Foliões aproveitam o Carnaval, apesar do clima de violência

Alexandre Bessa e Cadu Vasconcelos

Faltando menos de uma semana para o Carnaval, os fortalezenses se animam para a folia. Mas, apesar do clima de alegria, os foliões se sentem receosos por causa do sentimento de insegurança da cidade, após diversos ataques de facções criminosas no início do ano em Fortaleza. A Secretária de Segurança Pública e Defesa Social de Fortaleza (SSPDS), organizou um plano de policiamento para reforçar a segurança nos locais dos eventos bem como nas principais vias de acesso, Aterro da Praia de Iracema e Praça da Gentilândia são alguns deles. O Jornalismo NIC foi às ruas da cidade para saber qual é o sentimento dos foliões com relação à segurança, organização e infraestrutura.

Naif Said, 23, é contador e frequenta os pré-carnavais da cidade. O folião comenta ter ficado apreensivo para ir aos blocos, após os ataques das facções. “No começo, fiquei preocupado quando recebi o convite para ir para o bloco, na praça da Gentilândia. Porém, ao chegar lá, senti que tinha menos riscos ali do que em algumas outras festas. O público do Benfica e adjacências é muito acolhedor”, afirma.  

O contador vê uma diferença entre a festa na Gentilândia e os novos blocos privatizados que apareceram na cidade. “Em questão de segurança, talvez existam locais melhores. Lembro de ver policiamento apenas em determinados pontos”, acrescenta.

Eduardo Ribeiro, 21, estudante. Foto: Arquivo pessoal.

Para o carnavalesco Eduardo Ribeiro, 21, o esquema de segurança é básico, mas mesmo assim nunca foi assaltado em pré-carnavais. “Os postos [da polícia militar] são ótimos em cada evento para abrigar os policiais, isso melhora a segurança”, analisa.

Alguns foliões possuem medidas próprias de segurança, a fim de evitar furtos como Amanda Cecília,  24, agente de atendimento e assídua frequentadora de pré-carnavais de rua. Amanda mantém o celular sempre escondido e acredita que a maioria das pessoas tenham esse pensamento. “Em um local aberto, a gente nunca vai estar 100% seguro, porque, querendo ou não, estamos sujeitos a qualquer tipo de situação”, avalia.

“Somos um bloco plural”

Os blocos de rua estão se reinventando e novos estão surgindo. O Bloco Hospício Cultural, criado em 2015, é um dos blocos que vem ganhando visibilidade nas ruas e anima foliões no Benfica, bairro histórico da cidade. Apoiado pela Secretaria Municipal de Cultura de Fortaleza (Secultfor), o bloco tem se firmado como um oásis para os amantes de marchinhas, frevo e maracatu. “Fazemos questão de apresentar todas as manifestações de rua, pois acreditamos no potencial de artistas tradicionais e da nova geração musical cearense”, explica o fundador e coordenador do bloco, Gildomar Marinho, 52.

Segundo Marinho, a banda herdou tradições do bloco Sanatório Geral e um pouco da cultura local. O Carnaval feito pelo Hospício Cultural busca dialogar com as famílias e moradores do bairro Benfica. “A dinâmica de trazer novos artistas [ao Carnaval] não só agrega pluralidade para o folião, mas também traz integração cultural para a cidade. Vários artistas começaram aqui conosco, isso expande nossos horizontes”, destaca.

Marcado pela pluralidade, o bloco Hospício Cultural possui uma característica significativa em relação a outros blocos. “Fazemos questão de apresentar todas as manifestações de rua possíveis, acreditamos no potencial tanto de artistas tradicionais quanto de artistas da nova geração musical cearense”, afirma Marinho.

Em pauta

O Jornalismo NIC, em parceria com a Rádio NIC, conversou com Graça Martins, gerente do patrimônio imaterial da Secretaria Municipal de Cultura de Fortaleza (Secultfor), em busca de elucidar questões pertinentes sobre a infraestrutura e história do Carnaval Fortalezense.

“Liberdade que faz brilhar nossa alegria” é o tema do Ciclo Carnavalesco de 2019, definido pela Prefeitura de Fortaleza. Com um enunciado de vasto significado histórico, o objetivo é recuperar a memória da resistência negra no estado do Ceará. As duas principais figuras homenageadas, neste ano, são Tia Simoa e Arnaud Silvério, ambas personalidades de relevância e resistência para a história do Carnaval na cidade.

Confira o Em Pauta de fevereiro:

 

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