Cresce uso de cigarro eletrônico, mas há dúvidas sobre seus benefícios

Por Gabriel Lopes

O hábito de fumar é constantemente combatido por meio de campanhas que visam mostrar os danos do cigarro na vida dos usuários. As altas taxas de impostos e a publicidade negativa nas carteiras de cigarro contribuem para a diminuição do número de fumantes no Brasil. Porém, o cigarro eletrônico, também conhecido como vaporizador, vem atraindo vários fumantes nos últimos anos pelo mundo, especialmente o público jovem. Este fato deve-se principalmente à redução de danos que pode causar, embora existam questionamentos em relação aos benefícios que o uso do cigarro eletrônico pode trazer em comparação ao cigarro convencional.

O cigarro eletrônico diferencia-se do tradicional em alguns aspectos. O convencional utiliza a queima do tabaco e inclui monóxido de carbono em sua composição. Já o eletrônico funciona a partir do aquecimento da nicotina líquida e não contém monóxido de carbono em sua composição. Além disso, pode-se utilizar essências aromáticas no vaporizador.

Momento no qual o cigarro eletrônico é abastecido com nicotina. Fonte: Blog do Vapor.

O médico pneumologista Ivo Antônio Mendes de Menezes, 28, explica que o cigarro eletrônico foi criado inicialmente como uma opção na terapia de reposição de nicotina, além de ser uma alternativa para a redução dos efeitos danosos dos fumantes. Ele alerta sobre a composição do dispositivo, pois “não existe uma fiscalização adequada sobre a sua composição e várias das substâncias presentes no cigarro convencional já foram flagradas na composição do cigarro eletrônico”. Além disso, ele também adverte quanto às consequências na saúde. “O modelo eletrônico traz  novas substâncias que não se sabe que efeito causará em seus usuários com o uso prolongado”.

Sobre os benefícios do vaporizador, o médico fala que ele é eficaz para pacientes que buscam reduzir o consumo de cigarro convencional. “Alguns estudos têm demonstrado que em pacientes que já eram tabagistas, o cigarro eletrônico foi capaz de reduzir os sintomas de abstinência e assim teve benefício em reduzir o número de cigarros diários do usuário, como também elevou a taxa de pacientes que conseguiram largar o cigarro convencional”, aponta.

Contudo, segundo o médico, existem alternativas mais comprovadas para a cessação do tabagismo. “Vale ressaltar que os cigarros eletrônicos não estão incluídos nos manuais brasileiros de cessação do tabagismo e que existem várias alternativas terapêuticas com comprovação científica disponíveis para auxiliar as pessoas que desejam parar de fumar”, comenta.

Motivação dos usuários

Os argumentos dos usuários do cigarro eletrônico são vários. Dentre eles, a saúde, a sensação posterior e o status. O estudante Matheus Accioly, 22, utiliza regularmente o vaporizador e alega alguns motivos para esse consumo. “O cigarro eletrônico me fez tirar de vez a vontade de fumar cigarro convencional, que possui bem mais substâncias tóxicas. Sei que é prejudicial, mas passa bem longe dos problemas causados pelo cigarro [convencional]”, justifica.

O estudante Gabriel Teixeira, 22, diz ter sido influenciado por amigos próximos para iniciar o uso do cigarro eletrônico. “Iniciei com a curiosidade, por ter amigos que tinham. Aí, você pede para ver como é que é, acha legal e tem  vontade de comprar um para você. Eu comprei inicialmente o mais básico, o mais simple. Depois disso, ganhei de presente o que eu tenho hoje, que é melhor, e depois que ganhei o atual de presente”, conta.

Os modelos de cigarro eletrônico são variados. Foto: Staylit.

Buscando explicar o motivo pelo qual tantos jovens estão utilizando o cigarro eletrônico, a psicóloga Larissa Siqueira, 31, diz que o conjunto de características do produto acaba atraindo mais pessoas deste nicho. “Acredito que a mais relevante delas é o nível de menor prejuízo causado pelo cigarros eletrônicos se comparados com os cigarros tradicionais. Então, de um lado temos jovens que em algum momento entraram em contato direta ou indiretamente com as sensações do cigarro – alívio da tensão, convívio social com pares, entre outros – somado ao dano menor à sua saúde”, comenta.

Sobre o aroma agradável, que normalmente faz parte da composição do dispositivo, a psicóloga fala que isso acaba tornando a convivência entre fumantes e não-fumantes mais agradável, incentivando a expansão do uso do vaporizador. Porém, Larissa também alerta sobre os malefícios do uso. “Não podemos esquecer que o cigarro eletrônico é um dispositivo de controle da nicotina – nome da droga que causa dependência –  e os riscos à saúde ainda estão presentes”, alerta.

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