Dança na terceira idade ajuda a manter mente e corpo em harmonia

Por Alexandre Bessa

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o número de  idosos – indivíduo com 60 anos ou mais – chegará a 2 bilhões de pessoas até 2050. Essa estatística representa um quinto da população mundial. Apesar do aumento da expectativa de vida previsto para os próximos anos, é preciso também atentar para a qualidade de vida da terceira idade. Muitos médicos e terapeutas explicam que é necessário inserir exercícios físicos regulares na rotina para alcançar o envelhecimento de maneira saudável. Entre estas atividades, a dança vem se destacando por unir o exercício físico ao lúdico.

Para a psicóloga e assistente social Nise Maria, 52, a dança é umas das atividades mais eficazes para melhorar o envelhecimento. “A ideia é manter corpo e mente em atividade. A dança, assim como o esporte, libera o hormônio da alegria e do bem-estar,  a endorfina”, assegura. A escolha da atividade física deve ser criteriosa, pois o organismo das pessoas mais velhas apresenta diferenças significativas. Nesse caso, a dança é a mais indicada, pois “há ainda um outro benefício: a interação com outras pessoas. A dança exige, na maioria dos casos, um parceiro ou parceira”, acentua.

Graça de Carli. Foto: Lia De Carli.

A aposentada Graça de Carli, 70, incorporou a dança no seu cotidiano e diz se surpreender com o número de idosas que encontra nas pistas de dança. Muitas são, inclusive, suas amigas. “Fui casada durante 41 anos e, aos 60 anos de idade, perdi meu marido. Foi um trauma horrível”, relembra. Graça afirma que, após o falecimento de seu companheiro, ficou sem ânimo e “perdida”. A dança foi um fator importante para ajudá-la a recuperar a sua alegria. “Fiz algumas aulas de dança e logo estava dançando pela primeira vez no Círculo Militar. Achei tudo muito maravilhoso, o local está sempre lotado. Percebo que a procura pela dança e os dançarinos aumentam cada vez mais”, discorre.

Enquanto a dança é a parte principal das saídas noturnas para Graça de Carli, para Irene Bessa Luz, 83, a música é o fragmento mais importante do processo de envelhecer bem e frequentar a vida noturna da cidade. Ela afirma que a música tem o poder de tranquilizar. “Para mim não é nem tanto apenas a dança em si, sabe? Mas a música também é um fator importante. Ela [a música] tem uma importância fundamental no processo de envelhecimento, de não deixar os sentidos adormecidos e permanecer percebendo o mundo a nossa volta”, ilustra, entre risos, a senhora de oitenta e três anos de idade.

Parceiros de dança

Graça De Carli e seu amigo, o dançarino Ed. Foto: Arquivo pessoal.

Como consequência da procura pela dança como atividade, surge a necessidade de encontrar parceiros de dança. Tal demanda pode ser respondida por meio do serviço de dançarinos profissionais ou amadores que se disponibilizam para acompanhar as senhoras. Graça de Carli explica que existe um preço fixo no serviço dos dançarinos que, muitas vezes, nem cobram mais à saída devido à amizade estabelecida entre os parceiros. “Geralmente os dançarinos cobram por volta de 100 a 200 reais por noite [para dançar]. Nós da terceira idade pagamos “meia”. Para mim, não tem preço que pague o serviço deles”, explica.

Além do benefício de praticar uma atividade física, a companhia dos dançarinos também ajuda no bem-estar das mulheres que saem em busca de um momento de descontração nos bailes. “Tenho três dançarinos que, atualmente, considero meus amigos. Todos são como filhos para mim. Quando saio com eles, a noite é sempre repleta de alegria. São rapazes muito respeitosos comigo, me sinto muito segura em suas companhias”, defende Graça de Carli.

Jonas de Araújo dançando. Foto: Arquivo pessoal.

Em outros momentos, os dançarinos podem ser contratados pela própria casa de dança, como explica o jovem dançarino e estudante de direito Jonas de Araújo, 22.  “É muito comum que as senhoras com certa idade procurem dançarinos. Ele [o trabalho] pode ocorrer de duas formas. Numa você é contratado pela própria casa de shows onde o baile vai acontecer e a casa te fornece fichas para que você gaste dançando com as pessoas. A outra forma é ser contratado pelas pessoas específicas, no caso, as próprias senhoras”, clarifica.

Jonas de Araújo expõe que o mercado para quem vive de dança nem sempre é fácil. Ele comenta que, muitas vezes, o profissional fica à mercê de serviços particulares ou das casa de shows. Segundo Jonas, para o dançarino conseguir viver deste ofício, é necessário conhecer todos os ritmos e ter uma ótima reputação no meio. O profissional também frisa a importância da dança na terceira idade. “Na velhice, manter o corpo ativo é essencial, tanto fisicamente quanto para [enfrentar] questões como a auto-estima e a confiança”, exemplifica Jonas.

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