Alison Bechdel em 1985. Para passar no teste, o filme deve atender três requisitos: ter duas personagens mulheres com nomes, que conversem entre si em uma cena e que o diálogo seja sobre algo que não se refira a um homem. Apenas 34 filmes vencedores do Oscar de Melhor Filme passaram no teste ao longo dos 91 anos da premiação.

Cenário das atrizes

A atriz Larissa Góes, 24, relata situações nas produções cinematográficas que demonstram a construção do feminino por meio de estereótipos. “Houve um trabalho que fiz onde o protagonista sempre teve a casa desarrumada. Depois que ele encontra o amor de sua vida (mulher) e passam a morar juntos, a casa então é reparada, sustentando a ideia de que os afazeres domésticos são de responsabilidade da mulher”, conta.

A atriz Larissa Góes em um de seus trabalhos. Foto: Arquivo pessoal.

Apesar disso, a atriz se vê motivada para continuar na profissão, principalmente por ter referências bem-sucedidas, como a atriz Fernanda Montenegro. “O atual cenário fortalece ainda mais a minha vontade de fazer cinema, de estudar, de ganhar espaço profissional e, consequentemente, [espaço] político e representativo”, comenta.

Larissa dá sugestões para o aumento da participação feminina nas produções cinematográficas. A atriz acredita que os cursos disponíveis de atuação e produção são um bom começo para quem está iniciando na profissão. Outra medida importante para que as mulheres continuem ganhando mais espaço nesta indústria é a divulgação  de trabalhos feitos por mulheres, pois gera incentivo para que outras possam investir na área. “Claro, é apenas um começo, mas toda linha de chegada tem o seu primeiro passo”, articula.

 

“Toda linha de chegada tem o seu primeiro passo” (Larissa Góes, atriz, 24)

 

Mulheres na produção

De acordo com a pesquisa do NYFA, em relação à participação feminina na produção de filmes, ocorre um aumento de 10,6% no número de personagens do sexo feminino quando os filmes são dirigidos por mulheres. Quando a roteirista é mulher, o número de personagens femininas cresce 8,7%.

A cineasta Isabel Vale, 21, explica que este crescimento acontece pela necessidade de inclusão das mulheres no meio cinematográfico. “Por anos, eles [homens] foram, e ainda são, a maioria na produção. Foi só as mulheres conquistarem mais espaços que ampliaram a chegada de outras [mulheres] ”, aponta.

A cineasta também fala da necessidade de uma postura ativa das mulheres, para que elas possam ganhar mais espaço nos trabalhos audiovisuais. “Não podemos esperar que os homens nos abram as portas que sempre estiveram fechadas. Com a participação, conscientização, organização e unidade entre as mulheres, vamos transformando o audiovisual em um meio mais feminista”, afirma.

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