Surto de sífilis ainda preocupa a população

Por Cadu Vasconcelos e Gabriel Lopes

Em períodos de festas como o  Carnaval, muitas pessoas tendem a ter mais relações sexuais com parceiros diferentes, e a propagação de doenças sexualmente transmissíveis (DST) também tende aumentar devido à falta de prevenção da população. Uma categoria de doença sexualmente transmissível (DST), a sífilis, vem infectando cada vez mais pessoas. Esta doença, causada por uma bactéria, pode desencadear infertilidade e morte.  Nos últimos anos, a incidência da doença teve um aumento de 32,7% entre 2014 e 2015, de acordo com dados do Ministério da Saúde.

Rosa Ângela, 56, enfermeira, epidemiologista e coordenadora do Centro de Testagem e Acolhimento (CTA) – referência na prevenção e tratamento de DST – explica como a sífilis age nas pessoas.  Ela afirma que a doença é assintomática, ou seja, não apresenta nenhum sinal durante a primeira fase. “Ela está alojada no seu organismo. A qualquer momento ela pode deslanchar. Quando estiver na fase terciária, atinge o coração, ossos, e aí a pessoa não se dá conta disso, acha que é besteira”, explica.

Infográfico feito por Halleyxon Xavier. Fonte: Ministério da Saúde

Outra categoria da doença é a sífilis congênita, transmitida durante o parto. A falta de precaução das mães pode aumentar as chances delas contraírem a doença. “As mães adolescentes engravidam muito cedo e não tem consciência do que é a gravidez, não fazem o pré-natal, só vão pro hospital na hora de ter o bebê. Aí descobre-se que ela tem sífilis e, às vezes, até o HIV”, alerta Rosa.

Rosa Ângela, enfermeira e epidemiologista. Foto: Cadu Vasconcelos.

A epidemiologista explica que a falta de sintomas iniciais e o medo do tratamento acabam alastrando a sífilis entre as pessoas. A medicação para combater a infecção é feita com o antibiótico benzetacil e dificulta a aceitação do tratamento. “A pessoa se amedronta pra tomar, o companheiro acaba não querendo tomar, porque é assintomático, então é muito difícil de convencer, por isso ela se alastra tanto”, comenta.

Rosa também explica que todas as pessoas com vida sexual ativa são suscetíveis ao contágio da infecção. Ela afirma que não há grupo de risco evidente. “Porque existe preservativo pra pessoa se prevenir e ela não usa. Então, qualquer que seja a pessoa, [ela] está em risco. A partir do momento que a pessoa transa, ela está no grupo de risco”, opina.

Tratamento

Existem nove centros de tratamento localizados em Fortaleza, os SAEs (Serviço de Atenção Especializada). Eles servem como pontos de apoio para pessoas infectadas com DST’s e são formados por uma equipe multidisciplinar, que atua na identificação e tratamento dessas doenças. Um desses centros de apoio está situado no NAMI (Núcleo de Atenção Médica Integrada), da Universidade de Fortaleza (Unifor). Além de fornecer medicamentos para o tratamento de pacientes soropositivos, o NAMI também trata a sífilis. Segundo a farmacêutica Djamile Matos, 37, é comum o paciente ser diagnosticado com HIV e sífilis.

A farmacêutica relata a facilidade do acesso ao tratamento nos postos especializados, devido a gratuidade dos medicamentos. “A medicação é completamente gratuita e distribuída pelo Governo Federal, ela não pode ser comercializada em farmácias comerciais, você pode até encontrar na internet, mas o preço é tão alto que não compensaria”, destaca.

O Jornalismo NIC fez um mapa com os locais disponíveis para o tratamento da sífilis em Fotaleza. Confira!

Convivendo com a Sífilis

Francisco (nome fictício), 23, foi um dos infectados pela sífilis. O estudante descobriu a doença em janeiro de 2019, quando ela já estava na segunda fase e os sintomas estavam aparentes. Ele conta que soube do seu diagnóstico a partir do momento em que a infecção começou a se manifestar. “Eu já sabia que tinha a doença, pois meu corpo estava dando sinais. Eu fiz o exame para confirmar se eu tinha realmente a doença, infelizmente o exame deu positivo. Logo em seguida, recorri ao tratamento no Carlos Ribeiro e fui atrás de tomar a medicação”, relata.

O jovem falou que inicialmente ficou com medo, pois os ferimentos não estavam cicatrizando. Mas, apesar disso, ele ficou mais tranquilo devido ao tratamento, feito no Centro de Saúde Carlos Ribeiro . Segundo Francisco, os funcionários  “deram um bom suporte”, o que o deixou mais consciente do problema.

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