Pensões alegres: os antigos cabarés de Fortaleza

Por Ana Júlia e Amanda Roberta

Em um momento de transição de Fortaleza, quando os antigos moradores do Centro da Cidade se mudavam para novos bairros, os casarões do Centro deram lugar a pontos comerciais e também a boates, na verdade prostíbulos. Cabarés que receberam o nome de “pensões alegres”. Elas tiveram seu auge nos anos 1940 e 1950, mas algumas dessas casas resistiram até a década de 1970.

Foram anos de noitadas de festas no Centro da cidade. Na época dos Cabarés, os homens tinham diversão garantida bem longe dos olhares de suas esposas e namoradas. Eles se divertiam nos cabarés com moças que vinham principalmente do interior. Na maioria das casas, era no nome da madame que identificava o lugar.

Passeio pela história

O público que frequentava as chamadas “pensões alegres”, ia de autoridades, políticos, até  grandes comerciantes. Os Cabarés que fizeram mais sucesso em Fortaleza ficavam localizados nas principais ruas do Centro. Entre os nomes mais famosos estão: Bar da alegria, Boate Monte Carlo, Boate Fascinação, Amélia Campos. Já as chamadas “decadentes”, portadoras de doenças, ficavam nos locais mais marginalizados do Centro, como na rua por trás da Santa Casa de Misericórdia.

“Era proibido beijo na boca com o cliente. Só podia beijar o amante, aquele que tinha um relacionamento amoroso” (Juarez Leitão, historiador)

O antigo frequentador da pensões alegres, Marcelo Sampaio, relata como era a sua vivência nas noites da cidade. Como a maioria dos rapazes da época, Marcelo primeiro cumpria o compromisso com a namorada, só depois ia para as pensões alegres.

“Eu ia pra casa da minha namorada, mas não podia ficar até tarde, a gente ficava sob o olhar atento do pai dela. Saia de lá umas oito, nove (da noite), aí eu ia pro Centro. Eu frequentava e ela sabia, mas não reclamava, pois nosso namoro era muito restrito”.

Juarez Leitão, historiador. Foto: reprodução.

O período de decadência das “pensões alegres” se deu no final dos anos 1970, quando foi proclamado um edital de Secretaria de Segurança com a aceitação do Ministério Público, de proibição de som com alto volume, a partir das 22 horas. Com essa nova regra, ficou mais difícil de atrair público. Segundo o historiador Juarez Leitão, a festa lá dentro tinha muita música alta.

 

 

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