Consumismo em excesso gera riscos para o consumidor

Por Gabriel Lopes

O consumismo exagerado afeta a vida de muitos brasileiros, podendo gerar dívidas e aquisições desnecessárias aos compradores. De acordo com pesquisa realizada em 2017 pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), apenas 28% dos brasileiros são consumidores conscientes.

Tal situação se agrava ainda mais em determinados períodos do ano em que o consumo é incentivado por promoções, a exemplo da Black Friday que aconteceu no último dia 23 de novembro. Durante esta época, o faturamento comercial cresce – e aumenta a cada ano – , chegando a 15% de progressão em 2018 quando comparado ao mesmo período em 2017.

Porém, tal situação pode ser traiçoeira com os compradores, apresentando falsas promoções e fraudes comerciais. A oceanógrafa Ialle Café, 24, foi uma vítima do consumismo exagerado no período da Black Friday ao adquirir um serviço de depilação que parecia ter um preço vantajoso. Apesar do benefício aparente, ela fez os cálculos posteriormente e chegou à conclusão de que não teria condições para arcar com as parcelas.

Ialle explicou que a combinação entre o preço baixo e a oportunidade foi o  fator incentivador ao consumo. “Ela [atendente] ressaltou o preço incrivelmente baixo enquanto mostrava que eu precisava depilar minha coxa. O preço bem mais baixo me fez sentir que eu não deveria perder essa oportunidade”, explica.

Zygmunt Bauman, autor da teoria da modernidade líquida. Fonte: Samuel Sánchez

A psicóloga Flávia Ibiapina, 28, explica o exagero no consumismo de nossa sociedade de com base  na teoria da modernidade líquida do filósofo e sociólogo polonês Zygmunt Bauman (1925-2017), que trata da fluidez das relações em nosso mundo contemporâneo. Ela defende que a sociedade atual insere os adultos em um mundo “altamente inovador”, que pode ser considerado superficial. “Nós vivemos em uma contemporaneidade líquida, onde tudo é muito movimento, onde o que é hoje não é mais amanhã”, explica.

A psicóloga vê o consumismo exacerbado como uma saída de preencher lacunas na existência humana, constantemente acometida por ansiedade crônica e depressão. “Quando a gente entra em contato com esse momento de compras exacerbadas, de promoções, é uma possibilidade desse comportamento humano [compra excessiva] apaziguar essa angústia que nós vivemos. Como isso não acontece, as pessoas continuam comprando, porque não é o consumo que vai me fazer estar mais feliz ou ter maior bem estar. Isso vem de dentro, do autoconhecimento. É para o quê, nós psicólogos, estamos cada vez mais sensibilizando as pessoas”, explana.

Impacto na economia

Mesmo causando transtornos para muitos consumidores, os períodos promocionais acabam alavancando o comércio, pois maximizam o lucro das empresas que, por sua vez, estarão em condições de gerar mais empregos.

Geladeira com dispenser de gelo, uma função complementar do produto. Fonte: Reprodução.

O economista e professor de Economia, Francisco Alberto, 64, vê pontos antagônicos no consumismo. “Eu vejo isso de uma maneira positiva dentro do sistema capitalista, que precisa vender, que precisa produzir, para poder gerar emprego, olhando pelo lado do mercado propriamente dito. E vejo de forma negativa, porque as pessoas são envolvidas por essa mídia que exacerba o consumo, porque o consumo hoje é uma coisa fora do normal, visto que a cada dia aparecem produtos diferenciados, mas que têm a mesma função”, comenta.

Sobre o lado negativo da situação, o economista critica os novos produtos que apresentam novidades que não mudam a função final do produto. “Cria-se um modismo que faz com que as pessoas deixem os produtos que apenas cumprem sua função básica. No caso da geladeira, guardar seus mantimentos. Você jogar aquilo fora e consome [mais]”, critica.

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