A resistência do Museu do Ceará

Por Raquel Sant’Ana e Thiago Mourão

Após o incêndio que destruiu o Museus Nacional, no Rio de Janeiro, no dia 2 de setembro, houve uma grande comoção da população quanto às péssimas condições em que o Museu se encontrava por conta dos cortes no investimento. A discussão levanta questionamentos pelo país quanto a conservação dos patrimônios históricos e culturais brasileiros.

No caso do Museu do Ceará, situado em Fortaleza, documentos de parecer técnico feitos pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 2005, informam que a última obra de restauro data de 1987. Os arquitetos do Iphan, Francisco Veloso e Robledo Duarte, confirmam que a obra ocorreu no final da década de 1980 e, desde então, foram realizadas apenas pequenas manutenções pontuais.

A manutenção que deveria ter começado no dia 5 de setembro deste ano, no valor de 244 mil reais –como noticiado pelo jornal O Povo -, foi negada pelos arquitetos. De acordo com os mesmos, até pequenas obras feitas no patrimônio devem passar antes pela aprovação do Iphan. Assim, é impossível que uma obra desse valor ocorra sem o conhecimento do instituto.

Entretanto, ​os arquitetos confirmam a informação dada pelo O Povo sobre a previsão de um grande projeto de conservação no Museu do Ceará pela empresa Umpraum Projetos Integrados. Duarte informa que “ele  [o projeto] não tem data para ser licitado, por que agora que o projeto de arquitetura e complementares (…) foram entregues para análise no Iphan e na Secretaria (da Cultura)”. Portanto, o valor de R$ 5 milhões e previsão de início para 2019, como noticiados pela reportagem d’O Povo, ainda não podem ser confirmados.

“[Será feita] toda a pintura do museu, interna e externa, a recuperação de toda a coberta, troca de todo sistema de ar-condicionado, troca de toda parte de instalação hidro sanitária e hidráulica, e todo o sistema (será) elétrico revisado” (Robledo Duarteiteto, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional)

Quanto ao estado atual do museu, os arquitetos listam defeitos no sistema elétrico e hidrossanitário, além de infiltrações da coberta e da umidade do solo. Eles apontam as infiltrações como principal problema no Museu atualmente. Em visita ao local, confirmamos as irregularidades apontadas: quadros elétricos expostos, tomadas antigas, problemas sanitários nos banheiros e diversas infiltrações nas paredes e tetos do edifício. Além disso, observamos  janelas e portas quebradas.

Segundo os arquitetos, o futuro projeto de restauro prevê a manutenção desses problemas. “[Será feita] toda a pintura do museu, interna e externa, a recuperação de toda a coberta, troca de todo sistema de ar-condicionado, troca de toda parte de instalação hidro sanitária e hidráulica, e todo o sistema [será] elétrico revisado” , afirma Robledo Duarteiteto.  

Hidrantes sem proteção e hidrante sem sinalização. Foto: Raquel Sant’Ana

Quanto à segurança contra incêndios, Duarte afirma que há previsão de instalação de sistemas de prevenção. “Um projeto (…) de combate à incêndios, segundo o que alguns pedem, é você ter toda aquela proteção principalmente de prevenção. O ideal é que tenha principalmente sensores de fumaça, sensor térmico…”, explica. No entanto, ele diz que essa parte do projeto ainda não foi analisada e que, portanto, não poderia especificá-la.

No local, observamos diversas irregularidades desaconselhadas pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram). Nas áreas de exposição, não há sistemas aparentes de chuveiros, nem de sensores de fumaça ou térmicos. Também não existem sinalizações de rotas de emergência nessas áreas. Há placas sinalizadoras para os extintores, porém, o posicionamento dos mesmos não atendem as especificações da ABNT (ABNT NBR 12693). Entramos em contato com a gestão do Museu mas não foi concedida a entrevista até a postagem da matéria.

 

Confira a matéria completa no site:

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

css.php