As bruxas estão soltas e não vão fazer mal a você

Por Cadu Vasconcelos

Escrito por Scott Cunningham, o livro “The Truth About Witchcraft today” (“A verdade sobre a bruxaria moderna”, em tradução livre para o português) revela que mesmo depois de séculos, as bruxas continuam entre nós. Hoje, são chamados de Wicca, nome moderno adotado pelos novos praticantes da religião. O movimento surgiu em meados de 1920, mas as origens de sua prática remontam há milhares de anos.

Capa do livro “A verdade sobre a bruxaria moderna”. Foto: reprodução.

As bruxas são representadas na indústria cinematográfica como mulheres velhas e enrugadas, com chapéus grandes e nariz protuberante. A obra desconstrói a visão negativa dessa arte e da imagem da wicca, destacando o que é ser bruxa de verdade atualmente. Esse movimento é composto por homens e mulheres de todas as posições sociais, muitos são profissionais das mais diferentes áreas e praticam magia em seu tempo livre.

Ao contrário do que pensam, a bruxaria não envolve pactos e sacrifícios humanos. Ela está intimamente ligada a energia da natureza, mente, dos conhecimentos de ervas, cristais, velas, incenso e principalmente com a cura, segundo Cunningham.

O livro mostra que, para a bruxaria, forças invisíveis permeiam todo o universo. A água, terra, plantas, fogo e vento são dotados de poderes. A magia, assim como a ciência e a religião, surgiu com a necessidade do homem primitivo em ter controle sobre a natureza.  Por vários séculos, os humanos examinaram o mundo natural e descobriram a propriedade de vários elementos. A magia popular lentamente evoluiu para fins específicos de proteção, fertilidade e caças de animais. Ao longo do tempo, a magia se tornou aliada da ciência, acredita o autor.

Séculos de intolerância

Durante muitos séculos, a Wicca foi vista de forma negativa pelas religiões estabelecidas. Por se tratar de uma religião pagã (do campo), não era bem vista pela igreja. Com a ascensão do cristianismo em toda a Europa, a inquisição católica matou milhares de mulheres por serem denunciadas mediante execuções de bruxaria. Preparo de chás com ervas para fins curativos e rituais dançantes eram práticas acusadas pelos cristãos. Muitas mulheres preparavam essas receitas para seus filhos e marido, por acreditar em suas propriedades mágicas, como se vê narrado no livro.

Scott reforça que, por não pensarem de acordo com a igreja e acreditarem na força do poder feminino, mulheres foram queimadas vivas em praças públicas. As pessoas da época acreditavam ser impossível uma mulher ter tamanho conhecimento curativo. O livro de Cunningham incentiva uma reflexão sobre a outra face da inquisição e o encantamento presente nos tempos atuais.

Sobre o autor

Scott Cunningham, bruxo e escritor americano. Foto: reprodução.

Bruxo e escritor americano, Scott  Cunningham escreve sobre a magia wicca em mais de 50 livros sobre religiosidade, bruxaria e Nova era. Formado pela San Diego State University, teve 16 livros publicados pela editora americana Llewellyn. O autor faleceu em 28 de março de 1993.  

 

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