5+ marchinhas de Carnaval que são consideradas preconceituosas

Por Mabel Freitas

Com o Carnaval se aproximando, muitas marchinhas voltam a fazer parte da playlist das festas brasileiras, mas é necessário cuidado na hora de selecionar essas músicas. Entre os anos 1950 e 1960, muitas marchinhas de carnaval foram lançadas com uma conotação machista e homofóbica. Atualmente, vivemos em um período de conscientização política e social, levando muitos jovens a evitá-las e a refletir sobre esse tipo de música, que incita o preconceito com homosexuais, negros e mulheres. O Jornalismo NIC selecionou 5 músicas que contém um duplo sentido preconceituoso.

“Cabeleira do Zezé”

A música “Cabeleira do Zezé”, interpretada por João Roberto Kelly, fez parte da trilha sonora de muitos blocos de carnaval. A música questiona a sexualidade do personagem Zezé. A  frase “Será que ele é?”, repetida várias vezes durante a canção, evidenciam o preconceito disfarçado.

 

“Maria Sapatão”

“[…] de dia é Maria e de noite é João”, é o famoso refrão da música “Maria Sapatão”, de autoria de João Roberto Kelly, mas popularmente conhecida na voz de Chacrinha. Há muitos anos foi música indispensável nas festividades carnavalescas, mesmo menosprezando a orientação sexual do personagem, que se identifica como Maria e também como João. A canção utiliza o termo “sapatão” para afirmar a homosexualidade de Maria, uma expressão antiquada e pejorativa. O segundo refrão da música tenta amenizar o preconceito, afirmando que ser lésbica “está na moda”.

 

“A bolsinha do Waldemar”

Popularmente conhecida na voz de Alberto Ribeiro, “A bolsinha do Waldemar” é uma das marchinhas de carnaval que tem um tom homofóbico. A letra mostra a desconfiança sobre a sexualidade do personagem, ao insinuar que ele seria gay por usar uma bolsa, como no  trecho “A bolsinha do Waldemar, dá pra desconfiar”.

“Mulata Bossa Nova”

Música de João Roberto Kelly, ela faz o uso do termo “mulata” para se referir a mulheres negras, expressão considerada preconceituosa. O termo mulata tem derivação etimológica da palavra “mula”, animal híbrido, fêmea do burro. Na última estrofe a marchinha ainda incita a competição feminina, quando fala que a mulata está “esnobando as loiras e as morenas do Brasil”.

 

“Teu cabelo não nega”

De autoria de Lamartine Babo, a marchinha retrata o preconceito  racial contra a mulher negra. No refrão, o trecho “Mas como cor não pega, mulata, mulata, eu quero o seu amor”, esclarece que se a cor negra da mulher fosse “contagiosa” o homem não iria querer o amor dela.

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