Suspense tecnológico aborda exposição virtual

Por Cadu Vasconcelos

Produzido pela Blumhouse Productions e originalmente distribuído na Netflix, “Cam” discute um tabu atual: a exposição online. O filme investiga sobre essa peculiaridade da rede mundial de computadores. O drama possui direção de Daniel Goldhaber e roteiro de Iza Mazzei.

No filme, Alice (Madeline Brewer) é uma “camgirl” e usa a internet para ganhar dinheiro em troca de shows eróticos online. Graças ao seu empreendimento virtual, a personagem consegue comprar várias objetos para sua casa e sempre recebe presente de seus pretendentes.

Um dos temas explorados na trama é o quanto a exposição pode comprometer a vida, e questões relacionadas ao livre arbítrio e poder. O longa questiona até que ponto somos capazes de desejar tanto ser perfeitos na internet, a fim de agradar e forjar nossa própria realidade.

Realidade dividida

Fora da internet, Alice é reservada. Ela tenta separar ao máximo seu mundo virtual do real e esconde o estrelato na internet de seus familiares.  Diante da concorrência, a protagonista não mede esforços para alcançar seus objetivos, é capaz de fazer tudo para estar entre as 50 melhores garotas do site, como tentar manipular objetos cortantes até simular cenas de suicídio.

Com horas cada vez mais longas de exibição online, a personagem consegue chegar a sua meta de estar entre as melhores do site. Porém, uma vez presente no “top 50”, sua vida toma um rumo completamente diferente. Durante sua entrada no programa para fazer seus shows online, Alice é surpreendida por uma cópia de si mesma na internet.

A reprodução é capaz de apresentar cada movimento e singularidade da personagem.  Sua conta é removida e Alice acha tudo isso impossível. A “camgirl” não mede esforços para recuperar sua identidade virtual. O filme apresenta algumas metáforas sucintas sobre quem somos na internet. Girando em torno da busca de si, Alice é obrigada a concorrer com ela mesma.

Tabu pouco discutido

Segundo Isa Mazzei, diretora do filme “Cam” para a Vice, ao mesmo tempo que a trama discute um tema provocativo e instigante ao telespectador, o trabalho sexual é um assunto antigo que volta na atualidade. O filme fala também sobre o poder das escolhas. “Você nunca vê uma trabalhadora sexual normal que fez uma escolha consciente de se envolver na indústria, e que vê isso como um negócio. E esse é o caso da maioria dos trabalhadores sexuais que conhecemos”, confessa a diretora para o Portal.

 

Ficha Técnica

Título: Cam (Original)
País: EUA
Ano produção: 2018
Dirigido por Daniel Goldhaber
Ano: 2018 (Mundial na Netflix)
Duração: 94 minutos
Gênero: Terror Psicológico, Suspense

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