Centro histórico de Fortaleza: até onde vai a sua valorização?

Por Nildo Melo e Thaís Pontes

Prédios comerciais, casarões, igrejas, patrimônios e praças passam despercebidos por tanta riqueza que o Centro de Fortaleza traz. Pela manhã, de segunda à sábado, o local encontra centenas de fortalezenses que estão indo trabalhar ou comprar algo. À noite, as pessoas se deparam com ruas sujas, mendigos ocupando praças e pontos históricos no meio da escuridão. Entretanto, com um olhar mais cauteloso, você pode voltar alguns anos e sentir verdadeiramente o Centro.

A vista para o Forte de Nossa Senhora de Assunção, o Mercado Central, a Praça do Ferreira, o Museu do Ceará, o Theatro José de Alencar, a Igreja Nossa Senhora do Carmo, entre outros lugares, trazem história, cultura e prazer de viver e ter orgulho da cidade de Fortaleza. Você já visitou algum desses locais citados? Conhece profundamente a história desses lugares? Tem vontade de conhecer? Veja como vale a pena ter mais conhecimento pelo marco zero da capital alencarina.

História da muléstia

Após a fundação do Fortim de São Tiago, localizado na Barra do Ceará, onde recebeu as caravelas dos portugueses e do colonizador, Pero Coelho, o Centro de Fortaleza surgiu.

Nossa Senhora de Assunção. Foto: Wikimedia Commons.

Às margens do Riacho Pajeú, o antigo forte de Schoonenborch, fundado por Matias Beck e construído pelos holandeses que ocuparam o local entre 1649 e 1654, foram desenvolvidas as primeiras moradias no bairro central da capital. Os domínios dessas terras permaneceram até 1812, quando a Coroa Portuguesa retomou a Província do Ceará e rebatizou o lugar de Forte de Nossa Senhora da Assunção.

Leila Nobre, pesquisadora memorialista e idealizadora do site Fortaleza Nobre desde 2009, explica o motivo do nome religioso ao local: “Essa veneração à santa pelos portugueses é antiga. Dias antes da festa de Assunção de 1385, os castelhanos, com a intenção de tomarem o poder, realizaram uma invasão a Portugal para impedir que o Mestre de Avis fosse o sucessor do rei Dom Fernando. O reino invasor, desejando conquistar Portugal, já tinha atravessado a fronteira quando Dom João I implorou a proteção da santa e prometeu construir um imponente templo em homenagem a Nossa Senhora da Assunção, caso os portugueses obtivessem sucesso na batalha. Como Portugal foi salvo, Dom João I, demonstrando gratidão, mandou que todas as catedrais de Portugal fossem consagradas a Nossa Senhora da Assunção, ordenando também que fosse construído o convento da Batalha”, explica.

O comércio se desenvolveu como atividade principal no marco zero da cidade ao longo dos séculos XIX e XX, quando Fortaleza passou a exigir um maior desenvolvimento econômico nos bairros residenciais. De acordo com Leila Nobre, o comércio chegou tímido à cidade, mas depois cresceu com lojas e, principalmente, com a influência francesa. “Nosso comércio era basicamente de sapateiros, ateliês de costura, alfaiataria, tipografias, boticas, lojas de ferragens, lojinhas de miudezas, mercado da carne, armazéns. Entre os séculos XIX e XX, Fortaleza foi então tomada pela influência francesa e nosso comércio cresce consideravelmente”, relembra a pesquisadora.

Para expandir o comércio, a cidade precisava de um porto para suprir as demandas comerciais, mas não foi possível. Com isso, muitas casas deixaram de ser residências e  passaram a servir como depósitos. A partir de 1940, o porto foi transferido da Praia Formosa (Ponte dos Ingleses) para o Mucuripe. Diante disso, a área se esvaziou e os imóveis, antes utilizados como depósitos, voltaram a ser residências e pequenos comércios.

Valorização

A memoralista e pesquisadora acredita que falta apoio por parte das  escolas. Segundo Leila, as instituições de ensino devem levar os alunos a conhecerem de perto o Centro Histórico que é, antes de tudo,  um dos principais legados de Fortaleza. Ela também se preocupa com a situação de alguns patrimônios que estão desvalorizados e precisam de uma reparação urgente. “Se pararmos para pensar na quantidade de patrimônio histórico que já perdemos, veremos a urgência dessa valorização do que ainda resta. Eu acho nossa relação com a cidade ainda é muito contida. Se houvesse uma maior interação dos alunos com os nossos equipamentos, teríamos um futuro de pessoas preocupadas com o bem público e fazendo a sua parte”,  finalizou.

Bó?

Gerson com os alunos de uma escola. Foto: Arquivo Pessoal.

Se você ficou super afim de conhecer a história de alguns desse locais, que tal dar uma boa caminhada pelo berço da capital alencarina? O Programa Fortaleza a Pé traz essa iniciativa já há 23 anos com o objetivo de levar estudantes de escolas públicas e particulares, população local e turistas a conhecer a origem do povo fortalezense, através de caminhadas culturais gratuitas pelo Centro Histórico de Fortaleza.

O turismólogo e idealizador do projeto, Gerson Gladson Linhares, 55, leva os visitantes, junto com outros guias, para as avenidas mais antigas da cidade (Dom Manuel, Imperador e Duque de Caxias). O programa incentiva as pessoas a contemplarem igrejas, prédios, palacetes, monumentos e logradouros que têm significância no desenvolvimento sociocultural dos fortalezenses, através de relatos do passado em comparação ao presente.

“Quando eu era professor universitário e levava os meus alunos para conhecer o Centro Histórico e ai surgiu a ideia de criar um programa de caminhadas culturais, que acabou surgindo esse programa. Foi criado no dia 13 de abril de 1995, coincidência no dia do aniversário da cidade de Fortaleza. Então, a gente vem fazendo esse trabalho sempre com muito zelo e muito carinho, sempre pautado com muita pesquisa com banco de dados e banco de imagens, que nos dar sustentabilidade ao projeto – explicou Gerson sobre a ideia do programa.” (Gerson Gladson, 55)

O projeto  tem um motivo especial para Gerson. “A ideia de ser de graça é para ter uma população mais consciente, mais sensibilizada em relação ao patrimônio histórico”, confessa. No entanto, para grupos, como de turistas, empresas, faculdades e escolas particulares, o turismólogo cobra uma taxa de R$ 5. Além da caminhada, há uma programação especial para escolas, empresas e entidades, aprofundando-se na história do Centro através de exposições fotográficas e  palestras, de uma forma mais interativa e didática tanto para crianças, quanto para adultos.

 

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