Bazares em alta: modelo de negócio se torna opção para “driblar” a crise

Por Anna Carolina e João Victor

A crise econômica brasileira tem levado muitos consumidores a buscarem maneiras alternativas de reduzir os gastos, segundo pesquisa do Fundo Monetário Internacional (FMI), realizada em 2018. Uma das saídas encontradas é recorrer ao mercado de itens usados.  De acordo com dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), divulgados em 2016, esse segmento já movimenta em torno de R$ 5 milhões por ano. No Brasil, já existem mais de 14.590 empresas formalizadas que comercializam esses tipos de artigos, sendo 17% online.

Lídia Rodrigues, formada em Administração de empresas. Foto: reprodução.

A concepção desse tipo de comércio é antiga e simples: reunir uma determinada quantidade de coisas usadas, mas ainda em bom estado, e colocá-las à venda. Roupas, calçados, acessórios, artigos de decoração e até peças íntimas. Tudo isso pode ser vendido em um bazar. Além da variedade de produtos e vestuários, o preço baixo garante o sucesso do negócio e possibilita uma economia que vai até 80% em relação às lojas tradicionais, conforme os mesmos dados do Sebrae.  

Embora sejam, na maioria das vezes, sinônimo de bugigangas, produtos velhos ou mal conservados, os bazares são uma opção para compras em geral, garante Lídia Rodrigues, 24, formada em Administração de Empresas. “São locais em que encontramos peças para todos gostos, com qualidade em caimento, acabamento e durabilidade, além do preço ser super em conta. Eu, por exemplo, gastava R$ 120,00 numa camisa, hoje encontro por R$ 20,00 em um bazar”, afirma.

Consumo consciente

Jeanne Fontenele, estudante de Moda. Foto: reprodução.

Para Jeanne Fontenelle, 32, estudante de Design de Moda, comprar em bazar é uma forma de movimento sustentável. “Reutilizando aquelas peças que ficaram esquecidas, faz com que o exercício de garimpar também seja uma forma de nos conhecermos melhor, e repensarmos se precisamos mesmo de tantas roupas novas”, reflete. Segundo Fontenelle, consumir esse modelo de negócio valoriza sua própria renda. “Tem uma frase que é conhecida dos que são adeptos ao consumo consciente, que é: ‘Compre menos, escolha bem e faça durar’. Ela foi dita pela estilista inglesa Vivienne Westwood que, ao reduzir sua empresa, queria priorizar a qualidade do que seria produzido ao invés da quantidade. Provavelmente quando ela disse essas palavras, já sabia da importância do consumo consciente”, comenta a estudante.

Renda extra

Os bazares não são apenas uma forma de conseguir produtos baratos. É possível, também, ganhar transformando coisas que não são mais utilizadas em dinheiro. Além de desapegar de itens que não servem mais, é uma maneira de conseguir um espaço livre no armário.

Em Fortaleza, principalmente nos finais de semana, ocorrem muitos bazares coletivos, como o Bazar Aberto, que acontece aos sábados em diferentes praças da cidade. O evento também acontece mensalmente aos domingos, no Corredor Cultural do Benfica. A organizadora, Yasmin Cavalcante, 24, salienta que a ideia do bazar surgiu a partir de um interesse em ajudar outras pessoas que também tinham o intuito de se desapegar de modo fácil e prático, sem a necessidade de vender apenas online.

De acordo com a organizadora do coletivo, além de ser voltado para todos os públicos, o evento gera impacto tanto na moda sustentável quanto na economia. “Como o valor máximo das peças é de até R$ 20,00 reais, ajuda muitas pessoas que não têm condições, a terem oportunidade de comprar muitas roupas com um valor justo”, afirma.

Cuidados na compra

Lucas Maia, estudante de Odontologia. Foto: reprodução.

Além de pensar no preço, é preciso, antes, observar a qualidade dos produtos. A estudante do curso de Direito, Gabriela Cavalcanti, 24, é uma adepta desse estilo de consumo e explica que é necessário checar se não há algum defeito nas peças. Segundo ela, manchas e rasgos são comuns. “Levar algo defeituoso para casa pode exigir reparos, e, assim, acabar não compensando”, comenta. Para a estudante, a questão sustentável também importa. “Posso comprar aquela peça que está em desuso e aproveitá-la da minha maneira”, explica.

O estudante de odontologia, Lucas Maia, 23, é frequentador assíduo de bazares na cidade e recomenda “fazer uma lista do que você quer e ao escolher a peça, ver se ela compõe com algum item do seu armário, se não, existe um risco de não usá-la muito”.

 

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