Unifor recebe V Fórum do Observatório de Segurança Viária

Por Carolina Melo

Na última segunda-feira (3), a Universidade de Fortaleza (Unifor) recebe V Fórum do Observatório de Segurança Viária. A palestra aconteceu no Auditório da Biblioteca e contou com a participação do palestrante australiano Blaise Muphet, jornalista e gerente da Global Road Safety Partnership (Programa Ásia-Pacífico, GRSP, na sigla em inglês) e de Luiza Amorim, gerente de Comunicação da Vital Strategies no Brasil. Toda a conferência foi em língua inglesa e a universidade forneceu fones de tradução durante a palestra.

O evento questionou como a mídia e a segurança viária poderiam ser aliadas para salvar vidas no trânsito. Medidas de comunicação são essenciais para fortalecer ações de segurança no trânsito. Quanto maior for a conscientização entre as pessoas, mais bem sucedida serão as medidas importadas.

Segundo dados mostrados por Blaise, mais de 1.3 milhões de pessoas morrem nas vias ao redor do mundo e 5% do PIB é perdido internacionalmente em acidentes viários. “Os que costumam morrer são os mais jovens, é a quarta maior causa de morte entre jovens de 15 a 19 anos. A segurança viária tem um impacto enorme”, confessa.

Fones disponibilizados para a tradução simultânea. Foto: Ares Soares.

Segundo Luiza Amorim, a comunicação é imprescindível para que haja uma melhora nos acidentes de trânsito. “As pessoas precisam mudar e o governo apoiar medidas. São necessárias a utilização de mídias diferentes para pessoas com acessibilidade distinta. Campanhas integradas são fundamentais para impactar a audiência mais de uma vez”, explana.

O jornalista ressalta que usar cinto de segurança no banco da frente aumenta 50% a chance de sobrevivência. O uso da proteção no banco de trás aumenta as chances de vida em 70% dos casos. Se existissem legislações firmes para motoristas alcoolizados, haveria uma redução de 20% nas mortes de acidentes de trânsito. Graças à leis mais duras, houve aumento de 30% do uso de capacete no Quênia e uma melhora no uso de dispositivos de segurança na Rússia e no México.

A velocidade também é um problema relevante e, segundo o australiano, aumenta as chances, tanto de se envolver em um acidente como de causá-lo. “A mudança comportamental é difícil, um processo longo. Na Austrália, conversamos para as pessoas pararem, porque nem a todo momento a polícia consegue acompanhar. Precisamos de formas diferentes de se comunicar para nos ajudar a ter um comportamento melhor”,  comenta.

“A mudança comportamental é difícil, um processo longo” (Blaise Muphet)

Blaise Muphet é formado em jornalismo e braço da Cruz Vermelha Internacional para Segurança Viária. Anteriormente, atuou em projetos humanitários com foco no uso de mídia e comunicações. Isso incluía iniciativas de migração, segurança alimentar e alfabetização digital.

Atualmente, analisa a relação entre a comunicação e a segurança viária em 20 países. A função específica de seu trabalho, segundo Muphet, é a redução de óbitos em acidentes de trânsito nos países de baixa renda. “Trabalhamos com o fortalecimento de leis, construção de comunicação e infraestrutura”, explica.

 

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