Filme sobre a vida de Martin Luther King aborda a luta pela igualdade

Por Cadu Vasconcelos

Dirigido por Ava Duvernay e escrito por Paul Webb, o filme “Selma, uma luta pela igualdade” (Selma), é baseado em fatos reais e retrata a luta do ativista político Martin Luther King Jr. e seus seguidores pelo direito civil da população negra nos Estados Unidos da América (EUA). O longa se passa na década de 1960, época em que a repressão era elevada, mas por meio da resistência do povo negro muitos direitos foram conquistados. A obra rendeu indicações ao Oscar e Globo de Ouro, sendo ganhador do prêmio de melhor canção original pela música “Glory” nas duas premiações.

O filme tem início após King ter ganhado o prêmio Nobel da Paz em 1964, quando se sente insatisfeito com a dificuldade do negro durante o período eleitoral. Mesmo tendo direito por lei, muitos passavam por diversos constrangimentos e processos burocráticos para terem licença ao voto. Diante desse empecilho, King fala com o presidente Johnson dos Estados Unidos para criar uma lei que oferecesse mais igualdade e liberdade a população negra, entretanto, o pedido foi negado.

Durante o filme, é possível notar a forte segregação racial existente nos EUA na época, como na cidade de Montgomery, onde os motoristas de ônibus tinham de ser brancos e as pessoas negras só poderiam ocupar as últimas cadeiras. Martin começou sua luta dentro desses coletivos depois da prisão de Rosa Parks, uma mulher negra e costureira que negou ceder sua cadeira para uma pessoa branca.

O curta aborda principalmente as marchas ocorridas da cidade de Selma até Montgomery, capital do Alabama, na busca da criação de uma nova constituição. Martin chegou na cidade de Selma, local com bastante manifestantes negros, que durante o protesto foram barrados pela polícia. Após esse cenário, ele decide fazer um pedido e convidar não somente pessoas negras, mas pessoas brancas que apoiavam a causa. Esse plano deu maior visibilidade à manifestação, chamando atenção do governo.

 

Preconceito ainda presente

No dia 21 de março foi comemorado o Dia Internacional de luta pela eliminação da Discriminação Racial. O filme lançado em 2014, nos Estados Unidos, discute um tema ainda recorrente, crimes de ódio. Essa violação contra a população negra perdura até hoje.

Segundo a matéria da BBC publicada em 2018, nos EUA, 59,6% desses incidentes foram motivados por preconceito contra raça, etnia ou ascendência. De acordo com o relatório divulgado na publicação, o FBI define crimes de ódio como uma “ofensa criminal contra uma pessoa ou propriedade motivada, no todo ou em parte, por um preconceito contra uma raça, religião, deficiência, orientação sexual, etnia, gênero ou identidade de gênero”.

Discurso histórico

Martin Luther King Jr. foi uma da figuras mais importantes da história dos Estados Unidos na luta contra a opressão racial. Atualmente suas frases motivam e inspiram milhares de pessoas pelo mundo. Em seu célebre discurso, “I have a dream” (tradução literal do inglês para “Eu tenho um sonho”) King exprime para centenas de pessoas, que se identificam com a causa, sobre seus desejos para a nação.

“Eu tenho um sonho que um dia, até mesmo no estado de Mississippi, um estado que transpira com o calor da injustiça, que transpira com o calor da opressão, será transformado em um oásis de liberdade e justiça. Eu tenho um sonho que minhas quatro crianças vão um dia viver em uma nação onde elas não serão julgadas pela cor de sua pele, mas pelo conteúdo de seu caráter. Eu tenho um sonho hoje!”.

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